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Chapter 43: All Things in Readiness

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 43 de 57·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-12 02:35

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Neste mesmo lapso de dias, um grande assunto havia tido lugar dentro da Seita dos Sete Mistérios.

"O Irmão Mais Velho Li", o ídolo da geração mais jovem de discípulos, dera mostras de um estado de alerta muito acima do comum dos homens. No mesmo instante descobrira a conspiração de dois espiões que a Gangue do Lobo Selvagem infiltrara na seita, os quais andavam atrás da lista daqueles discípulos designados para descer a montanha em seu exercício. E junto com uma dúzia ou mais de seus irmãos discípulos capturara vivos os dois homens. Era um serviço meritório de não pouca monta.

Uns dias depois, o Grande Líder do Seita conferiu a Li Feiyu, em presença de uma grande multidão de discípulos, o cargo de Protetor, com o qual ele entrou formalmente nos conselhos médios da Seita dos Sete Mistérios. Não pequena agitação provocou isto, e a fama de Li Feiyu se engrandeceu ainda mais.

De tudo isso, Han Li nada sabia. Achava-se encerrado dentro de sua cabana de madeira selada, entregue a seu particular treinamento. Salvo que de tempos em tempos saía às cozinhas para buscar alguma vianda, não tratara com homem algum havia muitos dias, e assim não podia deixar de ignorar o fulgor que seu amigo conquistara.

Passou o verão e voltou o outono; o tempo voava como uma lançadeira. E por fim chegou o dia que se erguia nas vésperas do encontro acordado.

Na mata de espinhos ao pé do barranco, uma figura de estranheza sobrenatural ia e vinha entre os ramos espinhosos, todos eriçados de farpas afiadas, ora desaparecendo, ora aparecendo. Aquelas perigosas farpas não lhe opunham obstáculo algum; mas como um fio de fumaça azul ele se deslizava através de uma após outra daquelas redes tecidas de sarças, ora aparecendo perto, ora surgindo mais longe, e todo o trânsito ocorria em silêncio absoluto, como se não fosse coisa de carne e sangue, mas um corpo sem forma.

Por fim aquela figura se deteve sobre o tronco de uma árvore, e se manteve em pé sobre o ramo, olhando para longe. Não era outro senão Han Li, cuja formação já dera algum fruto.

Suas roupas para então estavam rotas e esfarrapadas, para além de todo remédio, até deixar à mostra a pele e a carne. O cabelo lhe pendia solto e emaranhado; o rosto tinha listras pretas aqui e brancas ali, até já não se poder discernir seus verdadeiros traços. E o mais assombroso de tudo: no pescoço, na cintura, nos braços, nas coxas e nos tornozelos lhe pendia um sino de ferro.

Note-se apenas esses sinos de ferro, e lembre-se de como Han Li cruzara a mata como um espectro; e não será difícil adivinhar quão sobrenatural fora aquele movimento do momento passado.

Permaneceu imóvel, olhando na direção do Vale das Mãos Espirituais, e murmurou para si:

—A hora é justa. Por fim, neste mesmo último dia, aperfeiçoei o Passo da Fumaça Errante. Com ele em mãos, levo uma medida a mais de segurança para minha própria defesa.

Embora o gesto de seu rosto não pudesse ser visto com clareza, a alegria de seus olhos transbordava sem recato.

Depois de meses de estudo e amargo exercício, Han Li dominara várias artes ocultas de não pouco poder, e não estava isento de certa confiança nelas. Ainda quando não pudesse esperar igualar a insondável destreza do Doutor Mo, para sua própria proteção abrigava uma razoável esperança.

Uma brisa passou, e Han Li sentiu um arrepio sobre a pele. Olhou para baixo seu "vestido de buracos", e ao imaginar a figura que devia apresentar agora, não pôde impedir que se lhe deslizasse um sorriso amargo pelo coração.

Ao voltar a vista sobre a prática do Passo da Fumaça Errante, sentia ainda mais de um resto de pavor. Treinar a agilidade dentro de uma mata de espinhos era um passatempo digno de custar a alguém a vida. Pois no princípio, sendo sua forma ainda nova e insegura, não podia senão ser ferido e rasgado de cabeça aos pés pelas duras farpas dos ramos, até ficar encharcado em sangue.

Por sorte levava sobre si a "Pílula da Essência Nutritiva", a qual não só sarava os danos internos, mas obrava maravilhas também contra os ferimentos externos. Apenas engolira uma quando se estancava a hemorragia e o ferimento se selava com uma crosta; e para o segundo dia até mesmo a cicatriz se desvanecia sem deixar rastro algum.

Ante isto, Han Li estalou a língua uma e outra vez, assombrado. Esta medicina era muito mais forte do que os emplastros comuns para feridas. Não alcançava compreender por que havia de levar um nome tão singular como "da Essência Nutritiva"; a seu parecer, alguma palavra como "Tira-Cicatrizes" ou "Tapa-Sangue" haveria vindo mais a propósito.

Se chegasse aos ouvidos do eminente que concebeu a Pílula da Essência Nutritiva semelhante ideia de Han Li, com toda a probabilidade ele cuspiria uma boca de sangue de pura raiva; que a incomparável droga curativa tão cuidadosamente composta fosse posta nas mesmas balanças que o comum ungüento para feridas de ouro de algum curandeiro de esquina, e seus méritos comparados. Como não haveria de estar aquele mestre furioso até a medula!

E no entanto, era somente treinando em tão perigoso lugar que Han Li pudera despertar a totalidade de seu poder oculto, e dentro de tão breve espaço levar seu Passo da Fumaça Errante a um bom grau de madureza, de modo que pudesse pô-lo em uso na hora, quando fizesse falta.

E mais, sua Arte da Juventude Eterna, havia apenas uns dias, alcançara sem tropeço a sexta camada —a mais alta a que levava a fórmula do Doutor Mo. Sem o auxílio daqueles doze ou mais frascos de medicinas espirituais, ele poderia ter se esforçado com todas as forças de seu vigor e ainda assim jamais lográ-la em sua vida.

Depois de anos de cultivo, Han Li chegara a guardar não pouco conhecimento da Arte da Juventude Eterna, e a julgava uma arte das mais singulares, distinta do comum dos estudos marciais, seja na maneira de sua prática ou no modo de seu obrar.

Em primeiro lugar, Han Li era da opinião de que o êxito desta arte, e a velocidade de seu avanço, pendiam sobretudo do homem e de sua própria qualidade —da aptidão do cultivador, e de se essa aptidão quadrava com a arte. Os bem dotados poderiam passar pelo caminho com folga e sem tropeço; e ele adivinhava que, mesmo sem ajuda de fora, poderiam com o amargo esforço alcançar um nível elevado.

E ele, cuja aptidão era pobre, depois de ter galgado certa etapa, por falta de medicinas espirituais acharia cada passo um trabalho quase superior a suas forças. Han Li conjecturava que tal homem não poderia avançar mais em toda a vida, e devia parar onde estava —como lhe ocorrera a ele mesmo, deslizando à vontade pelas três primeiras camadas, só para achar a quarta de repente áspera e duríssima, sem poder avançar um dedo.

Mas se houvesse medicinas espirituais à mão, então do impossível sairia o possível, e alguém poderia romper a prisão da aptidão e galgar mais um degrau. Por isto bem se vê quão ansiosamente se apoiava a arte no auxílio das medicinas.

Mas tragar as medicinas espirituais uma ou duas por dia, como se não fossem senão guloseimas —essa era uma forma tal que, adivinhava ele, apenas homem algum sob o céu a guardara jamais. E assim, onde a razão dizia que as quinta e sexta camadas eram de longe as mais duras, ele as galgara sem fadiga alguma, e jamais provara a estreiteza conhecida na quarta.

E a Arte da Juventude Eterna, levada à sua sexta camada, além de encher Han Li de um vigor mais abundante e de uma cabeça mais despalmada, por enquanto não lhe mostrara nenhum outro uso maravilhoso. E coisa estranha, desde o mesmo princípio esta arte, em cada uma de suas camadas, não fizera senão fortalecer seu espírito, sua mente e seus cinco sentidos, enquanto seu efeito sobre o corpo era escasso em verdade —simples saúde de compleição e leveza de passo. E aquela corrente de energia que engendrava —que Han Li chamava de seu falso qi verdadeiro—, ainda que pudesse fluir à vontade por seus meridianos, igual ao qi verdadeiro comum, somente servia para aguçar seu sentido do tato, e fora disso não tinha virtude prática alguma, nem aquela pavorosa potência do qi verdadeiro.

E mais, tendo chegado até aqui, Han Li julgava que após a sexta camada devia ainda existir uma porção inconclusa da fórmula, e que talvez todas as suas virtudes ocultas eram reserva daquelas camadas finais.

Ao pensá-lo, moveu a cabeça com não pouco desamparo e suspirou. Entre ele e o Doutor Mo, tal como agora estavam as coisas, sonhar com as camadas ulteriores era coisa que nem merecia ser pensada.

Detendo suas fantasias errantes, Han Li deu um salto e desceu com suavidade ao chão sem fazer ruído algum. Depois tomou a longos passos o caminho da pequena cabana de madeira.

Amanhã havia de se encontrar com o Doutor Mo; e antes disso, faria o maior uso de seu engenho nativo para traçar em sua cabeça, com adiantamento, os mesmos passos do encontro —meditando com cuidado cada detalhe que pudesse sobrevir, e preparando para cada perigo ainda não nascido o melhor plano com que houvesse de ser recebido.

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