Han Li dera apenas alguns passos em direção à praça quando uma voz o chamou de longe.
— Por aqui, irmão Han!
Seguiu o chamado e encontrou Wan Xiaoshan de pé ao lado de um ancião de manto azul, acenando com entusiasmo. Han Li sorriu e aproximou-se rapidamente.
Ao chegar perto, o jovem o apresentou: — Este é o Mestre Qingyan do Vale Tailan, amigo íntimo de meu pai. Esta Assembleia de Tailan é convocada por ele e vários outros anciãos.
Han Li examinou o ancião com cuidado. Era alto e magro, de ombros largos e mãos longas, vestido com um manto azul de erudito que lhe dava um ar de graça transcendente — exceto por um traço surpreendente: seu rosto estava todo manchado com máculas azuladas.
— E este — disse o garoto ao ancião — é o irmão Han, que conheci logo fora do vale. Embora seja um cultivador errante, nos demos bem de imediato. Tio, cuide um pouco dele.
O ancião estudou Han Li por sua vez e estreitou os olhos. — Jovem amigo Han, sua arte de atributo madeira está bem praticada. Na sua idade já alcançou a oitava camada — um nível raramente visto mesmo dentro dos clãs de cultivação.
Han Li estremeceu por dentro. Se não tivesse engolido pílulas e elixires como doces, jamais teria escalado à oitava camada; ainda estaria rastejando entre a terceira e a quarta. Contudo respondeu com modesta compostura: — O senhor me lisonjeia, mestre. Apenas tive fortuna.
O mestre Qingyan assentiu levemente e desviou-se de Han Li, dirigindo-se ao garoto. — Pequeno, vários da sua família já chegaram. Preocupam-se muitíssimo com você; incumbiram-me de levá-lo até eles assim que o visse. Venha agora.
O rosto de Wan Xiaoshan desabou. — Não é minha Sétima Irmã e meu Nono Irmão, é? São os que mais temo pelas broncas. Preciso ir?
O ancião endureceu a face. — O que você acha?
— Claro que preciso. — O garoto desanimou.
— Hmph. Você tem coragem, fugindo de casa contra a vontade da sua família. Se tivesse encontrado cultivadores impiedosos no caminho, teria deixado algumas vidas por aqui! — Ao dizê-lo, o mestre Qingyan lançou um olhar de soslaio para Han Li.
Han Li captou o significado no mesmo instante. Aquele ancião insinuava sutilmente que ele próprio era precisamente um desses cultivadores ardilosos e mal-intencionados, aproximando-se do jovem ingênuo. Observou com olhos frios, mas nada disse.
— Pena — pensou —. Aqui havia um jovem mestre que me contava tudo sem reservas, e agora devemos nos separar. Se este Mestre Qingyan desejar me criar dificuldades, dificilmente eu poderia recusar.
Em voz alta disse, unindo os punhos para ambos: — Já que o irmão Pequena Montanha deve ir ter com sua família, vagarei um pouco por conta própria. Depois, se surgir a oportunidade, poderemos beber juntos.
— Espere, não se apresse! Deixe-me apresentá-lo a...
— O pequeno amigo Han tem assuntos próprios a tratar. Não lhe cause problemas! — O ancião interrompeu, segurando o braço do jovem.
Han Li sorriu radiante para Wan Xiaoshan, depois virou-se e continuou em direção à praça.
Atrás dele, o garoto arrastava-se atrás do mestre Qingyan com rosto de condenado sendo levado ao cadafalso.
Han Li não guardava rancor pelo manejo do ancião. Qualquer sênior que visse um estranho de origem desconhecida rondando seu parente o encararia com suspeita — ainda mais uma grande casa como os Wan. E Han Li não abrigava má intenção para com Wan Xiaoshan; simplesmente desejava aprender mais sobre o mundo da cultivação através do garoto. Com Qingyan pondo fim a isso, teria de colher o que pudesse observando e escolhendo seus momentos.
Assim refletindo, aproximou-se das bancas do mercado.
As bancas dos cultivadores cercavam a ampla praça num padrão solto, formando vielas tortas. Os visitantes vagavam de dois em dois ou três pelo meio aberto, parando para examinar mercadorias e pechinchando em voz baixa — cena não muito distinta de um bazar mundano.
A luz se apagava, mas a praça resplandecia. Diante da maioria das bancas erguiam-se lampiões uniformes de bronze antigo, de um metro de altura. Mas em vez de óleo, cada um sustentava uma pedra branca do tamanho de um punho que emitia um brilho suave e constante, muito mais luminoso que qualquer lamparina a óleo, tornando pálidas como o dia as bancas sob elas e deixando os caminhos próximos claramente visíveis. Han Li estalou a língua em silencioso assombro diante de tão útil maravilha.
Embora fosse tarde, a praça apenas ficara mais lotada. Novas bancas brotaram e os visitantes se multiplicaram. Uma torrente de cultivadores derramou-se de uma vez e o local tornou-se animado e clamoroso.
Han Li aproximou-se lentamente, mas não entrou de imediato. Demorou-se na periferia, observando aqueles cultivadores indo e vindo.
Estando tão perto, seu vestuário e aparência lhe abriram os olhos. Alguns usavam roupas extremamente esfarrapadas, cobrindo apenas os pontos vitais e deixando o resto nu. Outros estavam envoltos da cabeça aos pés, sem mostrar um dedo de pele — o perfeito oposto. O mais estranho de tudo, viu uma figura cujo rosto era claramente o de um homem, trajada com mantos e ornamentos de mulher, e Han Li sentiu um nó de repulsa. Felizmente tais excentricidades eram poucas; a maioria dos trajes era meramente incomum e suportável.
Após observar por um tempo, a expressão de Han Li moveu-se de repente — um brilho cruzou seus olhos.
Percebeu que cada cultivador na praça, fosse vendendo ou passeando, era um jovem entre quinze e vinte e poucos anos. Ainda não vira um único que passasse dos trinta.
As palavras de Wan Xiaoshan afloraram em sua mente: a Assembleia de Tailan, realizada a cada cinco anos, era exclusivamente para jovens. Assim os cultivadores mais velhos e veteranos mantinham-se afastados; até o Mestre Qingyan só podia aparecer ali na sua capacidade de anfitrião.
Com isso, Han Li respirou mais aliviado. Aqueles velhos monstros não eram fáceis de lidar — e se um deles se voltasse contra ele, pensou, não lhe seria mais difícil que esmagar uma formiga. Mas os "jovens" diante dele também não eram fracos. Um cultivador como Han Li ocupava apenas posição mediana entre eles, e figuras do calibre do homem de manto azul que certa vez vira — de grandíssima habilidade — abundavam. Em pouco tempo avistou cinco ou seis desses mestres, o que o fez suar de humildade.
Permaneceu ali, tomando a medida da multidão, deixando que seus planos para aquele estranho vale tomassem forma lentamente no fundo de sua mente.