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Capítulo 95: A Serpente Espiritual Enrola-Estrelas

Roaming the Heavens·Capítulo 95 de 123·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-04 15:56

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Cultivar é, em primeiro lugar, cultivar a mente.

O reino é a raiz da cultivação; as artes do Dao são armas que guardam o caminho, e é o temperamento do coração que empresta a um cultivador a força para seguir andando. Com a melancolia dissolvida, a cultivação desta noite transcorreu com uma suavidade incomum: seus pensamentos eram claros e seu coração de Dao, sereno. Aquela Minhoca Terrosa Enrola-Estrelas cruzou uma e outra vez o Vórtice Daoico do Rio Estelar, e de repente mudou sua pele de verme, e dela saiu uma vivaz cobrinha.

Era a marca de uma evolução, do Conduto da Minhoca Terrosa ao Conduto da Serpente. E como com as mudanças dos demais espíritos verdadeiros dos condutos do Dao, a quantidade de essência que podia atrair crescera de um só motim para três.

Apenas uma coisa diferia: a serpente-espírito enroscada sobre o Palácio Celestial ainda portava luz estelar, e era ainda mais vivaz.

Se seguisse seu curso ordinário, o segundo vórtice daoico haveria de se estabelecer no décimo terceiro dia do décimo primeiro mês. Mas já Jiang Chen se achava no limiar crítico, dois dias antes, e com a bênção do conduto da Serpente Espiritual Enrola-Estrelas o ritmo não faria senão se apressar.

A fundação do primeiro vórtice daoico marca o assentar do alicerce; significa que desde então a essência do Dao pode nascer de si mesma. Mas desde o segundo vórtice em diante deve-se preparar a edificar o pequeno ciclo de Zhou Celestial; só quando três vórtices se respondem, dobrando-se num todo único, pode a essência do Dao de verdade se engendrar sem fim, e só quando o pequeno ciclo se firma pode sustentar a expansão do Palácio Celestial.

Por isso se chamava ao oitavo posto o reino do Ciclo.

Edificar o pequeno ciclo de Zhou Celestial não era coisa simples — não era questão de erguer três vórtices e esperar que girassem: se não concordassem, podiam até colidir e arruinar a senda inteira. A esses três vórtices se lhes chamava os Três Talentos Menores, e o ciclo ideal exigia não só uma lógica sólida, mas uma concorrência de intenção; segundo a disposição de cada escola e o feitio de cada pessoa, os Talentos diferiam — rios, lagos e mares; vento, elegância e ode; até mesmo ouro, prata e bronze…

Por sua parte, fazia já tempo que Jiang Chen havia sopesado o assunto.

Seu primeiro vórtice daoico era o Sol — o Arranjo do Campo Estelar começa a partir da estrela do Sol; o sol se ergue, e o mundo se ilumina. Mas do vórtice do Sol se ramificavam também muitas construções de tremenda força — Sol, Lua, Ano, enfiando o longo rio do tempo. Por isso Jiang Chen não tinha por que duvidar; o segundo vórtice, por todo justo raciocínio, era a Lua. A Estrela Lunar estava atada a quase tudo quanto agora possuía; só a lua podia iluminar o coração.

Nenhuma diferença no aspecto guardava o gêmeo do vórtice do Sol, condensado também do diagrama do Arranjo do Campo Estelar; pendia igualmente, sobre o Palácio Celestial.

As duas esferas do Vórtice Daoico do Rio Estelar corriam lado a lado, lançando o Palácio Celestial numa luz mais clara.

A Serpente Espiritual Enrola-Estrelas nadava alegremente entre eles, e cada motim de essência do Dao rolava como uma conta de jade: juntas, as duas esferas engendravam dezesseis motins por dia, e o caudal da serpente, três vezes o da minhoca, acrescentava outros doze.

A tal ritmo, salvo algum contratempo, a terceira esfera poderia se estabelecer treze dias depois. Feito isso, enquanto o pequeno ciclo de Zhou Celestial não lhe falhasse, Jiang Chen pisaria, firme e verdadeiro, o reino do Ciclo.

O exame de entrada na academia do condado, que prendera tantos corações à espera, terminou. Li Yun e Wang Hao, ambos bem conhecidos de Jiang Chen, tinham passado limpos para a academia daoica do condado. Zhang Yuan não escolhera se apresentar ao exame em absoluto; pensava, em vez disso, mediante o Julgamento das Três Cidades do ano vindouro, arrancar um lugar que conduzisse diretamente à academia daoica nacional — sem dúvida, mais depressa que o caminho que Li Yun e os demais deviam andar, subindo pela competição conjunta dos três condados. E só Zhang Yuan, o mais forte deles todos, tinha direito a arriscar um ano inteiro em semelhante aposta.

Quando Li Yun partiu, Jiang Chen e os demais o despediram fora das muralhas. Esses estudantes que haviam ganho entrada na academia do condado eram os melhores da academia daoica da cidade, e eram muitos os que tinham vindo se despedir. Wang Hao, sobretudo, quase se perdia entre a multidão — o clã Wang se envaidecia dele, e vários anciãos de sua família não cessavam de lhe dar exortações.

"Irmãos, quando pensais vir os demais para a academia do condado?" Era a última pergunta de Li Yun, enquanto olhava para Jiang Chen. "Ou simplesmente nos veremos de novo na academia daoica nacional?"

Desde o episódio do Pico do Pincel Vertical, Li Yun se soltara visivelmente. A seus olhos, de todos esses companheiros, quem tinha a melhor esperança de entrar de um salto na academia daoica nacional era Jiang Chen.

Zhao Yan escultura um sorrisão e disse: "Vou me esforçar para te alcançar, irmão mais velho, o mais cedo que puder. E se não puder — te rogo que vá um pouco mais devagar, e nos espere."

Li Yun chegara a conhecê-lo um pouco, e riu: "Pois mais vale te esforçares, ou teu velho irmão mais velho será velho demais para esperar muitos anos."

"!Estou me esforçando demais, irmão mais velho Li!" resmungou Zhao Yan. "Duas horas inteiras de cultivação a cada dia!"

"E pelo menos quatro horas trancado no Pavilhão dos Três Aromas." O tom de Huang Azhan era mais inveja que desprezo quando cheirou com acidez: "E nunca levas teu irmão mais velho."

"Pois traz tu a prata, irmão mais velho!"

"Que teu irmão mais velho frequente o bordel contigo já é um favor à tua cara — quando outros o convidam, ele vai? Ele nem lhes lançaria um olhar!"

"Isso é porque não há ninguém mais no mundo que te convide!"

Jiang Chen não fez caso das brigas diárias deles; olhou para Li Yun com um sorriso e disse: "Parece-me, irmão mais velho, que também não ficarás muito na academia do condado. Quando chegar o dia, buscarás um posto no Ministério da Guerra, ou governarás uma fronteira própria?"

"Quando sair da academia daoica nacional, provavelmente irei para a Cidade das Três Montanhas," disse Li Yun. "Não deixo de sentir que deveria ir fazer algo lá."

Zhao Yan e Huang Azhan, que vinham rindo, se calaram os dois. Tinham tomado parte na caçada de feras na Cidade das Três Montanhas, e por isso compreendiam tanto melhor o que comovia o coração de Li Yun.

Havia um encanto estranho na Cidade das Três Montanhas — não vinha da terra mesma, mas das pessoas que habitavam sobre ela. De todos eles, o de sentimentos mais emaranhados era provavelmente Jiang Chen; além de cumprimentar com os punhos juntos, pouco mais havia que pudesse dizer.

Ling Chuan fez sua cortesia e disse: "Então, irmão mais velho, que te eleves no vento limpo. Não olhes para trás."

Li Yun pousou uma mão na espada e partiu a cavalo — e, de verdade, não olhou para trás nem uma vez.

De volta à cidade, num canto do portão, Jiang Chen divisou uma figura que abraçava uma gorda gata alaranjada — vinda, talvez, para se despedir de alguém, mas por alguma razão se erguia ali sozinha. A figura parecia muito solitária.

Ao encontrar o giro do olhar de Jiang Chen, ela apenas assentiu levemente, sem mais sentimento naquele trato gentil. Jiang Chen assentiu em resposta, e foi então empurrado por Zhao Yan.

A noite do décimo quinto dia do décimo primeiro mês.

O desafio mensal do Território Abençoado começou na hora como sempre, e Jiang Chen reservava sempre esse dia, inteiro, para se preparar. Não queria ser julgado à revelia por não se apresentar ao desafio — embora, mesmo aceitando-o, não pudesse escapar à derrota.

Esta noite não foi a exceção.

Com suas duas esferas do Vórtice Daoico do Rio Estelar na mão, sua Arte da Espada do Amanhecer Violeta no reino do sublime, o capítulo do Dragão Azul de sua Arte de Refinamento Corporal dos Quatro Espíritos completo — no entanto ele foi aniquilado no local.

Desta vez foi pior ainda: nem sequer pôde discernir o meio que o matara — se um dia levasse um registro de suas viagens pelo Reino Etéreo, o título bem poderia ser "Os Mil Modos de Jiang Chen Morrer."

Caira, com todas as honras, ao Território Abençoado #26, a Fonte do Espírito da Caverna, cujo rendimento mensal de Mérito minguara para mil quinhentos e cinquenta pontos; com o que guardara, seu tesouro ascendia a três mil trezentos e noventa.

Seus meios de ataque já eram suficientes, e as artes do Dao da academia se lhe abriam em abundância; doía-lhe desperdiçar esse Mérito. O Território Abençoado, afinal de contas, fora um golpe de sorte — mais cedo ou mais tarde alguém o expulsaria dele, ou bem, antes que esse dia chegasse, poderia se tornar forte o bastante para sustentar seu terreno.

Durante um bom tempo vacilou no Reino Etéreo, e então seu olhar se voltou para a Plataforma de Duelo de Espadas — a de nono posto, montada a combater adversários.

De repente lembrou o dia em que havia barrado o portão da Cidade do Rio com uma única espada, e as palavras daquele ancião do clã Lin — "Veja se ele é de verdade incomparável em todo o reino do Conduto Errante!"

Agora, por seu próprio e orgulhoso cálculo, sua força de combate havia de fato alcançado isso na Cidade do Bordo, na das Três Montanhas e na do Rio. Mas e todo o vasto mundo?

Aqui, neste Reino Etéreo de mistério.

E daí?

O que achou deste capítulo?

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