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Capítulo 4: O Penhasco de Refinamento de Ossos

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 4 de 33·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-08 07:29

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O Mestre do Salão Yue ergueu a voz para que todos os meninos pudessem ouvi-lo. «Escutem com atenção. Sigam o caminho que atravessa o bosque de bambus e ele os levará ao Penhasco de Refinamento de Ossos da Seita dos Sete Mistérios. O primeiro trecho é o bosque de bambus; depois vem a zona das rochas, e no fim há um penhasco. Somente aqueles que chegarem ao topo serão admitidos na seita. Os que não alcançarem a cúpula antes do meio-dia não se tornarão discípulos plenos, mas, se sua atuação mostrar algo digno de nota, poderão ser aceitos como discípulos registrados.»

Han Li, naturalmente, não fazia a mínima ideia do que era um «discípulo registrado». Tudo o que compreendia era que precisava continuar andando e que tinha de subir uma montanha. Apertou os olhos. A encosta diante deles não parecia muito íngreme, e nela cresciam muitos colmos de bambu de espessuras variadas. Com certeza não seria tão difícil de escalar!

Han Li olhou para os outros meninos. Não tinha o menor desejo de perder para os de sua idade, e percebeu que o clima entre eles também ficava tenso.

O Mestre do Salão Yue observou o sol nascente. «Já é hora. Preparem-se para partir! Não tenham medo: os irmãos mais velhos cuidarão de vocês por trás. Vocês não correrão perigo algum.»

Han Li se virou para olhar os rapazes que vinham atrás. Então a essas pessoas se chamava de «irmãos mais velhos». Provavelmente eram discípulos admitidos em anos anteriores. Se ele também entrasse na seita, será que poderia usar roupas igualmente orgulhosas e impressionantes?

Enquanto se perdia nesses pensamentos, Han Li percebeu que os outros meninos já avançavam rumo ao bosque de bambus. Vendo isso, apressou-se a segui-los.

O bosque acabou se revelando enorme. Os trinta e tantos meninos se dispersaram no instante em que entraram. Colado em Han Li ia um irmão mais velho alto e magro, com o rosto frio e imóvel, que o seguia em silêncio sem dizer uma palavra. Han Li sentia um pouco de medo dele e não ousava travar conversa. Limitou-se a erguer os pés, inclinar o corpo e avançar com passos firmes morro acima.

Esse bosque de bambus não parecia grande coisa, mas quanto mais se caminhava por ele, mais exaustivo ficava. As pernas ficavam cada vez mais pesadas, até que no fim Han Li teve de se apoiar de vez em quando num colmo de bambu para se arrastar adiante, na esperança de poupar um pouco de força.

Continuou se esforçando teimosamente por um bom tempo, mas no fim seus membros se renderam por completo. Caiu sentado sobre um montículo de terra, arfando para recuperar o fôlego.

Enquanto recuperava o fôlego, Han Li lançou um olhar furtivo para trás. Lá estava o irmão mais velho, alto e magro. Embora o terreno estivesse muito inclinado, o homem permanecia completamente imóvel, sem uma partícula de poeira, tão ereto e firme quanto o próprio bambu. Estava bem próximo, observando-o em silêncio de um ponto logo abaixo.

Havia algo inquietante naquele olhar frio. Han Li desviou a vista apressadamente. Então ouviu uma respiração ofegante vinda de adiante, o que lhe indicou que os que haviam escalado mais depressa também faziam pausas para descansar. Permaneceu onde estava por mais um pouco e, com pressa, voltou a subir.

A ladeira ficou ainda mais íngreme, e a força de Han Li se esvaiu cada vez mais. Temendo não conseguir mais ficar em pé, teve de se dobrar pela cintura e subir de quatro. Pelo menos suas roupas eram resistentes, ou os lados dos braços e as articulações dos joelhos teriam se gastado.

Por fim se aproximava do fim do bambuzal denso, mas aquele último trecho se mostrava cada vez mais difícil. O chão ficava mais rochoso a cada passo, enquanto os bambus rareavam até quase desaparecer.

Finalmente, Han Li já não conseguia avançar se segurando nos colmos de bambu. O último pedaço do trajeto teve de ser percorrido rastejando, centímetro a centímetro.

No instante em que saiu do bosque, uma vasta vista se abriu diante dele. À frente se erguia uma rocha enorme, sobre a qual já subiam lentamente algumas figuras pequenas e magras. Cada uma delas era seguida por um irmão mais velho com o mesmo uniforme. Han Li não hesitou. Correu direto para a grande parede de rocha diante dele.

A superfície daquela rocha gigante era feita de camada sobre camada de pedra acumulada, muito intemperizada. Em alguns pontos desmoronava ao menor toque. Havia também muitas lascas afiadas de pedra salientes, cortantes como lâminas. No tempo de comer uma refeição, as mãos e os braços de Han Li já estavam cobertos de cortes. As mangas e os joelhos das calças estavam rasgados, e a pele e a carne por baixo tinham sofrido mais arranhões do que ele podia contar. Embora as feridas fossem pequenas, finas partículas de pedregulho haviam se alojado nelas, tornando a dor ainda mais viva.

Os escaladores da frente já haviam se distanciado muito. Han Li pensou em sua família, nas palavras que seus pais e o Terceiro Tio Han lhe disseram antes de partir, e só pôde apertar os dentes no coração mais uma vez, e subir com esforço renovado.

Antes de sair de casa, seu pai e o Terceiro Tio Han o haviam avisado que a prova de admissão seria dura, e que, se não aguentasse até o fim, não havia jeito de jamais entrar na Seita dos Sete Mistérios. Naquele momento, a Han Li já não importava em absoluto entrar ou não na seita. Um fogo feroz e teimoso se acendera em seu peito; um sopro de rebeldia lhe ficara entalado na garganta, e ele estava decidido, custasse o que custasse, a alcançar os outros.

Erguendo a cabeça com esforço, apertou os olhos para a frente. O que escalava agora na liderança era Wu Yan. Afinal, Wu Yan era mais de um ano mais velho que Han Li e também praticara um pouco de artes marciais. Seu corpo era muito mais forte que o dos outros meninos. Que ele assumisse a liderança não era surpresa alguma.

Han Li percorreu mais uma vez com o olhar o terreno que ficava atrás. Ainda havia muitas figuras se movendo ao longe e, respirando fundo, apressou novamente o passo.

Colocou na escalada a última gota de sua força e, ainda assim, não conseguiu se aproximar dos que iam à frente. Seu corpo ficava cada vez mais pesado. Via o sol subir lentamente em direção ao centro do céu, e a essa altura Wu Yan já havia escalado até o topo da grande rocha.

Ali se erguia um penhasco vertical e íngreme, com mais de trinta zhang de altura. De seu cume pendiam mais de uma dúzia de cordas de cânhamo, cada uma com nós do tamanho de um punho ao longo de toda a sua extensão. Wu Yan já se montara sobre uma dessas cordas e subia devagar, passo a passo, rumo ao topo.

Han Li contemplou Wu Yan lá à frente e sentiu o ânimo cair-lhe aos pés. Sabia que jamais alcançaria os condutores da frente, e também não lhe restava mais tempo.

No instante em que esse pensamento cruzou sua mente, as feridas nos cotovelos e nos joelhos se acenderam de uma vez num ardor doloroso. Seus membros amoleceram. A mão que segurava a rocha tremeu, e de repente todo o corpo escorregava para baixo. O coração de Han Li disparou de susto. Apertou o peito contra a parede de rocha e não ousou mover um músculo.

Depois de um tempo, o pânico se dissipou. Estendeu a mão para segurar uma saliência de pedra, puxou-a algumas vezes, descobriu que era bastante firme, e só então se permitiu sentir alívio.

Han Li virou a cabeça instintivamente. Viu o irmão mais velho de trás, agachado, com os braços abertos, numa postura de proteção caso caísse. Somente quando Han Li voltou a estar em segurança o homem endireitou lentamente o corpo.

Uma onda de gratidão subiu-lhe pelo peito. Se de fato tivesse caído, todo o esforço conquistado a tanto suor teria sido em vão! Então descansou um momento, e voltou a avançar devagar, rumo às grossas cordas de cânhamo penduradas no penhasco.

Por fim chegou a uma corda livre. O sol quase alcançara o centro exato do céu, e faltava menos de meia hora para o meio-dia. Nessa altura Wu Yan já subira ao cume e ficava olhando para baixo. No exato momento em que Han Li chegou à base da corda, cruzou os olhos com Wu Yan. Wu Yan ergueu um braço, esticou o dedo mínimo e fez um gesto de zombaria para os escaladores lá embaixo. Depois, num rompante de gargalhadas, virou-se e foi embora.

Um lampejo de raiva inflamou o peito de Han Li. Pegou a corda e começou a subir.

Mas o corpo de Han Li já não guardava um pingo de força. Ele mal conseguia se segurar nos nós.

Quando, após grande esforço, conseguiu içar o corpo até o último nó da corda e se sentar sobre ele, sentiu todo o corpo mole e sem forças, como se não pudesse mover um dedo. Esforçando-se para virar a cabeça, viu meninos ainda sentados na parede de rocha, arfando em grandes baforadas, claramente tendo gasto a última energia assim como ele.

Han Li só pôde rir com amargura para si mesmo. Subestimara demais aquela prova. Ao menos não ficara no último lugar. Virou a cabeça e mais uma vez avistou aquele irmão mais velho de rosto frio. Han Li hesitou por um instante e então resolveu reunir forças e subir um pouco mais. Embora fosse impossível chegar ao topo antes do meio-dia, não seria uma vergonha terrível ficar imóvel ali?

Han Li esticou os braços rígidos e, reunindo a pouca força que se recuperara, foi-se empurrando para cima ao longo dos nós. Mas a essa altura suas mãos deixaram de obedecê-lo por completo. Não conseguiam nem segurar a corda. Revolveu-se por um bom tempo e, ainda assim, não avançou nada.

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