"An'an. An'an!"
Jiang Chen ficou agachado onde estava e reuniu An'an nos braços.
Segurou a cabecinha dela e acariciou repetidas vezes. "Não seja tão boazinha. Eu não preciso que você seja tão boazinha."
A voz dele saiu estranhamente rouca: "Seja voluntariosa. Seja infantil. Faça o que quiser. Só não seja... tão crescida."
Ele se arrependeu de não ter escondido quando pediu dinheiro a Zhao Yan. Ele ficava se dizendo que a irmã era tímida e sensível, e mesmo assim a tinha ignorado.
Ele e Zhao Yan eram mais próximos que irmãos — compartilhavam até técnicas de grau superior sem pensar duas vezes, quanto mais ouro e prata. Mas ele tinha esquecido: An'an não sabia disso.
An'an só via que o irmão estava em dívida com outra pessoa para lhe dar um lar. Que ela era um fardo.
"Deus." Desde a morte do pai, Jiang Chen quase nunca tinha chorado. Mas agora, escondido atrás da cabecinha de An'an, as lágrimas caíram como chuva.
"Irmão... o que foi?" Depois de um longo momento, An'an perguntou.
"Ah. Nada, nada." Jiang Chen se acalmou, ainda a segurando. "De agora em diante, não chame o Zhao Yan de 'cara pálida'. Ele vai ficar chateado."
"Mas ele é realmente pálido."
"'Cara pálida' não significa que o rosto dele é pálido... esquece. Chama como quiser. Não se preocupa se ele gosta ou não."
"Mmm!"
Quando ele teve certeza de que não cairiam mais lágrimas, e que ninguém notaria que tinha chorado, Jiang Chen afastou An'an e a olhou com seriedade. "O irmão mais velho precisa se desculpar. Eu não devia ter perdido a paciência. O irmão mais velho... é minha primeira vez sendo irmão. Não sou bom nisso."
An'an torceu a barra da roupa, envergonhada: "Também é minha primeira vez sendo irmã. Não sou boa nisso. Não devia ter colado, não devia ter irritado o Professor..."
"É mesmo?" Jiang Chen enxugou as bochechas de An'an com os polegares, afastando as lágrimas. "Então essa é sua primeira vez sendo irmã?"
An'an assentiu.
Jiang Chen levou o polegar para a frente do rosto dela e o ergueu. "Então você tem talento de verdade! Nunca vi uma irmã melhor que você."
"Hehe..."
An'an sorriu, tímida.
O inverno tinha chegado, e as marcas de lágrimas ainda brilhavam na carinha dela. Mas naquele sorriso, toda a primavera do mundo floresceu.
* * *
Todo homem tem seu destino, e cada destino é diferente. Metade desse ditado era bobagem.
Sun Xiaoyan achava que era um tolo. Um tolo de verdade. Como ele pôde acreditar naquele suposto amor fraternal? Como pôde acreditar nas palavras daquela pequena demônio?
"Tem muita comida gostosa lá fora — coisas que você não encontra em Cidade das Três Montanhas!"
"Prometo que não vou implicar com ele! Vou dar um exemplo perfeito. Deixa eu liderar o grupo!"
"Pensa como se eu estivesse levando meu irmãozinho numa viagem. Vamos ser tão felizes!"
As palavras ainda ecoavam nos ouvidos dele. Ah, ecoavam.
Sun Xiaoyan — treze anos, abençoado com um nome que soava quase delicado — era na verdade muito, muito redondo.
Huf! Huf!
Ele corria, ofegante, cada respiração um fogo na barriga, suor escorrendo. Suas roupas finas e brilhantes há muito eram irreconhecíveis: amassadas, sujas.
Ele queria desmoronar ali mesmo, derreter num monte de barro, um porco, qualquer coisa que pudesse simplesmente deitar. Mas não ousava.
Ele queria chorar. Devia ter se agarrado à perna da mãe e nunca mais soltado. O que o possuíra para confiar na inimiga de toda a vida?
Ele corria, e corria.
De longe, mal se viam as pernas dele. Parecia uma bola colorida rolando pela estrada.
Ele não queria rolar!
A menos que pudesse rolar de volta para casa.
Sun Xiaoyan! Filho do senhor de Cidade das Três Montanhas, o único herdeiro homem do clã Sun nesta geração — em Cidade das Três Montanhas ele era um príncipe entre príncipes. "Um abaixo, ninguém acima!" Esse era o título dele!
Por que ele tinha sido tão tolo a ponto de viajar sozinho com aquela "uma"? Os bons dias em Cidade das Três Montanhas não eram bons o suficiente? Não era divertido implicar com as outras crianças? Com o tigre fora, ele não podia ser o rei da montanha?
Sun Xiaoyan parou.
Não porque a raiva subisse ao coração e a coragem crescesse na barriga. Ele não tinha tal coisa como coragem na barriga.
Não — ele simplesmente tinha chegado ao limite. Não estava se recusando a correr. É que ele realmente não aguentava mais correr.
Então ele ouviu aquela voz familiar demais, fechando sobre ele a uma velocidade aterrorizante.
"Sun! Gordito!"
Sun Xiaoyan não teve tempo de reagir. Um pé delicado, branco, quase bonito — aplicado de uma maneira que não era nada bonita — se plantou no traseiro dele.
Desta vez, ele rolou de verdade.
Ele rolou pela estrada a toda velocidade, rolando pela glória.
Quando finalmente parou, estava machucado e inchado por toda parte.
Ele se sentou balançando no chão, com o mundo inteiro girando.
A primeira coisa que nadou em seus olhos semicerrados foi um par de pés descalços esculpidos em jade, pernas nuas subindo além do joelho, e um par de calções de combate de seis peças. Os pés pertenciam a uma garota com jaqueta curta de gola enviesada, com uma carinha pequena, bonita e adorável que combinava com a figura pequena, bonita e adorável dela.
Ao lado dela, o gordo Sun Xiaoyan era praticamente uma montanha. Mas a boca dele se franziu, e ele parecia prestes a berrar: "Mana, não aguento mais correr. Não aguento mesmo!"
"Não é sobre o que você sente. É sobre o que eu sinto." Sun Xiaoman se agachou, sorrindo para ele. "Eu sinto que você aguenta."
Aquele tom cooperativo e razoável deu coragem a Sun Xiaoyan.
Ele se jogou de costas e uivou: "Ai, ai, ai — estou morrendo, não consigo me mexer..."
Um porco morto que não teme nada. Me bate, então. Vê se eu ligo.
"É um monte de pé e um monte deitado." disse Sun Xiaoman. "As proporções dele são muito consistentes."
"Emagrece. É realmente tão difícil?" perguntou Sun Xiaoman.
Para fazê-lo emagrecer, ela o tinha forçado a correr o caminho todo só com a força do próprio corpo. Os outros usavam talismãs de viagem, andavam quando queriam, descansavam quando queriam.
Sun Xiaoyan estava indignado: "Minha gordura é natural!"
"Não existe gordo natural. Só preguiçosos!"
Isso quase soou inspirador...
Mas Sun Xiaoyan não se comoveu. Ele até fechou os olhos já pequenos: Não estou ouvindo, não estou ouvindo, não estou ouvindo!
"Olha você, redondo como uma bola. Quando você subir naquele palco, não vai envergonhar Cidade das Três Montanhas?"
"Todo mundo nos chama de bárbaros da montanha! Que cara tem Cidade das Três Montanhas a perder!"
Sun Xiaoman apertou os lábios e não disse nada.
O coração de Sun Xiaoyan deu um salto. Ele abriu os olhos na hora, olhando para a irmã com cara de pena: "Você é minha própria irmã! Que irmã trata o próprio irmão com tanta crueldade? E eu sou tão novo! Ainda sou uma criança!
"Além disso, irmã mais velha é a sombra de uma mãe. Mãe bondosa, filho filial. Seja boa comigo, serei bom com você, e seremos felizes juntos. Não é encantador?"
O raciocínio dele era à prova de balas.
"Todo mundo diz que você deve criar uma criança com um pedaço de pau numa mão e uma tâmara na outra." Sun Xiaoyan se sentiu mais injustiçado a cada momento. "Tudo o que vejo é o pedaço de pau. Nem o caroço da tâmara eu vi!"
No fim, ele explodiu em lágrimas de verdade.
"Ah." Sun Xiaoman olhou para ele, impotente, e bateu suavemente no peito dele, quase com ternura. "A mana é nova nisso. Ela não é boa nisso..."
Ela agarrou Sun Xiaoyan pelo colarinho e ergueu o corpo inteiro dele do chão. "Então levanta e me bate!!!"
Ela o arremessou para longe com um soco e rugiu: "Age como homem, quer? Tanto choro!"
O resto da escolta de Cidade das Três Montanhas observou em silêncio, com os pescoços encolhidos. Ninguém ousou dizer palavra.
Sun Xiaoyan girou no ar, aterrissou e, sem dizer palavra, voltou a correr — não o mataria, mas doía!
Sem opção. Corre.
À frente... aquilo era Cidade do Bordo? Quanto falta... quanto falta!
Buááá...