Xu Yueping não disse nada até deixarem a Vila Vinha Prateada para trás. Então mergulhou na floresta escura e cravou seu punho numa árvore. A neve caiu em cascata dos galhos.
"Se eu não tivesse esposa e filhos — se eu fosse vinte anos mais jovem — eu morreria hoje levando Feng Yi'an comigo." Ele ofegou. Seu braço tremia.
Ele tinha sido humilhado naquela sala. A marca da mão ainda estava em seu rosto. Como homem, não podia engolir aquilo.
Mas ele tinha uma família. Não era jovem. O dever e o fardo forçaram seu punho para baixo.
"Meu sangue quente se foi. Desgastado pela vida." Ele sussurrou como uma confissão.
Qin Ming não tinha palavras. Sua própria raiva surgiu em solidariedade.
"Tio Xu, não deixe que isso o consuma. Eles pagarão pelo que fizeram."
Um longo silêncio. Então Xu Yueping exalou. "Vamos para casa."
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A neve ainda caía. Eles caminharam em silêncio. Qin Ming tentou encontrar assuntos leves para aliviar o peso.
"Por que a varredura ainda não começou?"
"Os superiores ainda estão negociando com os seres principais nas montanhas."
Então o rosto de Xu Yueping se escureceu ainda mais. A patrulha tinha um fluido catalisador. Estava sendo preparado. Três dias — chegaria à Aldeia Árvore Gêmea, despejado na fonte de fogo.
Não precisava adivinhar. O catalisador ajudaria a Lua Negra a germinar. Envenenaria os campos de fogo.
"As outras aldeias concordaram?"
"Três tinham reservas. Seus campos de fogo têm rendido menos — também suspeitavam das sementes. Mas a pressão venceu. Concordaram. Apenas a Aldeia Amora Verde resistiu. A patrulha não ousou pressionar demais — eles têm medo de quem deu a Er Bingzi seu manual avançado."
"Meio do mês em breve," disse Qin Ming, olhando para o céu negro.
Ele sabia: a patrulha só aparecia junta nas montanhas no meio e no fim do mês.
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Uma forma massiva emergiu de uma trilha lateral. Impossível de ignorar.
Um touro — pelagem vermelho-sangue, brilhante. Seu dorso era mais alto que um homem adulto. Dois chifres curvos, e entre eles um terceiro — reto e afiado como uma espada. Um mutante.
Mas o cavaleiro atraiu o olhar. Um homem, impossivelmente alto. De pé, excederia três metros. Cabelo negro além dos ombros. Olhos como fios de lâmina. Ele os varreu com um olhar e cavalgou o touro vermelho rumo à Vila Vinha Prateada em velocidade.
"Tão alto?" Qin Ming ficou atônito.
"Ele caminha outro caminho," disse Xu Yueping.
"Nova Vida precoce — causou crescimento excessivo?"
Por tradição, quinze ou dezesseis era a janela dourada. Nova Vida então construía uma fundação dourada.
Cedo demais, e o crescimento natural do corpo colidia com a transformação forçada. Os hormônios enlouqueciam. O resultado: gigantes.
A maioria dos gigantes morria jovem. Seus corpos se decompunham após a mudança violenta.
"Apenas as famílias principais têm a experiência ancestral e os recursos para mantê-los vivos," disse Xu Yueping. Os sobreviventes se tornavam terrivelmente fortes. Força pura dominando a habilidade.
"O caminho do Espírito Gigante. Famílias comuns não podem bancá-lo." Ele supôs que o cavaleiro viera da Cidade Chi Xia.
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Eles falaram de Nova Vida. Qin Ming direcionou a conversa para Fu Entao.
Xu Yueping se virou bruscamente. "Xiao Qin — você não está planejando ir atrás deles. Não vá."
"Tio Xu, você pensa demais. Sou um novo Vivente. O que tenho a ver com um Segundo Novo Vivente?"
Xu Yueping relaxou. Ele temia genuinamente o impulso do garoto.
"Primeira Nova Vida favorece a força. Segunda Nova Vida muda para flexibilidade e velocidade."
Eles falaram e caminharam. Qin Ming construiu um mapa mental das forças e limites de Fu Entao.
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Eles se desviaram para a floresta várias vezes, esperando trazer caça para as famílias com escassez de comida.
"Por pouco." Xu Yueping estava abalado. Um Leopardo Espinho mutante atacara por trás — relâmpago negro, quase invisível. Se Qin Ming não tivesse se movido, Xu Yueping teria sido empalado.
"Esta zona teve uma floração de planta mutante recentemente. Ainda é perigoso. Não devemos nos demorar."
Eles arrastaram o Leopardo Espinho para fora. Quatrocentos e cinquenta jin. Espinhos negros, cinco polegadas de comprimento, correndo da barriga à cabeça.
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De volta à aldeia, o ar estava denso. Até as crianças que adoravam correr na neve tinham ficado quietas.
Xu Yueping distribuiu a carne de leopardo antes de ir para casa. Estava exausto — não no corpo, mas no espírito.
Qin Ming ficou na fonte de fogo brilhante, olhando para a natureza escura. As montanhas se erguiam, tênues e ominosas.
"Três dias. O catalisador vem. Vocês pressionam e pressionam. Sem espaço para respirar."
Ele se virou e caminhou rumo à natureza.
"Apenas explorando." A Noite Superficial ainda era jovem. Ele não estava planejando nada — ainda não. Meio do mês estava a dois dias.
"Vocês empurram as pessoas ao limite. Ignoram a fome do próximo ano. Ignoram vidas."
Ele caminhou para a floresta. Sem forquilha de caça — seu corpo não precisava mais de uma. Arco, flechas, uma faca de cortar.
Ele sabia onde ficava a base da patrulha. Caminhou em uma direção, constante.
Vento e neve — seus aliados. Eles apagariam seus rastros.
Cada esquadrão de patrulha cobria uma região de seis a oito aldeias. A base de Fu Entao não era profunda. Algumas cristas, não mais.
Ele evitou as bestas mutantes que sentiu. Sem distrações.
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Uma luz vermelha brilhava de um pico de montanha. Uma micro fonte de fogo — mal grau um, mais tênue que a da Aldeia Árvore Gêmea. Mas suficiente para uma base de patrulha.
Uma criatura mais forte já habitara ali. Fu Entao liderara a caça anos atrás. As montanhas profundas tinham fontes de alto grau. Os seres poderosos lá desdenhavam as fontes tênues exteriores.
Qin Ming se instalou no pico vizinho. Do outro lado do vão: luz de fogo, terreno plano, cabanas de madeira, figuras se movendo.
Geralmente apenas dois ou três patrulheiros presentes. Juntos, buscavam plantas mutantes e criaturas espirituais — perseguindo a Segunda Nova Vida.
Um Mastim Dourado rondava o acampamento. Do tamanho de um tigre. Olfato aguçado.
Então os olhos de Qin Ming se endureceram. Um macaco da neve, pelo brilhante, imerso na fonte de fogo. Domesticado. Do mesmo tipo que dilacerara aldeões.
Ele observou por muito tempo. Depois desapareceu na noite sem um som.
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Ele emergiu da floresta e olhou para a Aldeia Árvore Gêmea. A fonte de fogo projetava um brilho cálido no portão. Telhados orlados de ouro. Fumaça de chaminé se enrolando para cima.
Uma imagem suave. Mas quando entrou na aldeia, ouviu choro.
"O Tio Qian não conseguiu. Agora mesmo. Se foi."
Pessoas estavam na porta da família Qian. Alguém suspirou. "O Velho Qian — o macaco da neve quase arrancou seu pescoço. Ele aguentou até agora."
A terceira morte.
Xu Yueping e o Velho Liu chegaram. Rostos de pedra. Conheciam a verdade. O ódio queimava dentro.
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No dia seguinte — o funeral do Tio Qian. A patrulha apareceu no portão da aldeia.
Feng Yi'an deu um passo à frente, suspirando, e entregou à família Qian um cervo almiscarado. Ele os consolou com pesar ensaiado.
O Velho Liu virou o rosto. A atuação o deixava enjoado.
A família Qian não sabia. Eles estavam gratos.
Qin Ming cerrou os punhos. Um cervo almiscarado por uma vida humana.
Shao Chengfeng, alto em sua armadura, anunciou: "O Urso de Sangue e o macaco da neve foram ambos mortos. Vocês podem caçar com segurança agora."
Qin Ming o conhecia. Encontrara-o na estrada com Yang Yongqing uma vez. Naquela época, Shao Chengfeng parecera dedicado — um patrulheiro trabalhador.
Agora o homem estava ali mentindo, reivindicando crédito por crimes que seu próprio esquadrão cometeu.
A patrulha encontrou Xu Yueping. Não para consolar aldeões — para verificar se as sementes de Lua Negra estavam plantadas.
"Irmão Xu — obrigado." Feng Yi'an deu um tapinha em seu ombro, satisfeito.
Qin Ming ficou junto à fonte de fogo. Feng Yi'an sorria. Sem calor nisso.
O rosto de Xu Yueping estava em branco. A memória daquela sala na Vila Vinha Prateada queimava em suas bochechas e em seu peito.
Shao Chengfeng sorriu. "Nós nos enganamos da última vez. O jovem Qin é um Novo Vivente de fundação dourada. Quando a varredura começar, lutaremos lado a lado. Por que não se juntar à patrulha agora — adiantar-se?"
Qin Ming recusou. O sorriso desapareceu do rosto de Shao Chengfeng. Qin Ming fingiu não notar.
A patrulha partiu.
"Não precisa testar — o garoto é hostil. Durante a varredura, encontrem uma chance de removê-lo."
"Não o desperdicem. A fonte de fogo no Bosque de Bambu Sangrento está morrendo. Perfeito — use-o para explorar primeiro."
Suas vozes carregaram enquanto desapareciam na natureza.
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Naquela tarde, Qin Ming sentou-se em seu pátio e afiou sua faca de cortar. Cuidadosamente. Minuciosamente. A lâmina perdeu sua ferrugem e brilhou como água parada.