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Capítulo 44: Fugindo Desesperados

Da Feng Da Geng Ren·Capítulo 45 de 54·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-20 00:29

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Os irmãos saíram correndo do Santuário do Segundo Sábio e não se ativeram a tomar a estrada principal. Cortaram por um caminho lateral na direção do bosque e correram por um longo tempo antes de finalmente parar.

Xu Qian respirava normalmente, enquanto Xu Xinnian se apoiava em um pinheiro, ofegando. O exercício intenso havia trazido um rubor pálido e encantador ao seu rosto branco.

"O que fazemos agora?" Xu Qian decidiu consultar seu irmão mais novo "metódico" e, ao mesmo tempo, testá-lo: "Posso considerar que acabei de resolver um dilema de duzentos anos para a academia?"

Ele não esperava que aquela frase solta tivesse provocado um fenômeno tão terrível, nem sabia quais seriam as consequências. Por isso, seguindo o instinto, correra atrás de Xu Xinnian.

Xu Xinnian ofegava enquanto se recompunha, dizendo com um sorriso orgulhoso: "No máximo duzentos anos."

Xu Qian tirai o odre de água e entregou.

Xu Xinnian pegou, bebeu um gole e continuou: "Se fosse eu quando entrei na academia, diria para ficar e colher a gratidão dos professores e estudantes."

"Mas agora, só quero te tirar daqui o mais rápido possível." Devolveu o odre. Ao ver que o primo não demonstrava nenhuma dúvida, ficou simultaneamente desapreciado e admirado.

Admirado porque seu primo tinha bom senso, diferente do pai. Isso dava a Xu Xinnian, que se considerava superior, uma satisfação sincera.

Desapreciado porque não podia impressionar o primo e demonstrar sua superioridade intelectual.

Sim — mesmo depois que seu primo produzira poemas impressionantes repetidamente, mesmo depois que tivesse escrito aquela frase capaz de partir montanhas... Xu Xinnian ainda acreditava que seu QI era superior.

Sem essa mentalidade, ele jamais teria escrito: *"Se não fosse por mim, Xu Xinnian, Da Feng seria uma noite eterna."*

Os dois se moveram rapidamente pelo bosque, avançando na direção das estrebarias.

Era o melhor momento para ir embora sem dizer nada.

Se Xu Qian ficasse, o que o esperaria seria a gratidão da Academia do Cervo Branco, talvez até o título de Grande Mestre Confuciano — embora isso fosse improvável.

Essa era a boa notícia.

A má notícia era igualmente óbvia: a Academia do Cervo Branco e a Academia Imperial disputavam a ortodoxia confuciana. Ao aceitar a gratidão da primeira, Xu Qian atrairia inevitavelmente a hostilidade de todos os estudiosos formados pela segunda.

*Todos os altos cargos vestindo roxo e vermelho são produtos da Academia Imperial.*

O caso da prata dos impostos já causara problemas infinitos. E isso era mais perigoso e complicado do que cem casos daquela natureza.

*Cijiu pensa igual a mim.* Xu Qian sorriu: "Cijiu, você é um cãozinho astuto."

Muito bem. Er Lang não era um estudioso inflexível — talvez fosse efeito da leitura dos livros de estratégia militar.

"Bronco." Xu Xinnian revidou e acrescentou: "Enquanto nos formos embora, a academia não vai divulgar o que aconteceu. Vão manter segredo."

Cessou de falar, avançando em silêncio, os olhos perdidos em pensamento.

...

A grande praça diante do Santuário do Sábio.

Zhao Shou — vestido de linho, cabelos brancos entremeados — fez um gesto inesperado. Virou-se abruptamente e lançou o olhar para trás da academia.

Alguns segundos depois, os três Grandes Mestros repetiram o movimento, os rostos graves, contemplando a distância.

A Princesa Real sentiu-se confusa e, por instinto, seguiu a direção do olhar deles. O céu estava limpo, o sol brilhando. Nada havia de anormal.

Mas no instante seguinte, uma coluna visível de qi puro disparou para o alto, perfurando as nuvens. As pesadas nuvens brancas que cobriam a Montanha Clear Cloud se desfizeram diante dos olhos de todos.

Zhao Shou desapareceu primeiro. Os três Grandes Mestros em seguida utilizaram o poder sobrenatural de "palavras feitas realidade", deslocando-se três pés por vez até os fundos da academia.

A Princesa Real franziu o cenho, ergueu as barras da saia e seguiu com passos rápidos e elegantes. Seu corpo esguio e curvilíneo movia-se com uma graça indescritível — como um espírito da montanha, uma fada visitando o mundo mortal.

...

O interior do Santuário do Segundo Sábio. Velas tombadas, cera derretida escorrendo em fios densos pelo chão.

No vasto salão, o qi puro ondulava como uma brisa de primavera, e a silhueta de Zhao Shou surgiu de entre as ondas. Seus olhos percorreram cada canto do recinto antes de se fixarem na estela de Cheng — a do Segundo Sábio — agora rachada de ponta a ponta.

*Isso...*

Nos olhos (normalmente serenos como um poço antigo) do reitor, uma tempestade se ergueu. Ao mesmo tempo, sua mente analisou rapidamente a causa da explosão de qi.

A estela que comprimia o santuário havia se rachado. O qi vasto e nobre da Academia do Cervo Branco, antes contido, agora transbordava livremente — e foi isso que causou a cena que todos testemunharam.

Mas como a estela do Segundo Sábio Cheng poderia rachar do nada?

Logo o reitor Zhao Shou compreendeu. Seus olhos foram atraídos para a estela que ele próprio havia colocado no salão, há décadas. Ao ler o que estava inscrito ali, sentiu o mundo inteiro desvanecer — tudo se apagando, tudo se dissolvendo — restando apenas aquelas linhas toscas, gravadas como ferro em brasa em suas pupilas.

Gravadas no fundo de seu coração.

Tornando-se a única coisa real em seu mundo.

Enquanto o qi brando continuava a ondular, os três Grandes Mestros materializaram no salão. Seus olhos varreram o recinto.

Ao verem a estela de Cheng rachada, as pupilas dos três se contraíram involuntariamente.

*Como pôde rachar?* Não — era uma boa notícia. Significava que o selo que reprimia a sorte da Academia do Cervo Branco havia se abalado. Enquanto Li Mubai refletia, percebeu que o estado do reitor era estranho.

Zhao Shou estava completamente absorto em outro mundo, a alma fora do corpo.

*A estela rachou — numa época em que nenhum Segundo Sábio anda solto, alguém conseguiu abalar a estela de Cheng.* Zhang Shen e Chen Tai trocaram um olhar em que se liam choque e perplexidade.

Em seguida, assim como Li Mubai, perceberam a anormalidade do reitor.

*"Para estabelecer o coração do Céu e da Terra, para assegurar o destino do povo vivente, para dar continuidade aos ensinamentos perdidos dos sábios do passado, e para trazer paz a todas as gerações futuras..."* Zhang Shen murmurou as palavras.

Estava completamente dominado pelo ânimo, pela dignidade e pela ambição contidos naquela única frase. Arrepios brotaram por todo seu corpo, e o sangue em seu peito pareceu ferver.

*"Isso é o que um estudioso deveria realmente fazer."* Os lábios de Chen Tai tremiam. "Ao governar, deveria servir ao povo, à nação, a todo o mundo — não a uma só dinastia, não a uma minoria privilegiada."

O Grande Mestre, reputado por possuir talento para governar uma nação, tremeu todo, a voz rouca: "Iluminação. Uma verdadeira iluminação..."

Li Mubai inspirou fundo e se serenou: "Quem escreveu isso?"

Os três olharam para o reitor Zhao Shou. O reitor passara mais de uma década em reclusão, tentando refutar o confucionismo de Cheng por meios intelectuais. Se alguém pudesse criar uma nova escola de pensamento, era ele.

Mas o reitor estivera com eles o tempo todo — e sua postura atual dizia tudo.

A resposta foi o silêncio. Depois de um longo tempo, Zhao Shou falou baixo: "Saiam primeiro. Conversaremos sobre isso depois."

E acrescentou: "Um cavalheiro cala-se."

Os três Grandes Mestros fizeram uma reverência e saíram juntos.

As portas se fecharam. O silêncio reinou. Zhao Shou ficou de pé diante da estela, as janelas de grades ao fundo, raios de sol penetrando em manchas douradas.

Passou muito tempo. Então ajeitou as roupas e fez uma reverência profunda à inscrição — a reverência de um discípulo ao seu mestre.

*"Ouvir a verdade pela manhã e morrer contente à noite."*

...

A Princesa Real, erguendo as barras da saia, finalmente chegou diante do Santuário do Segundo Sábio — mas viu que uma camada de qi, como uma tigela invertida, envolvia o edifício e o isolava do mundo exterior.

Não se apressou. Permaneceu calma nos degraus, serena como uma flor em plena floração.

Os três Grandes Mestros saíram pouco depois, os rostos sérios, impossível dizer se a notícia era boa ou má.

"Senhores, seria possível saber o que aconteceu?" A Princesa Real olhou na direção do santuário.

"Alteza, por favor não pergunte." Chen Tai fez uma reverência. "Esse assunto — nós mesmos ainda não conseguimos apreendê-lo por completo."

A Princesa Real sorriu, o semblante regal e imperturbável como sempre.

Despediu-se dos três Grandes Mestros e caminhou sozinha na direção de sua pava. O vento da montanha agitava suas fitas de seda — parecia um espírito das montanhas, uma fada que descesse ao mundo mortal por prazer.

Duas fileiras de soldados armados e em armadura ainda montavam guarda na frente da pava, como estátuas silenciosas.

Essa unidade de vinte e quatro guardas da Espada Imperial era sua escolta pessoal. Lá embaixo, sete Guardiões da Noite aguardavam.

Mas a academia desprezava Wei Yuan e não permitia a presença dos Guardiões da Noche no monte.

A Princesa Real desceu com sua escolta e encontrou os sete Guardiões da Noite esperando à beira da estrada. Sua voz clara e doce: "Uma coluna de qi puro disparou do alto da Academia do Cervo Branco. O Santuário do Segundo Sábio foi lacrado. Informem Lord Wei. Diga-lhe para observar a academia de perto e apurar o que aconteceu."

"Sim!" Os Guardiões da Noite apertaram os punhos.

A Princesa Real continuou: "Investiguem uma pessoa para mim. Xu Qian, oficial do escritório do condado de Changle."

"Conforme ordenado."

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