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Capítulo 43: Irmão... Era a Primeira Vez que Era Irmão

Chi Xin Xun Tian·Capítulo 43 de 63·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-02 20:04

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—An'an, An'an! —E assim Jiang Wang, agachado no chão, e assim reuniu An'an no seu colo. Sustentou-lhe a cabecinha e afagou-a uma vez atrás da outra—. Não sejas tão boa. Eu não preciso que sejas tão boa.

Tinha a voz estranhamente rouca: —Podes ser todo o caprichosa que quiseres, todo o inocente que quiseres. Podes fazer tudo o que gostares, querer tudo o que quiseres — só que não precisas de ser... tão compreensiva.

Arrependeu-se profundamente de não ter afastado Jiang An'an quando fora pedir dinheiro a Zhao Rucheng. Sempre se dissera que a irmãzinha era tímida e sensível, e ainda assim passara por cima disso.

Na verdade, era tão próximos como irmãos com Zhao Rucheng, tão próximos que partilhava até artes de cultivo superiores sem pensar duas vezes, quanto mais coisas externas como ouro e prata. Mas esquecera-se: An'an não sabia disso.

Tudo o que An'an conseguia pensar era que ela era um fardo para o irmão. Que o irmão, para lhe dar um lar, tinha ido pedir dinheiro a outro.

—Meu Deus! —Desde que o pai adoecera e morrera, Jiang Wang quase nunca chorara. E no entanto, naquele momento, escondido atrás da cabecinha de Jiang An'an, chorou a lágrima viva.

—Irmão... o que se passa contigo? —perguntou Jiang An'an depois de um bom bocado.

—Ah, nada... nada. —Jiang Wang conteve as emoções, ainda com Jiang An'an no colo—. De agora em diante não chames a Zhao Rucheng "o pálido". Ele vai ficar chateado.

—Mas é que ele é muito pálido.

—"Pálido" não significa que tenha a cara pálida... Ah, esquece. Chama-lhe o que quiseres, não importa se ele fica chateado.

—Mmm!

Só quando teve a certeza de que não voltariam a cair lágrimas, e de que não se notaria rasto algum do choro, é que Jiang Wang afastou Jiang An'an do seu colo e olhou para ela com toda a seriedade. —O teu irmão tem de se desculpar contigo. O teu irmão não devia ter gritado contigo. Irmão... era a primeira vez que era irmão, e fez muito mal.

Jiang An'an torcia a ponta da roupa, um pouco envergonhada. —Eu também era irmã pela primeira vez, e fiz mal. Não devia ter colado, não devia ter zangado o mestre...

—Ah, sim? —Jiang Wang enxugou a carinha de Jiang An'an com os polegares de ambas as mãos, limpando-lhe suavemente as lágrimas—. Então eras irmã pela primeira vez?

Jiang An'an assentiu.

Jiang Wang pôs o polegar diante de Jiang An'an e levantou-o. —Então tens mesmo talento! Nunca vi melhor irmã do que tu.

—He he...

An'an sorriu, um pouco acanhada.

O inverno já tinha chegado. Na carinha dela ainda havia vestígios de lágrimas, mas com aquele sorriso, a primavera inteira floresceu.

...

...

Todo o homem neste mundo tem o seu destino traçado, e não há dois destinos iguais. Metade desse ditado era um disparate dos piores.

Sun Xiaoyan considerava-se um tolo, um verdadeiro tolo. Como é que pudera acreditar naquele suposto vínculo de irmão e irmã? Como é que pudera confiar nas palavras daquela demónia?

—Há todo o tipo de iguarias lá fora, nada que consigas provar na cidade de Sanshan!

—Prometo que não o maltrato, e vou dar um bom exemplo! Por favor, deixa-me liderar o caminho!

—Pensa nisto como eu e o meu irmãozinho a ir de viagem. Vamos divertir-nos imenso!

As palavras ainda ecoavam nos seus ouvidos. As palavras ainda ecoavam nos seus ouvidos!

Sun Xiaoyan, com treze anos este ano, tinha um nome elegante e refinado, mas a sua figura era... extremamente redonda.

Huff! Huff!

Corria para a frente com dificuldade, com o ventre todo em brasa, o suor a escorrer em bica. As suas roupas outrora brilhantes e bonitas já tinham perdido há muito todo o vestígio da aparência real, amarrotadas e sujas até à irreconhecibilidade.

Sentia que podia desmoronar-se ali mesmo, desmoronar-se num monte de lama, num porco, ou em qualquer coisa que pudesse afundar. Mas não se atrevia.

Desejava com toda a força chorar. Devia ter agarrado a perna da mãe e nunca mais a largado. Como é que tivera o coração tão toldado a ponto de confiar no seu inimigo de toda a vida?

Corria, e corria.

Visto ao longe, mal se lhe viam as pernas; parecia uma bola berrante a rolar.

Não queria rolar!

A não ser que pudesse rolar todo o caminho de volta!

Pensar que ele, Sun Xiaoyan — filho do senhor da cidade de Sanshan, único herdeiro varão do clã Sun nesta geração —, quão glorioso fora por todo o domínio de Sanshan! Dir-se-ia que estava "acima de mil, abaixo de um só"!

Então, porque é que lhe tinham dado na telha aquela ideia descabida de acompanhar aquele "único um" para longe de casa? Não era delicioso reinar por Sanshan City? Não era uma alegria maltratar as outras crianças? Com o tigre fora da montanha, não podia ele fazer-se de tirano do lugar?

Sun Xiaoyan parou.

Não porque a ira se lhe tivesse acendido e a coragem brotado do fundo do peito — não possuía aquilo a que chamavam coragem...

Mas porque sentia, de verdade, que tinha chegado ao seu limite.

Não era que não quisesse correr. É que já não podia mesmo correr mais.

Então ouviu aquela voz tão familiar a aproximar-se dele a uma velocidade assombrosa.

—Sun! Gordinho!

Antes de Sun Xiaoyan poder reagir, um pé — cristalino e branco, tenro, bastante bonito no seu género — estampou-se no seu traseiro de uma maneira nada bonita.

Desta vez rolou mesmo.

Uivando pela estrada imperial, rolando e girando desenfreadamente.

Quando finalmente parou, já estava com a cara cheia de nódoas e galos.

Ficou ali sentado, a balançar no chão, sentindo o mundo inteiro balançar com ele.

A primeira coisa que apareceu diante dos seus olhos semicerrados foi um par de pés descalços esculpidos como jade fino, desnudos até às panturrilhas, e depois um par de calções divididos, muito práticos para o combate. A dona daqueles pés descalços usava uma blusa curta cruzada ao lado e tinha uma carinha pequena e adorável, em perfeita harmonia com a sua figura miúda.

Ao lado dela, o obeso Sun Xiaoyan era quase um gigante avantajado. Mas franziu os lábios como se estivesse prestes a romper em pranto: —Maninha, não consigo correr mais! Sinto que, de verdade, não consigo continuar!

—Não importa o que sintas tu, mas o que sinto eu. —Sun Xiaoman agachou-se e sorriu-lhe com doçura—. Eu sinto que consegues.

Aquele ar de Sun Xiaoman, como se quisesse mesmo raciocinar com ele, deu ânimo a Sun Xiaoyan.

Deixou-se cair de uma vez no chão e pôs-se a uivar e a lamentar-se: —Ai, ai, estou a morrer, não consigo mover-me...

Tinha o ar de um porco morto que não teme água a ferver. Anda, mata-me à pancada se puderes.

De pé, era um montículo; deitado, continuava a ser um montículo. As suas proporções estavam muito bem distribuídas.

—É tão difícil assim emagrecer um pouco? —perguntou Sun Xiaoman.

Para o ajudar a emagrecer, Sun Xiaoman obrigara-o a correr até aqui apenas com a força do próprio corpo. Todos os outros tinham talismãs de marcha rápida e afins para usar à vontade: podiam ir embora quando quisessem, descansar quando quisessem.

Sun Xiaoyan encheu-se de um pesar indignado: —O meu peso foi-me dado pelo céu!

—Não há gordo natural; só gordo preguiçoso!

Inadvertidamente... era bastante inspirador.

Mas Sun Xiaoyan não se comoveu. Chegou a fechar os seus já pequenos olhos com aquele ar de "não oiço, não oiço, simplesmente não oiço".

—Estás redondo como uma bola. Quando chegar a hora de entrares em campo, não vais envergonhar a nossa cidade de Sanshan?

—Todos nos chamam selvagens da montanha! Que honra é que a cidade de Sanshan tem?!

Sun Xiaoman franziu os lábios e não disse mais nada.

Um alarme sacudiu o coração de Sun Xiaoyan. No instante seguinte voltou a abrir os olhos e olhou para a irmã com um ar de pena súplica: —És a minha irmã mais velha de carne e osso. Onde está escrito que uma irmã mais velha pode ser tão cruel com o irmãozinho? E ainda por cima sou tão pequeno, sou só uma criança!

Além disso, como se diz, a irmã mais velha é como uma mãe, e mãe compassiva, filho obediente. Sê boa comigo agora, e eu serei bom contigo depois — todos ficaremos contentes juntos. Não é essa a própria alegria?

Continuava a argumentar, com uma lógica muito clara.

—Todos dizem que para educar uma criança se bate com o pau numa mão e se oferece uma tâmara na outra. Contigo não vi mais nada senão o pau — nem sequer o caroço da tâmara!

Quanto mais Sun Xiaoyan falava, mais agravado se sentia, até que por fim rompeu mesmo em choro convulsivo.

—Ah. —Sun Xiaoman olhou para ele com grande desamparo, batendo-lhe suavemente no peito, com um gesto muito terno—. A tua irmã é irmã pela primeira vez, e fê-lo mal...

E no mesmo fôlego agarrou-lhe o colarinho da roupa e levantou o corpo inteiro dele da postura caída. —Então levanta-te e bate-me!!!

Fê-lo sair a voar com um soco, rugindo: —Não podes comportar-te como um homem? Tanto choramingar e soluçar!

Os outros que acompanhavam da cidade de Sanshan apenas observavam a cena em silêncio, encolhendo o pescoço, sem se atreverem a intervir.

Sun Xiaoyan girou e tombou no ar, e assim que tocou no chão, sem dizer palavra, disparou a correr de novo a toda a velocidade — porque embora não pudesse morrer à pancada, apanhar doía imenso!

Não havia outro remédio. A correr.

Mais à frente... mais à frente era a cidade de Fenglin, não era? Quanto falta...? Quanto falta!

Buuu...

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