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Capítulo 8: Uma Vez Iluminou as Nuvens

The Endless Night·Capítulo 8 de 21·~5 min de leitura

Atualizado: 2026-08-01 17:44

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Nesta era, a Noite Eterna cobria tudo. Criaturas luminosas eram raras — e quando uma aparecia, significava perigo. Perigo de verdade. Qualquer coisa ousada o bastante para brilhar num mundo cheio de predadores era ou poderosa além de qualquer medida ou estúpida demais para sobreviver. Geralmente a primeira opção.

Qin Ming escorregou da árvore e se comprimiu contra as sombras entre os troncos. Seu coração martelava.

Não era uma luz qualquer. Estava iluminando o céu.

Na era de antes, houve um sol. Houve uma lua. Os anciãos contavam histórias às crianças, e quando as crianças ficavam confusas, os anciãos diziam: «Se algum dia vocês virem um Bicho Lunar, saberão como a lua era.»

Não precisava que lhe dissessem. Você sabia. O Bicho Lunar era a única coisa no céu.

A luz subiu. Suave, depois ofuscante. Não mais uma forma de inseto — um disco de fulgor entrelaçado, como uma coroa pairando sobre os picos negros, derramando luz prateada sobre a floresta, sobre as cristas, sobre a neve.

O negro profundo das montanhas desapareceu. Tudo ficou prata pálida.

Qin Ming fitou. Sua garganta se apertou.

*Era assim o velho mundo?*

Ele sabia que o Bicho Lunar só iluminava duas colinas. A lua de verdade, diziam os anciãos, brilhara ao longo de dez mil milhas — uma grande luz. Mas isto — este fragmento — foi o bastante para partir seu coração.

Todo ser vivo jazia imóvel. O rei-javali, o que quer que o expulsara de seu território, os pássaros noturnos, os predadores — todos silenciosos, escondidos, rezando para não serem notados.

Um risco de luz cruzou o céu. O Bicho Lunar partiu. A prata se apagou. A escuridão desabou de volta.

Qin Ming ficou na escuridão, um vazio oco no peito.

*Quando eu me moverei pelo mundo assim? Quando a noite não será um muro?*

Não tinha tempo para sonhos. Os grandes predadores ainda estavam acovardados — ele se moveu.

Arrastou o cervo e o lobo sobre a crista, através da floresta, pelos campos de neve, e não parou até a Aldeia das Duas Árvores aparecer.

---

No portão da aldeia, algumas crianças corriam umas atrás das outras no frio.

«Irmão Qin — você matou um Cervo-de-Galhadas-Laminadas? Sozinho?» Um garoto magricela ficou boquiaberto.

As crianças viram o lobo-cabeça-de-burro de couro negro e se encolheram. Depois encararam a carne e engoliram em seco.

«Venham para minha casa», disse Qin Ming. «Vamos comer.»

Arrastou ambas as presas para casa e acendeu fogos imediatamente. Estivera cravejando carne crua no fim da viagem.

Liang Wanqing notou o sangue em seu ombro primeiro. «Você está ferido.»

«Arranhões.»

Lu Ze examinou — rasos, já com casca. Tudo bem.

O quintal se encheu de cheiro. Panela de ferro borbulhando. Perna de cervo no espeto, pingando gordura nas brasas, chiando.

O estômago de Qin Ming rugiu. Ele cortou uma fatia fina da perna — ainda quente demais — e comeu.

«Pronto. Bom.» Olhou para Wen Rui. «O tio cumpriu a promessa?»

Os olhos de Wen Rui se curvaram em meias-luas, assentindo furiosamente. «Tão bom. Não me lembro da última vez que comi carne. Tio, você é o melhor!»

Wen Hui, de dois anos, não conseguia mastigar perna assada. Ganhou purê de carne e fez bico enquanto os adultos riam.

Qin Ming comeu. Sem cerimônia. Seu corpo estava gritando por isso, e cada bocado parecia combustível sendo despejado numa fornalha. O suor escorreu. Vapor branco subiu de sua pele.

Ele podia sentir — tendões crescendo, juntas estalando, sentidos se aguçando. A Vida Nova não terminara. Estava acelerando.

Lu Ze e Liang Wanqing pousaram suas tigelas e ficaram olhando. Qin Ming continuou comendo. A fome era um abismo.

«O corpo dele ainda está mudando», disse Lu Ze, abalado. «De ontem até agora — e está acelerando. Onde vai parar?»

---

Crianças no portão. Rostos sujos, olhos brilhantes, atraídos pelo cheiro de carne assada. Tímidas demais para entrar.

«Eu falei no portão — entrem!» Qin Ming acenou para elas.

Entraram em fila. «Obrigado, Irmão Qin.» «O tio é o melhor.» Em minutos comiam como hamsters, as bochechas cheias, murmurando sobre como estava bom.

«Devagar. Tem mais.» Liang Wanqing lhes deu caldo.

As crianças já não podiam comer mais. Barrigas redondas, rostos radiantes. Qin Ming as mandou brincar.

A notícia se espalhou. Qin Ming matara um Cervo-de-Galhadas-Laminadas e um Lobo-Cabeça-de-Burro mutante. Sozinho. Neste pior inverno em anos, quando ninguém ousava as montanhas.

Uma menina de casaco remendado puxou a manga da mãe. «Mamãe, estou com fome.»

Outras crianças se penduravam atrás dos pais, olhando para a carne. Qin Ming conhecia aquela fome.

«Venham, todos vocês, sentem.» Olhou para os adultos. «Tios, não vou convidá-los para comer aqui. Mas cada casa — cinco libras de carne. Levem para casa.»

«Xiao Qin, não podemos—»

«Pronto.» Quarenta casas. Suficiente.

Alguém riu. «Qin Ming é bom demais. Vamos arrumar uma esposa para ele — ele já tem idade.»

«Nem pensar», disse Qin Ming rápido.

O quintal se encheu de risadas. As crianças se sentaram em fila, a gordura brilhando em seus rostinhos.

---

Yang Yongqing chegou.

«Xiao Qin, seja franco comigo. Vida Nova?»

Qin Ming assentiu. «Você disse que moças nobres poderiam descer. Disse para eu me esforçar. E as montanhas quase me mataram — isso acendeu o fogo. O corpo esquentou. Simplesmente... aconteceu.»

«Seu danado.» Yang Yongqing riu e apontou para ele.

Todos sabiam a verdade. Seu corpo estivera pronto. O resto foi catalisador.

«Vida Nova na idade de ouro. A primeira na Aldeia das Duas Árvores em décadas», disse o Velho Liu, a voz grossa.

Todos sabiam o que significava — em toda a região, era raro o bastante para fazer cabeças virarem.

O corpo de Qin Ming ardia como uma fornalha. O calor emanava dele. O suor evaporava em vapor branco até que ele ficou meio perdido nele.

«Atividade sanguínea assim — a minha não foi nada comparada», disse Yang Yongqing. Sua barba tremia.

Ele entendia o que estava vendo. Da coroa à sola dos pés, por dentro e por fora, Qin Ming estava queimando através da Vida Nova. Primeiro arrancando o morto — tecido velho, toxinas, impurezas — depois construindo o novo, como a primavera forçando brotos através da madeira do inverno.

Os olhos de Qin Ming ficaram pesados. Comera até se fartar, e agora uma sonolência profunda e primitiva o arrastava. Uma hibernação especial.

«Lu Ze, distribua a carne», disse. «E leve mais à família Zhou. A Vovó Zhou foi enterrada hoje.»

Jogou água gelada no corpo e se deitou na cama aquecida.

Os outros não captavam completamente o que estavam vendo. Mas Yang Yongqing sim.

O vapor branco grudou em Qin Ming como uma mortalha. Seu batimento trovejava — não rápido, mas fundo, cada pulso batendo como um tambor. A força sacudia o quarto.

*E ainda não terminou.*

As mãos de Yang Yongqing tremeram. Poderia este garoto, de uma aldeia esquecida, se aproximar dos prodígios da cidade brilhante?

Balançou a cabeça. Não. Talento de raiz era uma coisa, mas três gerações de recursos acumulados, manuais de alto grau, linhagens nobres — isso era outro mundo. O garoto e a garota que haviam deixado a cidade perplexa estavam além de qualquer comparação.

Não estavam?

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