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Capítulo 14: Primeira Morte

The Endless Night·Capítulo 14 de 21·~6 min de leitura

Atualizado: 2026-08-01 18:56

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"Afada o suficiente." Qin Ming se levantou da pedra de amolar. A faca de cortar perdera sua ferrugem. A lâmina era lisa como um espelho, brilhante como água parada.

"Se homens como Feng Yi'an e Shao Chengfeng morrerem, bom livramento. Mas se homens decentes na patrulha forem pegos nisso — seria uma pena." Ele queria saber.

Naquela tarde, o Velho Liu se sentou com Xu Yueping. Cada um tinha um copo. Bebiam em quantidades minúsculas. A jarra de licores ásperos estava quase vazia.

"Um cervo almiscarado por uma vida humana. Nenhuma humanidade." O Velho Liu bebeu e xingou. Não podia contar à família Qian a verdade.

O medo mais profundo de Xu Yueping: se Feng Yi'an e Shao Chengfeng alcançassem a Segunda Nova Vida, tudo pioraria.

"Não há ninguém decente na patrulha?" Qin Ming chegou.

O Velho Liu suspirou. "Uma cesta de peras — quando a maioria está podre, o resto apodrece também. Um esquadrão completo é de doze. Este tem nove. Os que não se encaixavam foram expulsos — ou tiveram acidentes nas montanhas."

"Ninguém pode controlá-los?"

Xu Yueping sacudiu a jarra. Umas gotas caíram no copo de Qin Ming. Ele puxou o garoto para beber.

O Velho Liu pensou. "Outros esquadrões têm sangue ruim com eles. Desentendimentos. Competição por criaturas espirituais nas montanhas. Houve mortes entre esquadrões."

Xu Yueping acrescentou: "A Aldeia Amora Verde não foi forçada a plantar Lua Negra. Quem está por trás de Er Bingzi tem poder real."

Ele olhou para Qin Ming. "Xiao Qin, você tem uma fundação dourada sólida. Faça um plano. Quando a primavera chegar, vá embora. Veja o mundo. Não fique preso aqui."

Ele conhecia esses homens. Lobunos. Temia pelo garoto.

Qin Ming considerou. "Um plano? Quero saber de onde vim. De onde fugi quando criança."

"Você não menciona — quase esqueci. Sempre penso em você como um dos nossos." Xu Yueping não tinha consolo. Mudou de assunto — o esplendor da Cidade Chi Xia, suas escolas, seus manuais de alto grau.

O Velho Liu concordou. "Vá. Um jovem deve ter fogo e sonhos. Na minha idade, as pernas amolecem. Você não pode ir a lugar nenhum. Apenas arrependimento e pó."

Xu Yueping sorriu. "Tio Liu, ouvi que suas ambições eram altas na juventude."

O Velho Liu não se envergonhou. "Quem não foi jovem uma vez?"

"Qual era sua ambição?"

"Eu queria domar uma besta com nome. E me casar com a garota mais bonita da região."

"E?"

"Me juntei a uma operação de patrulha. Encontrei a besta com nome. Ela investiu — apenas passando — e quase nos aniquilou. Perdi minha vitalidade. A Segunda Nova Vida ficou fora de alcance para sempre. E a garota se casou com meu rival."

Qin Ming ergueu seu copo. Brutal.

O Velho Liu riu entre dentes. "Depois, não aguentei. Então me casei com a irmã mais velha do rival. Fiz ele me chamar de cunhado pelo resto da vida."

"Magistral."

Três homens. Meio copo cada. Fizeram durar a noite toda.

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Qin Ming foi para casa. Limpou o arco de ferro com gravações de glifos de monstro. Fraco demais para ele agora — o quebraria se puxasse completamente.

"Ainda utilizável."

Ele encheu a aljava de couro com flechas de ferro. Empacotou roupas reserva num fardo.

"Amanhã é meio do mês." Ele olhou para o céu negro profundo.

Dormiu cedo. Corpo e mente afinados no máximo.

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Acordou na noite profunda. Descanso suficiente. A Noite Superficial ainda estava a horas de distância, mas ele empurrou o portão sem um som.

Escuridão total. Pessoas comuns não viam nada. Qin Ming, após a Nova Vida, conseguia distinguir formas vagas. Seus olhos tinham melhorado com todo o resto.

Ele evitou a fonte de fogo. Tomou o caminho mais remoto para sair da aldeia.

A neve caía há dias. Ficando mais pesada.

Seu cabelo negro se ergueu no vento noturno. Seu corpo era magro mas poderoso. Cada passo era seguro. Ele caminhou rumo às montanhas.

Os rostos feridos dos aldeões passaram por sua mente. O funeral do Tio Qian. Feng Yi'an entregando um cervo almiscarado com pesar ensaiado. Um cervo por uma vida.

Ele não podia suportar mais um momento. Hoje, ele se movia contra a patrulha.

Entrou na floresta calmo e firme. Sem nervos. Sem hesitação. Como andando por um caminho familiar para casa.

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Bestas uivavam. Formas negras cruzavam o céu. Na floresta abissal, olhos maliciosos apareceram — vermelho sangue, verde como fogo fantasma, prata frio. Todos fixos nele. Respiração. Batidas de asas. Perto. As montanhas da noite profunda eram letais.

Qin Ming acelerou.

Uma besta grande investiu. A faca de cortar relampejou — um arco branco através da escuridão. A cabeça caiu. Seiscentos jin de corpo sem cabeça desabaram. Sangue espirrou.

Silêncio. Cada olho na escuridão desapareceu.

Ele seguiu em frente. Atrás dele, o cadáver sem cabeça foi dilacerado por carniceiros. Rosnando. Alimentando-se.

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Ele alcançou o pico vizinho e observou a base da patrulha do outro lado do vão.

Ainda antes da Noite Superficial. Alguém já estava ativo. Um homem com cabelo negro cacheado, de quase dois metros, alimentando carne sangrenta ao Mastim Dourado.

Fu Entao. Qin Ming reconheceu a descrição — cabelo naturalmente cacheado. O homem mais forte do esquadrão. Já estava aqui.

Mais quatro emergiram das cabanas. Feng Yi'an. Shao Chengfeng. Outros dois.

"Chegaram cedo." Qin Ming franziu a testa. Provavelmente ontem.

Ele desceu a encosta e esperou na trilha abaixo — a única rota para a base. Quatro membros ainda não haviam chegado. Ele os interceptaria primeiro.

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A neve cobriu seu cabelo, seus ombros. Ele ficou imóvel. Uma figura em branco.

A Noite Superficial chegou. A névoa afinou. A escuridão recuou o suficiente para um Novo Vivente ver claramente.

Um homem apareceu. Manto de pele de animal, caminhando da direção da vila. Rosto familiar — estivera com Feng Yi'an na Vila Vinha Prateada naquele dia.

Qin Ming se moveu.

Como um trovão, ele fechou a distância e atingiu o homem corpo a corpo. Um estalo surdo. Ossos destroçados em todo o torso do homem. Seus olhos se arregalaram. Tentou gritar — não conseguiu. A mão já se fechara em sua garganta.

Crack. O pescoço se partiu. O aperto de Qin Ming era tão poderoso que as vértebras cervicais se desmancharam. A cabeça pendia, sustentada apenas pela pele. O rosto morto ainda mostrava terror e desespero.

Qin Ming arrastou o corpo para a floresta profunda. O homem cheirava a álcool e perfume. Não era de admirar que suas reações fossem lentas — bêbado, de ressaca de uma noite de devassidão. Um fim apropriado.

Ele revistou o cadáver, largou-o longe, e respirou fundo. Seu coração batia forte. Sua primeira morte.

Ele se preparara mentalmente. Ainda assim — desconforto.

Mas passou rápido. Ele caçara nestas montanhas. Vira sangue. Sua mente era dura.

"Vocês plantaram Lua Negra na fonte de fogo e massacraram aldeões por isso. Piores que qualquer besta ou ave de rapina nestas montanhas. Hoje eu acabo com todos vocês. Isto é justiça — aquilo em que acredito."

Ele se firmou. Esses homens não eram homens para ele. Eram bestas cruéis. Criaturas perigosas. Ele as abateria como abatia qualquer predador que ameaçasse a aldeia.

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O segundo homem veio através da neve. Alto. Blindado — similar ao equipamento de Shao Chengfeng.

Qin Ming sacou a faca de cortar. Hora de testar o fio.

O homem se aproximou. Na escuridão, um lampejo de luz de lâmina. Qin Ming detonou sobre a neve. Dez metros — desaparecidos num piscar de olhos.

O patrulheiro era melhor que o primeiro. Sentiu a ameaça, deu um passo lateral, mergulhou no chão.

Um Novo Vivente competente. Contra qualquer oponente comum, teria desviado.

Mas Qin Ming era mais rápido. Previra o movimento. A lâmina varreu — a cabeça do homem voou livre. Sangue arqueou sobre a neve. O corpo sem cabeça manteve seu impulso para frente e se chocou contra um monte.

Qin Ming abaixou a faca. Calmo desta vez. Sem ondas.

Neve pesada caiu — não flutuando mas batendo, impelida pelo vento contra seu rosto. Ele ergueu o olhar.

"Boa neve."

Vento e neve enterrariam cada rastro.

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Ele ficou na tempestade como uma estátua com uma lâmina. O terceiro homem veio. Depois o quarto.

Sem acidentes. Ambos morreram pela faca de cortar na floresta tênue. Golpes de relâmpago. Limpos.

Nenhum desconforto restava. Ele podia sorrir gentilmente para a pequena Wen Rui. Também podia caminhar para as montanhas e abater uma matilha de predadores que usavam rostos humanos e matavam aldeões por remédio.

Qin Ming caminhou rumo à base da patrulha. Firme. Sozinho. A faca pendia ao seu lado, ainda molhada.

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