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Capítulo 104: Tudo Tem seu Fim

Roaming the Heavens·Capítulo 104 de 123·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-05 19:03

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Lótus Branco segurava a tigela de sopa e perguntou: "Quando sua irmãzinha estava doente, você também cuidava dela assim?"

Com a menção de Jiang An'an, um sorriso aflorou com naturalidade no rosto de Jiang Chen.

"Ela é uma menina muito boa. Nem mesmo quando está doente faz birra. E basta que você lhe compre algo gostoso de comer, que ela fica perfeitamente feliz. Então eu comprava coisas para ela — o carneiro do Cai, o cozido do tio Du Dewang, os doces da Confeitaria Guixiang..."

Jiang Chen foi enumerando uma a uma as guloseimas favoritas de Jiang An'an, e quanto mais Lótus Branco escutava, mais azedo ficava seu peito.

A sopa em suas mãos — não era que... jamais fora perfumada para começar.

Sua irmãzinha fica doente, e o senhor ali, com isso e aquilo, as finuras do monte e do mar. Mas eu me lancei por você para salvar seu couro, e é issso que me dá de beber?

O alarido rugia em seu interior, mas em seu rosto só havia um sorriso forçado.

"Está bem. Obrigada."

Lótus Branco cortou a recitação de Jiang Chen.

Ela notara que este homem era, em geral, bastante parcimonioso com as palavras, mas no momento em que sua irmãzinha vinha à tona, de repente tinha muita coisa a dizer.

"Mm. Seu corpo está fraco — você devia falar menos." Jiang Chen indicou com a mão. "Vá, beba. Há mais na panela. Quando terminar, lhe sirvo outra."

Lótus Branco filtrou em silêncio a última parte do discurso dele. Após certa hesitação, levou a tigela ao rosto.

Parou de repente, e olhou de novo para Jiang Chen. Aqueles belos olhos piscaram. "Quer me ver beber? Quer saber como sou?"

"Desculpe, desculpe. Esqueci. Mil perdões." Jiang Chen se virou para sair da gruta.

"Ei!" Lótus Branco o chamou. Quando ele se voltara de novo, ela disse com uma nota de riso na voz: "Ajude-me a tirar este véu..."

Sua voz era melosa, provocante, o bastante para acender o coração de um homem.

Jiang Chen sentiu os lábios secos. Era impossível dizer que não sentia curiosidade pela aparência de Lótus Branco. Embora o tempo juntos tivesse sido breve, cada encontro lhe deixara uma profunda impressão. A figura desta mulher, sua voz, e até os olhos que tão só mostrava — tudo era requintado sem igual. Jiang Chen não podia negar sua curiosidade pelo que se ocultava sob aquele véu, nem mesmo uma tênue, quase secreta esperança.

E agora Lótus Branco lhe pedia que tirasse o véu.

Sem necessidade de hesitar.

Jiang Chen avançou a passos largos, estendeu a mão, apegou o véu, e o retirou com delicadeza...

Sob o véu...

Havia uma bela...

Máscara.

Uma máscara de pétalas de lótus, primorosamente talhada e belamente composta. Tinha uma estranha qualidade que fundia ao mesmo tempo o sagrado e o sinistro.

"Ha ha ha ha!" Lótus Branco riu até que todo seu corpo tremeu.

A mão de Jiang Chen ficou gelada no ar, e então ele a retirou, sem forças.

Eu devia ter imaginado, pensou.

"Beba sua sopa." Soltou as palavras com frieza, e saiu da gruta a passos irados, humilhado mais uma vez por ter se deixado enganar.

Atrás dele, a risada de Lótus Branco não cessou por um longo tempo.

Jiang Chen ficou de pé fora da gruta, olhando para o céu, com o semblante pesaroso.

Dentro da gruta, o urso-preto contemplava suas costas, com o semblante também pesaroso.

Quando afinal a risada cessou...

"Glub~"

"Pffff!!"

O alarido de Lótus Branco ressoou: "Jiang Chen! Você quer de uma vez me matar? Sua asquerosidade supera até mesmo sua feiura!"

...

"Tome, esta é uma geleia de frutas que preparei eu mesmo. Escolhi as frutas silvestres mais doces, usei artes do Dao da Água para condensar a água mais pura, nutri-as com a mais pura essência vital do elemento madeira, e então controlei o fogo com meticulosidade e misturei tudo com todo meu coração." O rosto de Jiang Chen irradiava sinceridade. "Dê outra provada?"

Lótus Branco olhou para aquele bloco estárdulo, e com um olhar igualmente sincero, disse: "Jiang Chen, eu lhe suplico. Só colha a fruta silvestre para mim tal como é. Gosto de comê-la crua. Sério."

Ao ver a súplica nos olhos de Lótus Branco, Jiang Chen sentiu uma grande satisfação.

Era a primeira vez, na memória de Jiang Chen, que Lótus Branco cedia diante dele. E tudo por causa de seus dotes culinários transcendentes.

Quem sabe muito, nunca é demais — os antigos não erravam.

Saiu outra vez, juntou um bom monte de fruta silvestre, e voltou. Lótus Branco comeu sua fruta na gruta, enquanto Jiang Chen seguia montando guarda lá fora.

Ele contemplou suas duas "panelas" e se sentiu um tanto sem jeito.

Será que estava mesmo tão ruim?

As chamadas panelas não eram mais que pedras um pouco maiores com uma cavidade escavada no meio.

Uma panela com a sopa de ervas silvestres; a outra, com a geleia de frutas.

Uma panela um desastre de verdes e vermelhos; a outra, um desastre de todas as cores sob o sol. Competiam em estardalheço, rivalizando entre si.

Ele se aproximou para dar uma olhada em suas próprias criações culinárias. Hesitou por muito tempo, mas ao final não se atreveu a prová-las. Afinal, a reação de Lótus Branco fora horrenda demais. Na noite anterior, quando Ji Xuan a moía a pancadas, ela não gritara de modo tão dilacerante quanto gritou por aquela sopa.

Mas jogar fora assim, sem mais? Jiang Chen não tinha coragem. Ele trabalhara duro naquilo, pusera todo seu empenho.

"Que desperdício..."

Murmurando para si, o olhar de Jiang Chen errou à deriva, e pousou no urso-preto, que seguia assentado docilmente em seu lugar.

"Você. Venha aqui." Fez-lhe um gesto.

...

...

Jiang Chen havia partido há muito tempo.

Ele era um aluno da Academia do Dao, dotado de talento e disposto a se esforçar. Seu futuro era promissor. Tinha sua própria vida, bons amigos, uma querida irmãzinha.

Sua vida fora pacífica e luminosa.

Lótus Branco assentou-se em silêncio na gruta, com o olhar vagamente perdido.

A verdade é que seu corpo se recuperara muito bem. A Arte de Devolver a Alma Restaurando a Carne lhe caíra como uma luva.

Aquela era uma arte secreta da qual só ouvira falar, mas jamais dominara — um poder que provinha do Abismo do Além.

Isso só fez confirmar ainda mais sua convicção.

E, no entanto, coisa rara, ela sentiu um lampejo de hesitação.

Foi por aquela terrível tigela de sopa de ervas silvestres?

Ou pelo cálido abraço que chegou tão de repente, justo quando ela estava pronta para ir ao encontro da morte?

Lótus Branco não podia dizer.

Não era por natureza uma pessoa branda, e no entanto surpreendeu até a si mesma representando a fraca por tanto tempo.

Ela soltou um longo suspiro.

Mas tudo tem seu fim, assim como a noite anterior já passara.

...

Quando o Mensageiro da Máscara de Osso surgiu, Lótus Branco já voltara a cobrir o rosto com o véu negro. Sua respiração era funda e serena, sem sinais de graves feridas.

Fora da gruta, um urso-preto jazia no chão, a espumar pela boca e completamente exânime.

"É uma fera. Se ia matá-lo, podia muito bem tê-lo feito. Para que atormentá-lo?" O Mensageiro da Máscara de Osso ficou de pé fora da gruta e disse.

"Você é inesperadamente misericordioso." Lótus Branco saiu sem pressa da gruta.

"Parece que os rumores se enganavam. Você não foi ferida em absoluto." O Mensageiro da Máscara de Osso, claro, não se preocupava com um urso-preto a espumar. Só o usava como pretexto para começar, e prosseguiu: "Fiquei fora de mim de angústia ao saber da notícia. Mas fico feliz que tenha sido apenas um falso alarme."

Lótus Branco ignorou em silêncio a segunda metade do discurso dele, e disse com voz suave: "Quem será que quis minha vida com tanto afinco? Não só conhecia todos os meus passos, como ainda conseguiu envolver Ji Xuan. De verdade não tinham medo de que me capturassem viva e que eu soltasse todos os segredos da organização?"

"Certamente não fui eu. Se fosse, não viria aqui sozinho."

"Claro. Se eu morresse agora, não lhe traria nenhum benefício. Mais adiante... bem, quem sabe."

"Ouça a si mesma. Morra quando morrer, eu ficarei muito triste." O Mensageiro da Máscara de Osso se virou e se afastou, não sem antes afastar com cuidado os galhos que estorvavam o caminho.

Os dois avançaram através da mata montanhosa, as folhas a crepitar sob os pés.

A distância entre eles era sutil — pareciam próximos, e no entanto cada um estava em guarda frente ao outro.

Eles podiam, claro, ser camaradas lutando ombro a ombro, discípulos da mesma doutrina lutando pelo mesmo ideal. Mas também podiam, num descuido, tornar-se presa um do outro.

Havia que dizer — aquela sensação de caminhar no fio da faca era o estado que Lótus Branco melhor conhecia.

Seus passos eram cada vez mais leves. Enquanto andava, perguntou de repente: "Mensageiro, alguém já deu a vida por você?"

"Claro!" O Mensageiro da Máscara de Osso não se virou. "Os que querem me matar vivem se jogando contra a morte."

"Pois é." Lótus Branco riu baixinho. "Gente como nós."

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