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Capítulo 124: Mo Fengwu

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 124 de 135·~8 min de leitura

Atualizado: 2026-08-20 14:10

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"Minhas irmãs não precisam tomar este remédio. Minha própria vida não basta como garantia?" Yan Shi disse, segurando o pequeno frasco de porcelana com firmeza entre os dedos.

Sem hesitar, ela derramou uma única pílula verde-jade na palma, observou-a por um instante e a engoliu a seco, sem água. Quando a Segunda Senhora Li, trêmula, tentou pegar outra para si, Yan Shi a impediu com um gesto seco e protetor.

Han Li observou a cena com uma surpresa que mal chegou a assomar aos olhos. Esperava súplicas, barganhas, talvez lágrimas. Não esperava aquela decisão tão limpa, nem que, no mesmo ato, Yan Shi protegesse suas irmãs juradas.

Após um breve silêncio, assentiu levemente.

"Se a Quarta Senhora fala de irmandade com tanta sinceridade, não serei eu quem faltará com a razão", disse com calma. "Muito bem. As demais senhoras não precisam tomá-la."

Avançou um passo, recuperou o frasco dos dedos de Yan Shi e guardou-o novamente entre as dobras da roupa. O movimento foi despreocupado, mas seu olhar não se desprendeu dela, como se quisesse gravar aquela firmeza na memória.

"Então o assunto está encerrado", prosseguiu Han Li. "Despeço-me por hoje. Amanhã, a esta mesma hora, retornarei à Residência Mo para recolher o retrato e os demais itens. Depois partirei diretamente para a Montanha do Dominador."

"Ficamos em suas mãos, jovem senhor", respondeu Yan Shi, pondo-se de pé. As outras senhoras a imitaram, inclinando a cabeça enquanto ele se virava para partir.

Han Li esboçou um sorriso tênue e distante, girou com desenvoltura e abandonou a pequena sala do andar superior. Seus passos desceram a escada de madeira em ritmo uniforme, como se não acabasse de deixar um veneno no ventre da mulher que sustentava a Sociedade do Dragão Aterrorizado.

Mal havia posto o pé fora do pavilhão quando passos apressados soaram às suas costas.

"Irmão Mais Velho Han, espere! Minha segunda irmã quer falar com você!"

Era Mo Caihuan, a pequena travessa e incontida, gritando a plenos pulmões. Han Li suspirou para dentro, mas não teve escolha senão voltar-se.

A menina vinha correndo a toda velocidade, com as bochechas acesas e a saia agitada. Atrás, a um passo muito mais comedido, surgiam duas silhuetas: Mo Fengwu e Mo Yuzhu. Três contrastes em si mesmas — a faísca, a suavidade e o gelo — avançando juntas em sua direção.

Mo Caihuan plantou-se diante de Han Li e, sem pedir licença, começou a girar ao seu redor, com os olhos bem abertos e as mãos na cintura, emitindo pequenos estalos de espanto exagerado, como se examinasse uma besta rara numa feira.

"Ora, Irmão Mais Velho Han, como sabe fingir! Você me enganou direitinho! Eu pensava que era um cavalheiro honesto! No fim, também é um falsificado, que com bugigangas nos faz girar a todos!"

Han Li lançou-lhe um olhar plano.

Bugigangas? Quase riu. Fora ela quem, no primeiro encontro, lhe exigira um presente até arrancar-lhe o sachê de Pílulas de Fragrância Persistente. Agora falava como se ele tivesse tramado enganá-la.

"Terceira Irmã, não seja mal-educada. Não importune o jovem senhor Han", interveio então uma voz que ele ainda não ouvira.

Era Mo Fengwu.

Sua voz era suave, de uma doçura acolchoada que caía muito agradável ao ouvido. Han Li voltou-se para ela e compreendeu no mesmo instante por que, mesmo entre três irmãs belas, era ela quem deixava a marca mais profunda. Vestia um simples traje amarelo, limpo e sem adornos, sua postura era recolhida, e ao cruzar o olhar com ele, um leve rubor lhe tingiu o rosto.

"Mal-educada? Só estou defendendo mãe e as tias! Olha que ar de soberba ele tinha diante delas!" protestou Mo Caihuan, embora seu ímpeto se desinflasse sob a suave repreensão da irmã.

Han Li, dando por perdida a discussão com a pequena, dirigiu-se com cortesia a Mo Fengwu.

"A Segunda Senhorita desejava dizer-me algo?"

O rubor de Mo Fengwu intensificou-se um pouco, mas ela não desviou o olhar. Uniu as mangas diante de si e falou com serena sinceridade.

"Jovem senhor, só queria perguntar... a Pílula de Fragrância Persistente que minha terceira irmã carrega é realmente um presente seu? E o senhor recebeu de fato a transmissão autêntica da medicina de meu pai?"

A pergunta era tímida, quase pedindo desculpas por existir, mas em seus olhos brilhava uma esperança que não conseguia ocultar.

Ao vê-la, Han Li sentiu uma simpatia inesperada. Desde que pusera os pés na Residência Mo, a doçura de Mo Fengwu lhe parecera muito mais atraente que a travessura de Mo Caihuan ou a frieza de Mo Yuzhu. Que o interpelasse com aquela timidez sincera só aumentou sua boa disposição.

Respondeu com uma paciência pouco habitual nele.

"A Segunda Senhorita pode perguntar sem reservas; responderei com franqueza", disse. "A Pílula de Fragrância Persistente que a jovem Caihuan carrega sim foi presente meu. E certamente aprendi com o Doutor Mo boa parte de sua medicina e muitas de suas receitas; essa pílula é uma delas. Por acaso a Segunda Senhorita compartilha esse interesse?"

Desde que atravessara o pátio dos fundos e vira os canteiros de ervas medicinais, cuidados com evidente perícia, Han Li suspeitara que alguém na Residência Mo havia herdado o saber do Doutor Mo. A pergunta de Mo Fengwu apenas confirmava sua conjectura: a suave segunda filha diante dele era a herdeira.

Um lampejo de alegria iluminou os olhos habitualmente tranquilos de Mo Fengwu.

"Não se engana, jovem senhor", disse com presteza. "Desde pequena me fascina o caminho da medicina de meu pai. Estudei os livros e as notas manuscritas que deixou, refletindo longamente sobre eles. Mas quando pai deixou a residência, eu ainda era muito pequena, e o que pude conservar foi dolorosamente escasso."

Hesitou então, apertando levemente as mangas, como se lutasse contra o decoro.

"Por isso tenho um pedido, talvez presunçoso, e espero que o jovem senhor possa concedê-lo. Poderia copiar para mim as reflexões médicas e as receitas de meu pai, para que eu possa estudar mais e aperfeiçoar minha humilde arte?"

Ao terminar, suas bochechas se acenderam de vergonha e ela baixou o olhar, visivelmente constrangida por pedir algo tão valioso a alguém que mal conhecia.

Han Li não precisou pensar.

"Claro", aquiesceu de imediato, com tom caloroso. "Quando vier amanhã à residência, trarei vários manuscritos e rolos de receitas do Doutor Mo para a Segunda Senhorita. Na verdade, são pertences da família Mo por direito. Pensava em confiá-los à Quarta Senhora de todo modo. Se a Segunda Senhorita os deseja, entregá-los a você dá no mesmo."

A gratidão iluminou o rosto de Mo Fengwu.

"Obrigada por sua generosidade, jovem senhor! Não sei como agradecer!"

"Agradecer? Para quê?" intrometeu-se Mo Caihuan, piscando e aproveitando para contrariar. "Você não ouviu ele dizer que essas coisas já eram nossas? É justo que as devolva!"

Han Li lançou-lhe um olhar de soslaio e pensou: Se não fosse por sua irmã, tão gentil e merecedora, acha que eu devolveria tão facilmente o que já caiu em minhas mãos? Pode sonhar.

"Terceira Irmã, não diga bobagens", repreendeu Mo Fengwu em voz baixa, puxando suavemente sua manga. "Que o jovem senhor Han esteja disposto a devolver sem hesitar as relíquias de pai diz muito de seu caráter."

Talvez percebendo a fricção que crescia entre Han Li e a caçula, Mo Fengwu tomou a mão de Mo Caihuan, dedicou a Han Li uma elegante reverência e despediu-se, levando a irmã de volta para a residência.

Durante toda a troca, Mo Yuzhu, a filha mais velha, não pronunciara uma única palavra. Agora, enquanto as irmãs se afastavam, finalmente se moveu. Olhou para Han Li — um olhar longo, profundo, indecifrável — e depois virou-se para segui-las sem dizer nada.

Han Li ficou só no pátio, levemente desconcertado.

"O que aquele olhar queria dizer? Gratidão? Ressentimento? Ambos?" murmurou para si.

Deu de ombros após um momento e deixou o pensamento de lado. Havia assuntos mais urgentes que decifrar o humor das jovens.

Deixou a Residência Mo e voltou para a estalagem.

Ao chegar à sua modesta hospedagem, dois homens já aguardavam diante de sua porta, de pé em respeitosa espera ao lado da figura imóvel e colossal de Qu Hun. Um era seu recente ajudante, Sun Ergou, com o rosto resplandecente de satisfação. O outro era um desconhecido.

Han Li saudou Sun Ergou com um breve gesto, empurrou a porta e entrou. Os dois homens o seguiram imediatamente, posicionando-se de ambos os lados do cômodo com a cabeça baixa.

Só depois de se sentar, Han Li examinou com atenção o recém-chegado: um homem corpulento de cerca de trinta anos, de queixo largo e semblante feroz, marcado por brigas.

"A julgar por esse brilho em seu rosto, já ocupou o assento de líder da Gangue das Quatro Pazes, suponho", disse Han Li com leveza a Sun Ergou.

"Sim! Sim! E tudo graças ao apoio singular do jovem senhor! Sem o senhor, como alguém de tão escassa virtude como eu poderia ter alcançado tal altura!" Sun Ergou radiante, assentindo sem parar, incapaz de conter seu júbilo.

"Lembre-se disso", disse Han Li com frieza. "Não me intrometerei nos assuntos cotidianos da Gangue das Quatro Pazes. Mas as tarefas que lhe confiar devem ser cumpridas a fundo com a força da Gangue. Se falhar, não hesitarei em substituí-lo por outro líder."

As palavras, ditas naquele tom chão, apagaram a suficiência do rosto de Sun Ergou num instante. Um calafrio percorreu-lhe as costas e devolveu-o à sobriedade.

"Este humilde servo entregará corpo e alma aos assuntos do jovem senhor! Mesmo que me custe a vida, os cumprirei!" apressou-se a adotar um ar de lealdade absoluta.

Han Li emitiu um murmúrio ambíguo e dirigiu o olhar ao corpulento desconhecido.

"Então você é quem ouviu a conversa dos imortais?" perguntou com aberta curiosidade.

"Sim, jovem senhor. Sou Xi Tieniu. Eu ouvi", respondeu o homem com respeito.

Por mais rude que parecesse, Xi Tieniu não era tolo. Compreendia perfeitamente que o jovem de aparência comum diante dele era o poder por trás da súbita ascensão de Sun Ergou, e não ousava mostrar o menor descuido.

Han Li assentiu, satisfeito. Um subordinado astuto era sempre mais fácil de usar.

"Conte-me novamente, do princípio ao fim, o que viu e ouviu naquele dia do homem e da mulher imortais. Se me satisfizer, farei de você o segundo no comando de Sun Ergou, vice-líder da Gangue das Quatro Pazes", prometeu Han Li. Sabia bem que só uma recompensa generosa poderia mover de verdade os homens a se arriscarem.

Os olhos de Xi Tieniu iluminaram-se de entusiasmo e ele bateu no peito com solene juramento de agradá-lo.

Sun Ergou, ao lado, sentiu uma pontada de ciúme reticente ante a oferta, mas não ousou deixar que se refletisse em seu rosto.

Uma vez recomposto, Xi Tieniu relatou seu encontro com cuidado, cada palavra medida, cada pausa deliberada.

Sua versão coincidia com o relato prévio de Sun Ergou no essencial — o casal imortal, suas montarias voadoras, sua conversa de outro mundo — mas diferia em muitos pequenos detalhes, como seria de esperar de um testemunho honesto. Não havia contradições gritantes nem invenções óbvias.

Quando terminou, Han Li inclinou-se levemente para frente, com expressão mais grave que antes.

"Aqueles dois imortais mencionaram algum momento ou lugar concreto?" perguntou. Era a pergunta que mais lhe importava.

O que achou deste capítulo?

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