Lu Jiangxian sonhou um sonho longo, muito longo. Sonhou com campos de arroz e lampejos de espadas, com seitas imortais, com o rosto de uma mulher, com um grande lago.
«Entreguem a Técnica de Refinamento de Qi da Respiração Lunar e as Notas Esotéricas do Luar, e apenas arruinaremos sua cultivação.»
Uma voz feminina, doce e fria, soou junto ao seu ouvido. Lu Jiangxian vislumbrou um rosto borrado — nada mais.
Então o mundo se sacudiu. Um balanço violento o despertou de repente.
Cores selvagens giravam atrás de seus olhos. Tentou abrir as pálpebras, tentou se levantar, mas seu corpo o recusava como uma pedra presa em um pesadelo. A escuridão o cercava por todos os lados — até um pilar de luz branca partí-la, firme como o sol, queimando a maré de negro.
Letras douradas jorraram da luz, desdobrando-se pelo céu como constelações espalhadas pela mão de um deus.
*Lindo*, pensou Lu Jiangxian, atordoado.
As letras engrossaram rumo a um limite invisível. Ele ouviu um estalo, como vidro cedendo.
O mundo se acendeu.
Céu vasto como um oceano. Floresta primitiva sem fim. Um lago em forma de meia-lua ao longe, onde algo branco deslizou e sumiu sob as ondas. Abaixo, cabanas de telhado de palha e terraços de arroz. Ele voou pelo ar como um pardal leve, roçando uma pequena aldeia parda, sua fumaça, um rio cristalino.
Na água, viu o próprio reflexo.
*Uma coisa redonda e brilhante.*
Uma premonição fria se assentou em seu peito: *Não sou mais um homem.*
O rio o engoliu. A água era rasa demais para quebrar sua queda, então ele raspou contra as pedras do leito. O impacto o atingiu como um soco no peito, mas a corrente o virou, de costas para o céu, encarando o sol que brilhava na superfície.
Ele não estava, agora mesmo, no quarto alugado, curvado sobre um documento, virando a noite?
Lembrou-se da fumaça do apartamento, do brilho do néon na janela, da cerveja na mesa, da tontura, do coração acelerado, da respiração que não vinha.
*Então eu realmente morri.*
Estranho — o pensamento lhe trouxe algo próximo de alívio. Chega de preocupações com o amanhã. Chega de aluguel, chega de prazos.
Mas jazer num rio como um pedaço de metal... isso enlouqueceria qualquer um de tédio.
Ele viu o sol rastejar pelo céu, e depois a lua subir sobre as copas das árvores. O luar se reuniu sobre seu corpo como algo vivo, formando um halo branco e tênue. Sentiu um poder fresco e claro se infiltrando nele.
*Devorando a essência da lua?* Seu coração deu um salto. *Então imortais existem. Artes divinas existem. Demônios e fantasmas existem.*
*E eu... sou um espírito de artefato.*
A curiosidade lutava contra o medo. O halo ganhou força, então se assentou sobre ele como um manto, e ele afundou numa meditação entre o sono e a vigília.
Quando acordou, a lua havia sumido e a luz da aurora se derramava sobre o rio. Dentro dele, uma corrente fina de qi circundava seu corpo arredondado, lenta e paciente como uma maré.
Ele se concentrou e, através dessa corrente, viu a si mesmo como realmente era: um espelho cinza-esverdeado no leito do rio, pedras e lodo ao redor, peixes forrageando por perto, um caranguejo cavando na lama. Seu campo de visão se estendia cerca de um metro em cada direção, embaçado, como uma televisão velha.
*Este sou eu agora.*
Testou a corrente, guiando-a até o centro do espelho. Uma luz tênue acendeu ali.
*Além de brilhar, não tenho outra utilidade ainda.*
*Vou continuar devorando luar. Talvez algo mude. E é melhor eu ter cuidado — se um cultivador encontrar um artefato senciente, apagará seu espírito sem pensar duas vezes.*