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Capítulo 177: Oda ao cebolinho

Ascension Day·Capítulo 177 de 187·~4 min de leitura

Atualizado: 2026-08-01 09:03

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Os olhos de Su Yan se iluminaram.

—Nunca cultivei cebolinhos. Adoraria aprender.

Li Xiaoke entregou-lhe uma foice: ferro comum, curvado para dentro, perigosamente afiada. Su Yan testou o peso. Parecia uma arma.

O sino estivera escondendo-se na mente de Su Yan, depois saindo disparado, depois retirando-se ao Reino Interior de Yuan Qi, depois sendo expulso. Finalmente flutuou para a frente, tremendo.

—Mestre... —disse, sua voz apenas um sussurro.

Li Xiaoke a estudou por um longo momento.

—Você é... o sino de supressão de demônios? O da Montanha da Pedra Pequena?

O sino se iluminou.

—Sim! Tenho outras runas agora, então talvez não reconheça... sou o sino de bronze da pedra!

—Ah. —Li Xiaoke riu, quente e fácil—. O sino que usei para suprimir um celestial renegado. Correu desenfreado por Yongzhou, massacrou centenas. Não podia matá-lo, então o selei sob a montanha e o pendurei ali.

Disse casualmente, como outro homem poderia mencionar um bom dia de pesca.

O sino insistiu.

—E a demonisa Qingbi! Também a selou! Ela assassinou os leais e retos!

O sorriso de Li Xiaoke piscou.

—Isso... não lembro tão claramente. —Voltou-se para Su Yan—. Venha, amigo. Cortemos cebolinhos e falemos.

Su Yan o observou. Li Xiaoke era alto, vestido ao estilo Han antigo: roupas negras, faixas vermelhas. Seu bigode estava recortado com simetria perfeita, cada pelo em seu lugar. Suas unhas estavam limpas, cortadas a comprimentos idênticos. Mesmo caminhando pelos campos, não carregava lama, manchas verdes, rugas.

Um homem que exigia a perfeição. Um homem que notaria uma única imperfeição em uma sala cheia de gente.

—Para Li Xiaoke —pensou Su Yan—, o sino já não é um tesouro amado. Carrega as runas de outro homem. É imperfeito. Isso o roerá.

Arquivou a observação e inclinou-se para cortar cebolinhos.

—Deve escolher suas sementes cuidadosamente —disse Li Xiaoke—. Boas sementes, gordas e cheias, crescem em talos altos e suculentos. A semente certa é tudo.

—Difícil de encontrar? —perguntou Su Yan.

—Impossível, às vezes. Assim as criamos. Pegamos as melhores plantas, deixamos crescer sem cortar, deixamos florescer e semear. Melhor que buscar em cada encosta montanhosa.

Su Yan olhou para Xue Ying'an. O jovem sorria. —Meu mestre é um criador lendário!

—Depois de criar —continuou Li Xiaoke—, precisa de boa terra. Fértil, bem regada, muita luz solar. Deve fertilizar frequentemente, proteger contra as bestas. Os porcos especialmente amam escavar nos canteiros de cebolinho. Uma noite de trabalho de porco desfaz uma temporada de cuidado.

Su Yan olhou para Xue Ying'an de novo. O rapaz assentiu, sério como o amanhecer.

—Então vem a colheita. —Li Xiaoke demonstrou, cortando um molho com um único golpe suave—. Os cebolinhos são perenes. Corta-os, deixa-os, e voltam a crescer em vinte dias. Corta em dias ensolarados; a colheita sob chuva apodrece as raízes.

Manteve três dedos sobre o solo.

—Deixa isto. Dói neles, mas não o suficiente para matar. Não se preocupe. Curam rápido.

Su Yan estudou o toco.

—Reclamarão. Mas se cortarmos parejo, todos sofrem igual, então ninguém pode dizer que somos injustos.

Li Xiaoke riu, encantado.

—Entende imediatamente! E há mais um passo: cinza na ferida. A cinza de madeira mata a infecção, acelera a cura. Quando a dor se desvanece, crescem melhor que antes.

Su Yan endireitou-se, escaneando os campos.

—Não me admira que este lugar se chame Crista Jiucai. Com o senhor como mestre, o nome encaixa.

—Acha que aí termina a sabedoria do cebolinho? —Os olhos de Li Xiaoke brilharam—. A melhor parte é comê-los.

Conduziu-os pela encosta, entregando a foice a Xue Ying'an. Os discípulos carregaram os molhos colhidos para as cozinhas.

—Primeiro, marque seu território. Ponha letreiros. Diga ao mundo que esses cebolinhos são seus. Se alguém tentar roubar, fale primeiro, lute só se as palavras falharem.

Su Yan assentiu.

—Um homem deve proteger seu terreno.

—Os cebolinhos crocantes são picantes, crocantes. Lutam no caminho para baixo. Frescos e selvagens. —A garganta de Li Xiaoke trabalhou—. Mas cozidos é melhor. Grelhados, untados com óleo e molho, gritando no fogo. Morda, e óleo dourado corre por seu queixo.

Yuan Qi engoliu em seco com força.

—Está falando de cebolinhos?

—Salteados com carne ou ovo. Até sozinhos, têm um sabor carnoso: não carne, mas mais que vegetal. Dumplings, pãezinhos ao vapor, pão achatado. Óleo pesado, sal pesado, divino! —Li Xiaoke lambeu os lábios—. O melhor de tudo, pique fino com macarrão. Um bocado, e não dormirá esta noite!

Yuan Qi perguntou:

—Senhor, está falando de cebolinhos?

Li Xiaoke riu.

—O que mais?

—Pensei que se referisse a pessoas.

Li Xiaoke recuou.

—Comer pessoas? Que absurdo.

Su Yan perguntou:

—Por que cultivamos e comemos cebolinhos em absoluto?

Li Xiaoke sorriu.

—Os cebolinhos são deliciosos. Fáceis de cuidar. Corta um molho, outro cresce. Fortalecem o corpo. Por que não comê-los?

Su Yan hesitou.

—Está falando de cebolinhos?

—Chame como quiser. —Li Xiaoke subiu a montanha a passos largos, as mangas ondulando.

O sino flutuou após ele, desesperado para agradar, posicionando-se para lhe dar sombra contra o sol.

Su Yan seguiu, a mente acelerada. A crista em si era linda: pinheiros estranhos, fontes voadoras, penhascos escarpados. Mas uma crista horizontal cruzava um abismo, e além, a névoa engolia tudo.

Li Xiaoke caminhou para a névoa e desapareceu. Su Yan seguiu. O ar engrossou, depois adelgacou. Atravessou e parou.

Um sol diferente pendia no céu. Vermelho e preto, como sangue infectado.

A outra metade da Crista Jiucai sobressaía de cima, inclinada para baixo, suspensa dez milhas sobre uma planície morta. Montanhas distantes flutuavam no céu envenenado, lagos e oceanos suspensos de cabeça para baixo.

O ar federava a enxofre. Su Yan buscou energia espiritual e encontrou quase nada.

—A energia espiritual deste mundo está morta —percebeu.

Olhou para os campos de cebolinhos, depois para o céu quebrado.

—Os cultivadores que selaram este mundo também eram cebolinhos de alguém?

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