Xu Fu se voltou. Seu olhar varreu a árvore Fusang, a chuva de sangue divino caindo, o garoto inconsciente nos braços de Jiang Qi. Ele não disse nada. Simplesmente ajustou o pergaminho dourado em suas mãos e deixou que sua pedra o carregasse além, desaparecendo no campo estelar.
Jiang Qi o encarou, então se sacudiu. "Para dentro. Entrem nos guardas da árvore. Ainda não estamos seguros."
Eles voaram pelo que pareceram dias. Su Yan não acordou. Quando finalmente se moveu, seus olhos tinham seu calor familiar — o garoto havia retornado, não o monstro.
"Conseguimos?" perguntou ele.
"Seu outro eu conseguiu", disse o sino. "Então nos deixou a limpeza."
Su Yan sentou-se e espreguiçou-se. "O que perdi?"
"Você entalhou guardas em meu bronze sagrado", disse o sino, ainda emburrado. "Estou manchado para sempre. Li Xiaoke chorará quando me vir."
"Me desculparei quando o encontrarmos."
"Você se desculpará agora."
"Não me lembro de ter feito isso."
"Conveniente."
Eles entraram na atmosfera de Yuan Shou como uma estrela cadente, a árvore Fusang ardendo através do céu. Jiang Qi os guiou em direção a território familiar — as montanhas perto de Yongzhou, onde o mundo havia começado a mudar.
A árvore pousou em um vale. Os refugiados desceram, chorando, ajoelhando-se, agradecendo a deuses que não entendiam. Jiang Qi manteve-se à parte, observando-os.
Su Yan se aproximou. "Você poderia tê-los deixado."
"Eu sei."
"Por que não o fez?"
Jiang Qi ficou em silêncio por um longo momento. "Porque você estava certo. A luz importa."
Ele se voltou e caminhou em direção ao horizonte, suas vestes violetas em farrapos, sua espada de bronze frouxa no quadril. "A corte Zhou vai querer o Castigo Celestial de volta. Atrasarei o tempo que puder. Use-o sabiamente, Imortal Imperecível. Descubra quem fez os deuses. Descubra por quê."
"E você?"
"Sirvo meu imperador." Jiang Qi sorriu, cansado e velho. "Mas talvez sirva a algo mais também."
Ele desapareceu entre as árvores.
Yuan Qi se deslizou, espreguiçou-se e bocejou. "Então. Comida?"
Su Yan riu. "Comida."
Eles caminharam juntos pela estrada da montanha, o sino flutuando emburrado atrás deles, reclamando de sua pureza perdida. O sol se ergueu sobre Yongzhou. Outro dia. Outro passo em direção a respostas que esperavam na sombra.
Su Yan tocou seu peito, sentindo o ritmo de um coração que havia carregado luz através de uma escuridão mais velha que a memória. Fosse o que fosse que ele tinha sido, fosse o que fosse que viria a ser — ele escolheu este caminho. Passo a passo. Espada na mão.
A estrada à frente esperava.