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Capítulo 175: O menino que foi

Ascension Day·Capítulo 175 de 187·~4 min de leitura

Atualizado: 2026-08-01 09:01

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O sino flutuou em silêncio, observando Su Yan trabalhar. Um pensagem relampejou através de sua mente de bronze: não desejado, não convidado.

Se isso continuasse, Yuan Qi se tornaria o próximo Jin Buyi?

A serpente era teimosa, gananciosa e demasiado aficionada a reclamar. Mas havia seguido Su Yan através da morte e pior. Se Su Yan desaparecesse de novo, se algum novo poder apagasse sua memória e o deixasse em alguma aldeia, Yuan Qi buscaria. Reclamaria o caminho todo, mas buscaria.

A menos que tivesse fome e decidisse repartir a herança primeiro.

—A-Ying tem bastante acumulado —murmurou o sino—. Ervas espirituais de reinos ocultos, tesouros do Menor Xuantian. Essa serpente provavelmente tem estado planejando dividir o botim desde que deixamos Yongzhou.

Flutuou após Su Yan, sua resolução endurecendo.

—Farei com que busque. Mesmo que esqueça, eu lembrarei. Até que enferruje e me esqueça de mim mesmo, não pararei.

* * *

Su Yan encontrou a runa dourada enterrada em um canto da mente desvaneciente de Jin Buyi. Brilhava com uma luz que doía de olhar: obra de suas próprias mãos, de uma vida que nunca havia vivido.

Tocou-a. As memórias se agitaram, não as suas, mas ecos de si mesmo. Viu prisão após prisão, cubo após cubo da mesma runa, cada um contendo uma versão diferente dele. Corpo, Reino Interior, núcleo dourado, forno, alma: tudo fechado. Apenas o espírito verdadeiro permanecia livre, demasiado vasto para que qualquer selo o contivesse.

—O eu da era Shang resolveu isso —murmurou Su Yan—. Encontrou a falha na runa de prisão e escondeu a resposta aqui.

Essa versão de si mesmo havia enfrentado o mesmo problema: cada insight apagado pela névoa no momento em que o compreendia. Assim fizera o que Su Yan fazia agora. Escreveu. Codificou em uma forma que a névoa não podia tocar.

Su Yan estudou a runa dourada, e a sombra de um sorriso cruzou seu rosto. Por um momento, esqueceu que estava dentro da memória de um pássaro moribundo.

* * *

Jin Buyi dormitava na árvore Fusang, sua respiração agitando chamas entre os galhos. Em seus sonhos, velhas guerras se reproduziam em fragmentos: batalhas que não podia nomear, aliados que não podia recordar.

Seu olho se abriu. Algo abaixo cheirava a comida.

—Um grande verme —murmurou—. O pássaro madrugador captura o verme. O céu compadece-se do faminto!

Golpeou. Seu bico martelou contra a gaiola espacial que segurava Yuan Qi, saltando faíscas. A runa de prisão resistia, mal, mas o selo do sino não fora feito para suportar uma besta primordial.

—Divino Pássaro! Divino Pássaro! —Os refugiados correram, agitando os braços—. Prometeu ao恩人! Este é seu amigo! Deve protegê-lo!

Jin Buyi fez uma pausa. Penas brancas pendiam de seu rosto como borlas cerimoniais. Entrecerrou os olhos para Yuan Qi, depois para os refugiados.

—Ah. Lembro.

Os refugiados conferenciaram em sussurros preocupados. —A memória do divino pássaro não é boa.

Tinham razão. Momentos depois, Jin Buyi havia bicado um buraco na gaiola e segurava a cabeça escamosa de Yuan Qi em seu bico, tentando libertá-lo como um verme do barro.

—Divino Pássaro! Não!

Jin Buyi soltou a serpente ensanguentada. —Meu erro. O verme está bem?

Estalou o bico, saboreando o gosto que quase havia desfrutado.

Os refugiados designaram um vigilante permanente. Seguravam letreiros lembrando o pássaro de seus deveres. Jin Buyi leu o letreiro ao lado de Yuan Qi e suprimiu seu apetite.

—Um bom amigo! —anunciou, encantado.

* * *

Su Yan emergiu da memória sentindo como se tivesse vivido outra vida. Pestanejou ante a luz do sol, desorientado, e viu Yuan Qi deitado por perto com o crânio amassado.

—O que aconteceu?

Jin Buyi sacudiu a cabeça enérgica. —Inimigos. Provavelmente. Esqueço coisas.

Su Yan alimentou o antigo corvo com uma mistura de Essência do Dao Primordial e medicina de longevidade extraída de seus próprios reinos secretos. Os olhos do pássaro se aclararam. Sua memória de eventos recentes aguçou-se.

Tornou-se astuto. Decidiu nunca admitir o que havia feito.

Su Yan trabalhou através das runas que havia aprendido e reverteu o selo de prisão sobre Yuan Qi. O segundo selo — uma runa diferente, mais profunda e estranha — permanecia além de sua habilidade.

Yuan Qi se agitou, tocou sua cabeça ensanguentada, e olhou para Jin Buyi.

—Eu... caí. Em uma pedra.

Jin Buyi levantou uma asa e imitou um polegar para cima.

Um refugiado se aproximou.

—Um jovem lá fora diz ser um velho amigo do恩人. Nome de Xue Ying'an.

Su Yan endireitou-se. —Está vivo?

Xue Ying'an entrou com passo firme, sorrindo como o sol.

—Contei ao meu mestre que encontrei a raiz espiritual imortal! Ele não me matou! Estava errado em tudo!

Su Yan riu.

—Então devo um pedido de desculpas a Li Xiaoke.

O sino ressoou com alívio. —Disse que meu mestre era reto!

—Disse —admitiu Su Yan—. Não acreditei.

Os olhos de Xue Ying'an brilhavam.

—Meu mestre quer você na Crista Jiucai. Disse para convidar pessoalmente o Imortal Indecível.

Su Yan empacou suas coisas. O velho corvo estendeu o pescoço para baixo.

—Garoto. Ninguém pronunciou meu nome em milhares de anos. Você caminhou por minha memória. Sabe.

Su Yan apoiou sua palma contra as penas gastas do pássaro.

—Jin Buyi. O Jin Buyi que nunca é abandonado.

O corvo levantou a cabeça e riu: um som crepitante e antigo.

—Tenho um nome! Sou Jin Buyi! Nunca abandonado!

Su Yan desceu pela trilha da montanha com Yuan Qi e o sino. Atrás deles, o corvo continuava rindo, e em sua risada, agitaram-se lembranças que haviam dormido por mais tempo que os impérios.

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