Little Grove. Zhao Yan e Du Hu estavam exaustos; Ling Chuan carregava Zhao Yan. No caminho de volta ao centro, só Jiang Chen podia lutar.
Isso lhe convinha. Tornara-se hábil em matar fantasmas, e o combate sem fim polira a Arte do Alvorecer Violeta até um novo fio.
O cansaço não era preocupação. Desde seu retorno de Tangshe, cultivara seus canais e acumulara mais de setenta cristais de essência do Dao. Cada cristal gasto antes de se formar o vórtice do Dao era um a menos para o alicerce — mas numa crise verdadeira, cada um lhe comprava força suficiente para seguir lutando neste ritmo. Esses cristais eram a verdadeira razão pela qual oferecera seus irmãos para o Palácio Xun. Simplesmente não esperara que emboscassem Zhao Yan, ou que Du Hu fosse tão decidido.
«Vamos, por que essas caras longas?» Zhao Yan falou enquanto caminhavam. «Queimei um pouco de sangue vital, só isso. Há um remédio.»
«Que remédio?» Du Hu não falara, mas Ling Chuan sim, sacudindo o homem em suas costas. «Diga!»
Jiang Chen, ocupado limpando fantasmas, lançou-lhe um olhar. De verdade queria atravessar o pequeno maquinador. Tivera o remédio o tempo todo e se calara.
«Cuidado, você está sacudindo minha cabeça bonita.» Zhao Yan acalmou sua "montaria temporária" e continuou: «Acontece que alguém comprou recentemente uma Pílula Gu Yuan do Estado de Yun por um preço alto, e está na revenda. Essa pílula é milagrosa para nutrir o sangue vital e estabilizar o alicerce. Alguns filhos nobres a tomam antes de abrir seus meridianos, para que seus espíritos meridianos despertem ainda mais vivos! Consertaria o probleminha de sangue de Du Hu num piscar de olhos.»
«Só...» sorriu com suficiência, «que me pergunto se certo alguém estará disposto a pagar.»
Du Hu hesitou. «Não tenho dinheiro.»
«Pode me pedir emprestado. Termos padrão — nove por treze.» Zhao Yan irradiava.
«A usura está bem. O Irmão Tigre adora usura.» Du Hu sorriu, com ar simples.
«Basta.» A cabeça de Jiang Chen doía. Cada usurário de Maple City conhecia Du Hu como o homem que pedia emprestado e jamais devolvia. A lógica de Du Hu: usurários são todos uns bastardos de qualquer jeito, bem está surrupiar um pouco de dinheiro para beber. Só seu status na Academia o mantinha fora do fosso.
«Pequeno Cinco. Quem é esse homem, e quanto ele quer?»
Jiang Chen já decidira: fosse qual fosse o preço, encontraria um jeito de juntá-lo.
«Este comprador da Pílula Gu Yuan acontece de partilhar meu sobrenome, Zhao. Que coincidência.» Zhao Yan suspirou teatral. «E que coincidência que ele seja um criado da minha casa. Que coincidência!»
Jiang Chen respirou fundo, lembrando-se de que o Pequeno Cinco estava ferido e era fácil demais de matar. Era a única coisa que o continha.
O pequeno malandro dera voltas por meia vareta de incenso só para dizer que sua família tinha uma Pílula Gu Yuan que podia consertar Du Hu. Uma frase, e enganara quatro irmãos.
Até o paciente Ling Chuan doeu as gengivas.
Ainda assim, a promessa tranquilizou a todos. Conversando, voltaram ao centro.
Li Yun e Zhao Lang já estavam lá, em animada conversa com Wang Hao. Os outros discípulos estavam em mau estado. Wei Feng fora reforçar o Palácio Dui — a última âncora de pé.
«Bom trabalho, Irmão Menor Jiang.» Li Yun assentiu em saudação.
Wang Hao assentiu também.
«Você me lisonjeia. Foram o Irmão Hu e Zhao Yan quem fizeram o trabalho de verdade.» Jiang Chen sorriu com ironia.
Diante dos discípulos mais velhos, cedeu o crédito sem hesitar. O importante agora era conseguir-lhes a abertura de meridianos. Deixou Ling Chuan de fora porque a condição de Du Hu e Zhao Yan fazia melhor caso.
Ling Chuan não se importou.
Os veteranos olharam Du Hu uma vez e entenderam — e admiraram em silêncio a força de seu sangue vital.
«Quando Wei Feng voltar, entramos no centro.» Disse Wang Hao. «Hoje lutaram com ferocidade. Maple City não esquecerá seu serviço, e a Academia não esquecerá seu mérito.»
«Certo.» Wei Feng emergiu da névoa ao falar, três discípulos atrás. Dois outros não apareceram. Perdidos, pelo visto.
A matança não parara no Palácio Xun. Wei Feng e Li Yun limparam suas âncoras quase sem arranhões, mas as outras esquadras pagaram em sangue. Onze mortos — quase metade da força. Os sobreviventes estavam feridos quase todos. O próprio Zhao Lang quase fora destripado; uma feia brecha cruzava seu ventre.
Sem a direção firme de Wang Hao do centro, toda a operação teria desmoronado.
«Se voltarmos para casa, serei o primeiro a pedir suas recompensas.» Wei Feng falou com gravidade. «Esta batalha foi mais perigosa do que imaginei. Mas a força de Maple City é escassa, e só vocês podiam responder ao chamado.»
Curvou-se, profundo. «Em nome dos mortos de Little Grove, em nome do povo de Maple City — obrigado por sangrar.»
«Demais, Irmão Wei.» Disse Li Yun.
Os outros se desviaram, relutantes em aceitar a reverência.
«Vamos, Wei.» Foi Du Hu quem falou, desaprovando. «Você é um homem de Maple City. Não nascemos e crescemos na mesma terra? Deixe a cerimônia. Não há tempo.»
Ferido até o osso, o homem ainda ardia de espírito.
Wei Feng o olhou por um longo momento, depois girou com seu sabre. «O irmão tem razão. Sigam-me! Vejamos quem ousa envenenar nossa terra natal!»
Com os oito palácios quebrados, o muro de névoa do centro perdeu seu alicerce e se dissolveu sem som. A névoa em si permanecia, cega e espessa.
Wei Feng liderava. Li Yun e Wang Hao guardavam seus flancos. Zhao Lang, ferido mas inteiro, tomou a retaguarda. A coluna se deslizou para o centro, cada sentido em tensão.
Todos sabiam o que o centro conteria. Tendo lutado através dos outros oito palácios, podiam imaginar seus horrores. Qualquer mal que tivesse feito isso a Little Grove estaria esperando em seu coração.
Esta coluna era a esperança da geração jovem de Maple City. Se morressem aqui, a Academia ficaria vazia por uma geração.
Ninguém falou em dar meia-volta. O caminho era terrível, mas esta era sua terra natal. Nasceram aqui, cresceram aqui, aprenderam aqui.
E estavam dispostos a morrer aqui.
Além de Zhao Yan e Du Hu, outros três discípulos estavam exaustos. A vila era perigosa demais para deixá-los para trás, então Ling Chuan carregava Zhao Yan na coluna, e Huang Azhan, o velho companheiro de copas de Du Hu, velava por ele.
Huang Azhan, ao contrário do quase desabado Du Hu, estava cheio de vigor. Um dos poucos a sair do combate intacto — havia força verdadeira nele, não só cheiro.
A coluna parou. Huang Azhan congelara no meio do passo, farejando.
«Sinto cheiro de algo bom.» Aspirou fundo. «Ruge... não. Perfume da pele.»
Todos se viraram para olhar.
«É uma mulher bonita», anunciou.
«Você tem nariz de cachorro», disse Du Hu, sem se impressionar.
«Uma garota fantasma bonita!» Zhao Yan se iluminou. «Eu disse! Du Hu, você me deve um romance!»
Ninguém deu atenção aos dois palhaços. Tinham chegado ao centro exato de Little Grove.
Um vasto vórtice giratório encheu sua vista. Nada mais. Nem mulher de vermelho, nem ancião de cabelo branco, nem cultivadores de túnicas negras. Como se nunca tivessem existido.
Não só eles. Sem gente. Sem gado. Nem um tijolo nem uma telha. Só a névoa sem fim — e este vórtice estranho e solitário.
«Onde está o escritório da vila? Que diabo é essa coisa?»
Ninguém pôde responder. Só Wang Hao olhava, olhos arregalados, horror no rosto.
«Você reconhece, Irmão Wang?» O sabre de Wei Feng estava erguido, sua voz baixa.
A resposta veio sozinha.
Do negro profundo no coração do vórtice, algo negro emergiu.
Ver negro contra negro é uma coisa estranha de descrever. Mas esta coisa era como o centro da escuridão em si — de algum modo todos podiam ver sua forma. Ergueu-se lentamente do vórtice, revelando-se grau a grau.
Um arco de pedra. Não grandioso — três vãos, quatro pilares, sete níveis. Não fosse pela pedra negra, não fosse por onde estava, poderia ser qualquer arco de qualquer vila.
Mas a placa em seu centro dizia tudo.
Três caracteres, numa escrita que ninguém presente podia ler. E no entanto todos os homens os entenderam de um relance.
— Portão dos Fantasmas.