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Chapter 87: O Mundo Não Pode Ser Tido por Completo

Roaming the Heavens·Capítulo 87 de 94·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-04 03:49

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Cidade das Três Montanhas.

Sun Xiaoman entrou às pressas no quarto da mãe.

Desde que a batalha no Pico Balança de Jade terminara, Dou Yuemei se trancara no seu aposento sem sair, deixando os assuntos da cidade nas mãos de Sun Xiaoman. Nem mesmo a nomeação do novo decano da Academia Dao da Cidade das Três Montanhas a fizera sair. Era a primeira vez em todos aqueles dias que aceitava ver alguém.

"—...Mãe." Ao primeiro olhar para Dou Yuemei, o coração de Sun Xiaoman deu um baque.

Tão acabada, tão exausta... aquela ainda era sua mãe?

"—Xiaoman." Dou Yuemei olhou para a filha e, enfim, um pouco de cor voltou ao seu rosto pálido: "Como vai a cidade?"

"—Bem, mais ou menos." Sun Xiaoman não se atreveu a dizer que, desde que a expedição ao Pico Balança de Jade voltara de mãos vazias, vários discípulos da academia de talento notável haviam se transferido para outras cidades, dizendo que ali não havia esperança. Eram poucos, é verdade, mas para uma Cidade das Três Montanhas já minguada de talentos, era sal na ferida.

"—Que bom, então." Dou Yuemei parecia quase não se importar com a resposta, e perguntou por sua vez: "E o Xiaoyan?"

"—Continua trancado no quarto, dizendo que nunca mais quer falar com a senhora."

Dou Yuemei suspirou, com certa melancolia: "Parece que desta vez está mesmo zangado."

"—Não importa. Daqui a um tempo ele esquece."

Havia cansaço nos olhos de Sun Xiaoman, que procurou esconder da mãe. Cuidar dos assuntos da mansão do senhor da cidade não era o seu forte; mas Sun Xiaoyan não servia para governar coisas, e sua mãe estava tão abatida, compungida dia após dia. Mais valia ela assumir o peso, embora lhe custasse. Para seu gosto, preferia erguer o grande martelo e trocar golpes com centenas de mestres do que enterrar a cabeça entre papéis e contas.

"—Nestes dias eu entendi." Dou Yuemei recobrou um pouco de ânimo e suspirou: "A Cidade das Três Montanhas ainda precisa se sustentar, e a cultivação do seu irmão não pode ser descuidada. Acima de tudo, a mãe não pode continuar a prendê-la."

Sun Xiaoman ergueu os olhos para ela: "Mãe..."

"—Vá procurar seu mestre!" disse Dou Yuemei, comovida: "Este mundo não é como seu pai acreditava, e tudo o que ele fez não teve sentido. Não é um mundo de razão; é um mundo dos fortes."

Era difícil de imaginar. Para uma mulher que tomara o marido como pilar espiritual e nele confiava sem condições — quão funda devia ser sua desesperança para dizer tal coisa. Para negar o esforço do marido.

Sun Xiaoman sentia que a mãe não tinha razão, mas não sabia como contestá-la.

"—Seu mestre é muito forte, mas naquela época a mãe insistiu em tê-la ao lado porque confiava que um dia não ficaria atrás dele. Que vivendo com sua mãe, sua cultivação não seria prejudicada."

Dou Yuemei baixou a voz: "Agora... a mãe jamais poderá superá-lo."

Naquela altura Dou Yuemei se sentava diante do espelho de penteadeira que costumava usar, embora de costas para o vidro. A luz do sol entrava pela treliça da janela e caía sobre seu rosto acabado, mais pálido ainda.

Sun Xiaoman simplesmente se sentou de pernas cruzadas no chão, o martelinho de prata balançando no pulso, apoiou a cabeça na mão e a reclinou sobre o joelho da mãe.

Dou Yuemei acariciou sua têmpora e prosseguiu: "A prática marcial pura — ainda ninguém traçou um caminho completo para ela. Por isso o caminho do guerreiro é difícil de trilhar. Seu mestre é só um explorador entre muitos. Muitas vezes você terá de se bastar, e pensar muito."

"—Mmm." A voz de Sun Xiaoman foi suave.

"—Você tem talento. Até os Doze Céus, o caminho se abre liso e plano para você, então não falarei da cultivação anterior ao reino do Palácio Interior."

Dou Yuemei tirou um caderninho tão fino que mal tinha algumas páginas: "Isto é um pouco do que a mãe aprendeu ao investigar a semente de uma habilidade divina. Pegue. Todos os grandes caminhos levam ao mesmo fim; com um, basta para todos. Talvez lhe sirva de algo."

Ao ver que Sun Xiaoman o guardava, suspirou de novo: "O guerreiro que pisa os Trinta e Três Céus não é, até hoje, mais que uma ideia; ninguém jamais o percorreu por inteiro. De verdade, me pergunto até onde minha filha chegará."

Sun Xiaoman ergueu uma mão bem alta, o martelinho de prata balançando: "Até o topo!"

Dou Yuemei riu e estendeu o dedo para beliscar o nariz da filha: "Vá, então. Vá."

Sun Xiaoman se pôs de pé, os pés descalços no chão: "Mãe, então eu vou?"

Dou Yuemei riu entre lágrimas: "Vá."

Sun Xiaoman esboçou de repente um sorriso travesso: "Antes de ir, vou dar um sermão no Sun Xiaoyan para a senhora!"

Ao ver que Dou Yuemei abria a boca para detê-la, ela se adiantou: "Mãe, escute. De vez em quando, bater num filho faz bem ao corpo e ao espírito. Não seja mesquinha. Papai já se foi; o passado fica no passado. Mas o futuro ainda é longo!"

Deu dois pulos, virou a cabeça e piscou um olho: "Ah, e o meu mestre anda de olho em você, isso eu vejo!"

"—Sai daqui! O que você entende!"

A filha foi, foi visitar o irmão com uma lição em mente.

Dou Yuemei sentiu um estranho alívio e lançou aquele pensamento esquisito para fora da mente.

Virou-se e olhou para o espelho de penteadeira.

No vidro havia um rosto sem pó de maquiagem; gasto, sim, mas ainda se podia traçar suas linhas finas e gentis.

Ergueu a mão, roçou a própria bochecha e deixou escapar um suspiro baixinho: "Morto de nada, você morreu tão cedo — não acha que não valeu a pena? Que pena, de verdade, desta minha cara, viçosa como uma flor..."

—...

Pelo vice-decano Song Qifang, Jiang Chen não sentia, decerto, estranheza alguma, nem lhe faltava respeito. O decano Dong não fora rebaixado para Maple City senão poucos anos atrás; antes disso, a Academia Dao de Maple City sempre fora governada por Song Qifang.

Claro, limitado pela própria força e visão, a Academia Dao de Maple City sob seu comando sempre fora fraca.

Agora o decano Dong dirigia a academia principal, enquanto Song Qifang, como vice-decano, além do ensino, dedicava-se à alquimia e à arte da dedução. Pode-se dizer que a divisão de tarefas era clara e cada um aproveitava seu talento.

Como o homem não disputava pelas coisas e era afável e bondoso, sempre conquistara o respeito dos discípulos.

Só que Jiang Chen não conseguia adivinhar por que Song Qifang o convocara de repente.

"—Decano Song." Jiang Chen entrou na câmara de alquimia e fez uma reverência respeitosa: "Tinha algum assunto comigo?"

Song Qifang, de cabelos brancos, voltou-se do forno e olhou para Jiang Chen com um sorriso amável: "Jiang Chen, como vai a cultivação ultimamente? Algum problema?"

"—É uma honra que se preocupe." Jiang Chen se sentiu lisonjeado. "Os instrutores são todos muito diligentes, e minha cultivação ainda é superficial, então meus problemas são todos bem elementares. Às vezes os irmãos mais velhos os resolvem por mim. Por ora, nenhuma dificuldade particular."

Song Qifang assentiu satisfeito: "Você é um dos melhores discípulos desta academia. Posso ficar tranquilo com você."

"—Há talentos em abundância na academia; este discípulo não merece tais elogios."

"—Ouvi tudo sobre suas façanhas na Cidade Vista do Rio." Song Qifang olhou de relance ao fogo do forno e prosseguiu: "Você se saiu admiravelmente. Mas em algumas coisas é preciso cuidar dos modos. Nós e a Cidade Vista do Rio estamos unidos por um naco de água; não há por que deixar tudo tão rígido e hostil."

Quaisquer que fossem os direitos e os erros do assunto, a verdade dele — abrir a boca e atirar uma culpa sobre a cabeça de um homem desagradou deveras a Jiang Chen.

Mas o rosto não mostrou nada. Disse apenas: "Bem recebido seu ensinamento, decano Song."

"—Claro, tratando-se de um assunto de família, é compreensível que um jovem seja impulsivo." Song Qifang sorriu, avivou o fogo e perguntou com aparente descuido: "Ouvi dizer que você tem uma arte de espada sem par, que brilhou com luz própria na Cidade das Três Montanhas e na Cidade Vista do Rio?"

"—Este discípulo chegou a uma arte de espada por um golpe de sorte." Jiang Chen franziu levemente a testa. "Mas ela não é tão milagrosa quanto a pintaram."

"—Triunfar sem se tornar arrogante — muito bem." Song Qifang fez uma pausa e então se voltou para olhar Jiang Chen nos olhos: "Quereria contribuir com esta arte do Dao para a academia? Para que os demais discípulos também melhorem. Não tema — o mérito do Dao será contado em abundância. Eu mesmo providenciarei."

É verdade que as Academias Dao do Reino de Zhuang tinham a tradição de trocar bens por mérito do Dao, pela qual os discípulos abençoados com riquezas podiam ofertar seus tesouros — algo bom tanto para a academia quanto para o cultivador. Os manuais de técnica entravam, claro, nisso.

Mas aquilo era, puramente, questão de vontade.

Em outras palavras, se Jiang Chen quisesse, já teria trocado há muito tempo. Acaso precisava que Song Qifang falasse para fazê-lo?

Compartilhá-la com Zhao Yan, Ling Chuan e Du Hu, isso ele fazia de todo coração. Mas não significava que Jiang Chen fosse um grande amante do mundo, atento a cada criatura sob o céu. Isso não era filantropia; era tolice.

E assim, Jiang Chen perguntou de frente: "Isto é vontade do decano Dong?"

O rosto de Song Qifang escureceu um pouco: "Havia de crer que, dentro da Academia Dao de Maple City, as palavras deste velho ainda têm algum peso. Nem mesmo o decano Dong deixaria de respeitar minha opinião."

Por isso a Academia Dao de Maple City fora tão medíocre em suas mãos noutros tempos — que cabeça cheia de tradições rançosas e rebuçadas!

Pensando nisso, Jiang Chen se curvou em reverência: "Então, perdoe-me, mas recuso."

Dito aquilo, virou-se e foi embora direto.

Sua espada pendia ao lado.

Naquele momento, ele mesmo carregava o fio de uma espada.

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