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Chapter 35: Going to the Fair

Tales of the Pastoral Deity·Capítulo 35 de 42·~9 min de leitura

Atualizado: 2026-08-12 12:06

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«Come! Forte!»

No vale do Palácio da Calamidade Suprimida, Qin Mu tirou uma Pílula de Fundação de Qi que ele mesmo havia refinado—do tamanho de um punho, uma bola volumosa de medicina—e a mostrou ao símio demônio. «Cresça forte —disse—. Fique robusto!»

O símio demônio coçou a cabeça, pegou a pílula, engoliu-a e não sentiu nada. Olhou perplexo. «Forte?»

Então, de repente, o símio demônio enlouqueceu. Pelos brotaram de cada centímetro do seu corpo e cresceram sem cessar; pior ainda, do alto do crânio brotou uma mudinha e, então, inchou até virar uma grande forquilha de madeira.

—Uma semente de árvore devia ter caído entre os pelos do símio, e a potência da pílula a despertara num crescimento furioso.

Seu tamanho também inchava. Os músculos se avolumavam e inchavam, os ossos engrossavam e se tornavam mais rústicos, até a criatura uivar de esforço, desferindo golpes e arrasando tudo. Qin Mu se interpôs para detê-la, e o símio enterrou um punho que o achatou contra a terra; seu segundo golpe atingiu o chão, arrancou o corpo dele do barro compactado e o fez quicar no ar, onde outro golpe o apanhou e o mandou voando.

Qin Mu voltou à carga. Os rugidos do símio se sucediam sem fim, e homem e símio se enredaram de novo, digladiando-se pelo vale enquanto as rochas explodiam e se espalhavam em todas as direções.

Depois de engolir a Pílula de Fundação de Qi refinada por Qin Mu, o símio havia ficado maior, mais forte e muito mais poderoso. Quando Qin Mu o enfrentou de frente, a própria força dele foi esmagada sob aquele peso: simplesmente não podia rivalizar com o poder da criatura.

Sem outra saída, Qin Mu forçou seu qi primordial a assumir o aspecto do fogo. Um qi ardente e crepitante circulava pelo seu corpo, e pela pele das costas afloraram as marcas de um dragão. As quatro patas do dragão se uniam às suas próprias; suas garras ficavam exatamente onde estavam as palmas, sobrepostas aos dedos dele.

Um dragão de fogo de cinco garras!

O qi primordial de aspecto ígneo pertence ao Pássaro Vermelho; mas Qin Mu não era um corpo espiritual de Pássaro Vermelho, e sim um de forma humana. As marcas do dragão nas suas costas não eram obra alguma do seu qi: provinham de praticar os Oito Movimentos do Trovão, a arte que o velho Ma lhe ensinara.

Os Oito Movimentos do Trovão, tal como o velho Ma os praticava, conduziam seu qi pelo corpo com uma arte sutil e portentosa: o fluxo do qi traçava as marcas de um dragão que se espalhavam por todo o corpo. Fosse o velho Ma—um corpo espiritual de Dragão Verde—a executar os Oito Movimentos do Trovão, seu qi teria carregado os aspectos da madeira e do trovão, e o dragão nas suas costas seria verde, envolto em relâmpagos.

Mas Qin Mu não dominava o qi do Dragão Verde; só podia usar o do Pássaro Vermelho, e por isso seu dragão trazia em volta um punhado de nuvens de fogo.

Apenas quando impulsionava os Oito Movimentos do Trovão é que emergiam no seu corpo o dragão e as nuvens de fogo; sempre que apaziguava a arte, as marcas singulares se desvaneciam pouco a pouco.

Com o qi turbilhonando pelos Oito Movimentos do Trovão, sua força inchou até que, por fim, conseguiu enfrentar o símio de frente. Mas o símio raivoso não tinha noção de um passo ortodoxo: trocava golpes e, com prazer, recebia um golpe se isso lhe permitisse desferir o seu. No fim, homem e símio jaziam de costas, o rosto roxo e machucado, arfando por ar, sem conseguir se mover.

A forquilha de árvore na cabeça do símio havia crescido até virar um tronco tão grosso quanto um barril, coberto de frutos vermelhos e vivos. A potência da pílula havia se esgotado, e a árvore parou de crescer.

A fornada de Pílulas de Fundação de Qi de Qin Mu era de fato um tanto defeituosa: potente demais, feroz demais, e de modo algum suave e equilibrada. Só um corpo tão robusto quanto o do símio podia suportar a investida da medicina; qualquer outro artista marcial do reino do Embrião Espiritual teria inchado e estourado.

Agora a potência se esgotara, e o corpo do símio começava a encolher devagar—embora, mesmo assim, ele ficasse bem mais alto e mais robusto que antes. Isso fez Qin Mu suspeitar que suas pílulas refinadas talvez tivessem seus problemas.

Mas, a julgar pelo comportamento do símio, o problema não era nada sério. E mesmo que fosse, era um problema do bom tipo.

Ele arrancou um fruto da árvore na cabeça do símio, tirou a casca e comeu. Era doce e macio na língua, com uma leve fragrância medicinal.

O símio se sentou e arrancou do crânio a grande árvore. As raízes lhe cobriam todo o rosto. Juntou um punhado de folhas e frutos e pôs-se a mastigá-los devagar.

Qin Mu entregou-lhe o resto das pílulas. «Uma de cada vez —advertiu—. Faça o que fizer, não engula mais de uma. E se quiser lutar, procure outra fera em outro lugar: não vá derrubar o Palácio da Calamidade Suprimida.»

Os olhos do símio demônio se iluminaram. Arrebatou as pílulas e assentiu sem cessar.

As pílulas de Qin Mu eram desmesuradamente grandes; as do Boticário mal tinham o tamanho de uma ponta de dedo, enquanto as dele, de mãos pouco treinadas, saíam tão grandes quanto o punho de um homem comum. Por isso a fornada era tão escassa: pouco mais de vinte pílulas ao todo.

Contente, Qin Mu se foi. Mas o símio, uma vez que ficou bem fora de vista, pegou uma daquelas pílulas absurdas e descomunais e se apressou, cheio de empolgação, a acertar uma velha contas com uma fera vizinha.

Essa vizinha guardava rancor dele: a fera costumava rondar seu território, saquear cervos e ovelhas para encher a barriga e mais de uma vez o espancara. Mas depois que Qin Mu estampou a marca da sua mão na parede do penhasco, a fera entendeu que tinha chegado um novo dono e desde então não havia invadido.

O símio demônio chegou à toca do inimigo, engoliu a pílula, soltou um rugido estrondoso e carregou contra o território da fera.

Dois dias depois, enfim chegou o dia da feira do templo. A Avó Si levava rolos de pano, o velho Ma trouxe parte dos móveis que havia feito de novo, e o Boticário carregou seu cesto de ervas. O Carniceiro botou no carro uma fera que o Coxo havia caçado no dia anterior—com a intenção de abatê-la na feira e vender a carne. O Carniceiro venderia, e o Coxo repartia os lucros; uma clara divisão de trabalho.

O Mudo trouxe também seu forno e suas ferramentas de ferreiro. O Surdo levou sua tinta, pincel, papel e pedra de tintar, e chamou Qin Mu. Juntos atrelaram o carro de bois e partiram rumo ao Templo da Avó.

O carro ia lotado até as bordas, rangendo e chacoalhando rumo ao Templo da Avó, com Qin Mu nas rédeas, embora com o ânimo lá embaixo. As feiras haviam tido certa atração para ele quando criança, mas agora que tinha visto bastante mais do mundo, o negócio lhe parecia bem menos atraente.

Ainda assim, quando chegou ao Templo da Avó, ficou de uma peça só. A feira era muito maior e mais animada do que imaginara. Em volta da ruína do templo se estendia um mercado de dez li de comprido, atulhado de barracas, com gente indo e vindo, agitada e ruidosa além de contar.

Nem eram só os camponeses das aldeias vizinhas—eram moradores de todas as aldeias num raio de cem ou duzentas li; a maior parte da roça tinha se reunido ali!

«No mapa antigo do Palácio da Calamidade Suprimida, este lugar não se chama Templo da Avó de modo algum —disse Qin Mu, perplexo—. Chama-se Palácio do Lobo Celestial.» Por que o haviam renomeado, não conseguia entender.

O carro entrou no mercado. Qin Mu via todo tipo de coisa estranha e maravilhosa que jamais presenciara, espalhadas nas barraquinhas. Havia homens moldando figurinhas de açúcar, cozinheiros fritando comidas sobre fogo aberto, saltimbancos e acrobatas, cuspidores de fogo, mercadores de feras exóticas, vendedores de minérios e gemas e joias, e até quem vendesse as próprias filhas. De tudo quanto se possa imaginar, e mais.

«Sou homem da aldeia da família Niu, de passagem por vossas honrosas terras. Não busco fama nem proveito—apenas meu filha chegou à idade do casamento e ainda não a desposaram, por isso celebro este torneio marcial para ganhar noiva, e rogo a algum valente mestre das artes marciais que venha tomá-la por esposa...»

Qin Mu viu uma multidão buliçosa adiante, parou o carro e esticou o pescoço para olhar. Era um torneio nupcial diante do Templo da Avó; sobre o estrado, um homem e uma mulher combatiam com fúria. Olhou um instante, não lhe achou interesse e seguiu em frente—só para descobrir que o Templo da Avó abrigava não um, mas vários desses torneios nupciais ao mesmo tempo.

Esses estrados eram feitos de terra socada, e sobre eles se erguiam rapazes e moças das diferentes aldeias, muitos deles jovens artistas marciais. Havia até anciãos de cabelos brancos que saltavam aos estrados à procura de noiva, só para receberem vaias da multidão e serem expulsos aos empurrões.

«Em algumas aldeias escasseiam os varões —explicou a Avó Si—. Um torneio nupcial trata, na verdade, de tomar um genro que more na casa.»

E então advertiu Qin Mu com severidade: «Ser genro da casa é virar homem de outra aldeia. Você não vai subir!»

Qin Mu assentiu. A verdade é que as mãos dele coçavam um pouco. O Cego riu: «E que importa se o Mu'er subir? Lute com esta casa e depois com aquela—faça a ronda de todos os estrados nupciais do Templo da Avó e tome para si uma dúzia ou duas de esposas...»

A Avó Si cravou um olhar nele, e o Cego calou, fechando a boca na hora.

A Aldeia dos Anciãos Quebrados tinha barracas fixas no Templo da Avó. Antes de muito o carro chegou lá. Qin Mu ajudou o Carniceiro a montar sua barraca de açougue, ajudou o velho Ma a descarregar os móveis, montou o forno de ferro do Mudo, ajudou a Avó Si a arrumar seu ateliê de costura e, depois, trouxe água e moeu tinta para o Surdo, pendurando as pinturas e os dísticos que o Surdo havia feito.

Quando tudo esteve no lugar, Qin Mu reparou que o Cego tinha pendurado um estandarte no seu bastão de bambu e estava sentado atrás de uma mesa, com o estandarte escrito: «Seis linhas e os oito diagramas; o porvir se anuncia, o mal se dissipa.» E pensou consigo: «O avô Cego sabe ler a sorte?»

O Boticário tinha montado sua barraca de remédios ao lado. O Carniceiro, entretanto, já havia estripado a fera, pendurado a carne, e o pessoal da Aldeia dos Anciãos Quebrados pôs-se a apregoar suas mercadorias, igualzinho a homens e mulheres comuns.

«Mu'er, há um estrado vazio ao lado. Pegue este rolo e pendure-o.»

O Surdo rabiscou um rolo num traço veloz e o entregou a Qin Mu. «Uma vez pendurado, não desça—só fique de pé no estrado. Esse é o seu ofício para hoje. Se você conseguir seguir de pé naquele estrado quando o sol se puser, terá passado em seu teste da feira.»

Qin Mu olhou a escrita: «A pé limpo, sem rival em todo o Rio Yong; arrasando com as oitocentas aldeias do grande Ermo!» E embaixo, um rolo horizontal: «N.o 1 no reino do Embrião Espiritual.»

Qin Mu lançou um olhar ao estrado contíguo. Nele se erguiam dois postes de madeira lustrosa, e entre ambos pendia uma tábua horizontal nua, sem caracteres—claramente destinada a colar o rolo horizontal.

«Avô Surdo, alguém vai me matar?» Qin Mu se virou para perguntar.

Justo então viu que o Cego tirava outro estandarte, no qual se lia: «Ganhos e perdas por milhões; apostas colocadas, mãos paradas.» Sem dúvida pretendia fazer fortuna com os combates de Qin Mu.

A Avó Si já tinha feito uma aposta na banca do Cego. O Boticário, aceso de entusiasmo, espalhava ungüentos para feridas na sua barraca, pronto para os feridos que desceriam do estrado. O velho Ma ajustava um par de muletas e uma maca. O Carniceiro, por sua vez, vendia «sangue precioso do dragão das enchentes», um tônico para vigorizar o corpo!

O rosto de Qin Mu escureceu. Aqueles velhos e velhas manhosos achavam mil maneiras de tirar proveito dele!

«Surdo —disse a Avó Si, meditando—, me escreva um aviso. Só artistas marciais do reino do Embrião Espiritual podem subir.»

E acrescentou: «E se saltar um mestre de habilidades divinas e matar o menino?»

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