A lua pendia como uma bandeja de prata, e o céu se eriçava de estrelas.
No topo de um penhasco, Xiao Yan estava jogado sobre a grama, com uma folha de capim entre os dentes, mastigando devagar e deixando o amargor se espalhar pela língua. Ergueu uma mão pálida diante dos olhos e, olhando através dos vãos entre os dedos, contemplou a enorme lua de prata.
"Ah…" Lembrando-se da prova da tarde, Xiao Yan suspirou, baixou a mão com preguiça e cruzou os braços atrás da cabeça, o olhar perdido.
"Quinze anos já…" O murmúrio suave escapou de seus lábios e se desfez na noite sem aviso.
No fundo do coração de Xiao Yan vivia um segredo que só ele conhecia: ele não era deste mundo. Sua alma não pertencia àquele lugar. Ele vinha de um planeta azul chamado Terra. Por que e como tinha ido parar ali era um mistério que ele não podia explicar, mas depois de viver ali por um tempo, ele finalmente compreendera a verdade com clareza tardia: ele havia atravessado entre mundos.
Com o passar dos anos, Xiao Yan passara a entender este continente em traços vagos e amplos.
A terra se chamava continente Dou Qi. Não havia ali feitiços de magia como contavam as lendas das histórias; em vez disso, o Dou Qi era a única força dominante deste mundo.
Ao longo deste continente, o cultivo do Dou Qi fora, graças ao esforço de inúmeras gerações, refinado até o seu auge. Por se propagar sem cessar, o Dou Qi acabara até por se infiltrar na sociedade comum, até se tornar inseparável da vida diária. Não é de estranhar que possuísse tamanha importância sem igual.
Com tanto Dou Qi em voga, haviam brotado da linha principal inúmeros métodos divergentes para cultivá-lo. Assim como os dedos de uma mão vêm em comprimentos distintos, também esses métodos eram fortes e fracos, grandes e pequenos.
Após uma cuidadosa classificação, o continente Dou Qi ordenava suas técnicas de cultivo em quatro grandes níveis e doze graus, do maior ao menor: Céu, Terra, Profundo e Amarelo.
Cada nível se dividia por sua vez em três graus: inicial, intermediário e alto.
O nível da técnica que alguém cultivava era um fator-chave em seus feitos futuros. Uma pessoa que dominasse uma técnica de nível Profundo e grau intermediário, no fim das contas, avassalaria naturalmente um igual que apenas treinasse um método de nível Amarelo e grau alto.
No continente Dou Qi, a força era medida por três condições.
A primeira, e mais importante, era o poder pessoal. Se a sua própria força atingisse apenas o nível de um guerreiro Dou de uma estrela, nem mesmo uma rara técnica de nível Céu e grau alto ajudaria muito a vencer um mestre Dou que treinasse um mero método de nível Amarelo.
A segunda era a própria técnica! Quando dois lutadores tinham o mesmo nível, quem comandasse a maior técnica levaria na hora todas as vantagens num duelo.
A terceira condição se chamava técnicas de batalha.
Como o nome indicava, eram habilidades especiais que liberavam o Dou Qi de alguém. As técnicas de batalha também tinham seus próprios níveis no continente, divididas em geral nos mesmos quatro: Céu, Terra, Profundo e Amarelo.
As técnicas de batalha no continente Dou Qi eram inúmeras, embora a maioria das comuns entre as massas só rondasse o nível Amarelo. Para obter algo mais profundo, alguém devia se juntar a uma seita ou entrar numa das academias de Dou Qi do continente.
É claro que alguns, que tropeçavam nas heranças de cultivo deixadas por antecessores mortos há muito, descobriam técnicas que vinham com técnicas de batalha à altura. Tais técnicas, nascidas de um método de cultivo e atadas a ele, eram muito mais poderosas quando usadas juntas.
Com essas três condições, alguém podia enfim julgar quem era forte e quem era fraco. Em suma, se alguém conseguisse possuir uma técnica de cultivo de nível superior, as vantagens para o futuro nem precisavam ser ditas.
Mas raros eram os métodos de alto grau à disposição das pessoas comuns. As técnicas que circulavam entre o povo eram, no máximo, de nível Amarelo. Algumas famílias mais fortes e seitas médias podiam possuir métodos de nível Profundo—como o próprio clã de Xiao Yan, cuja técnica mais alta, a Fúria Selvagem do Leão Louco, era reservada unicamente ao chefe do clã. Era uma técnica de atributo do vento, de nível Profundo e grau intermediário.
Acima do nível Profundo jazia o nível Terra, mas técnicas tão elevadas só podiam ser encontradas nas mãos de poderes transcendentes e grandes impérios.
Quanto ao nível Céu… não aparecia havia séculos.
Em teoria, obter uma técnica de alto grau era quase tão difícil quanto subir ao céu. Mas nada era absoluto. O continente Dou Qi era vasto, repleto de inúmeras raças. Ao norte viviam as tribos bárbaras, famosas pela força bruta e pela capacidade de se fundir com a alma das feras; ao sul habitavam todos os tipos de clãs de bestas mágicas de grande inteligência—e além delas, as raças das trevas, notórias pela astúcia e crueldade.
Como a terra era tão vasta, existiam muitos eremitas desconhecidos e anônimos. Quando tais almas solitárias chegavam ao fim da vida, costumavam esconder as técnicas que passaram uma vida criando em algum lugar remoto, esperando que alguém destinado as encontrasse. Um ditado corria pelo continente Dou Qi: se um dia você cair de um penhasco e aterrissar numa caverna, não entre em pânico. Ande dois passos para frente—e talvez você se torne um mestre.
Essas palavras não eram mentira. Nos últimos mil anos, a história do continente estava repleta de relatos daqueles que se tornaram fortes graças a tais encontros afortunados.
A consequência dessas histórias era simples: legiões de sonhadores se reuniam todo dia à beira dos penhascos, prontos para se lançar no vazio na esperança de reivindicar algum segredo sem par. É claro, a maioria voltava mancando, com os braços quebrados e as pernas destroçadas.
Em suma, este era um continente cheio de milagres—e um continente que os forjava.
É claro que, para cultivar uma técnica, alguém precisava ao menos se tornar primeiro um verdadeiro guerreiro Dou. E a distância entre onde Xiao Yan estava e esse limiar parecia, naquele momento, impossivelmente longa.
"Paff!" Cuspindo a folha de capim, Xiao Yan saltou de repente sobre os pés, o rosto retorcido de fúria. Rugiu para o céu noturno num arroubo de loucura: "Maldição! Você me arrasta até aqui só para me transformar num inútil? Droga!"
Em sua vida passada, Xiao Yan tinha sido um dos homens mais comuns entre os comuns. Dinheiro, mulheres—essas coisas nunca passaram para ele de duas linhas paralelas, que jamais se encontravam. No entanto, ao chegar a este continente Dou Qi, ele descobrira com surpresa que, graças às experiências que carregava de duas vidas, sua alma era muito mais forte que a das pessoas comuns.
Era preciso saber que, no continente Dou Qi, a alma era inata. Ela podia ficar um pouco mais forte com a idade, mas nenhuma técnica podia treiná-la sozinha—nem mesmo uma técnica de nível Céu! Tal era o conhecimento comum desta terra.
Essa alma fortalecida foi o que forjou o talento de cultivo de Xiao Yan—e também forjou seu nome como gênio.
Quando um homem de vida comum e sem brilho descobre que possui o capital para se tornar a inveja de todos, é preciso uma resolução extraordinária para manter os pés no chão. Claramente, Xiao Yan, que não passara de um homem comum em sua vida passada, não tinha tal compostura de super-homem. Então, uma vez que começou a cultivar Dou Qi, escolheu o caminho de um gênio famoso, aclamado por todos—em vez de crescer em silêncio nas sombras.
Se nenhum acidente tivesse ocorrido, Xiao Yan bem poderia ter carregado esse título de gênio enquanto crescia. Mas, ai, aos onze anos, o nome do gênio foi lentamente arrancado de sua testa por um súbito revés do destino—e numa única noite, o gênio se desmoronou até não ser mais do que o lixo zombado nos lábios de todo transeunte.
…
Depois de rugir à vontade, as emoções de Xiao Yan aos poucos se assentaram. Seu rosto voltou à habitual indiferença. Não havia o que fazer—por mais que se enfurecesse, ele não podia recuperar o vórtice de dou qi que tanto lhe custara cultivar.
Sacudindo a cabeça com amargura, Xiao Yan sentiu uma calada injustiça. Afinal, ele não fazia ideia do que acontecera com o próprio corpo. Cada inspeção de rotina não revelava nada fora do lugar. Sua alma, com os anos, só ficava mais forte, e a velocidade com que absorvia Dou Qi agora superava até seu auge de anos atrás. Cada um desses sinais dizia que seu talento nunca enfraquecera—e, no entanto, uma e outra vez, o Dou Qi que ele tão penosamente havia reunido se desvanecia sem deixar rastro. A estranheza de tudo aquilo deixava Xiao Yan com o coração pesaroso.
Com um suspiro resignado, Xiao Yan ergueu a mão. Em um dos dedos repousava um anel negro, antigo e sem adornos, fundido de algum material desconhecido e gravado com marcas difusas e borradas. Era o único presente que sua mãe lhe deixara antes de morrer. Ele o usava desde os quatro anos—dez anos já. Era a lembrança de sua mãe, e ele a guardava. Acariciando suavemente o anel, sorriu com amargura. "Nestes anos, eu realmente decepcionei as esperanças da mamãe."
Soltando um longo suspiro, Xiao Yan virou de repente a cabeça e falou com calor para a escura linha de árvores: "Pai, você veio?"
Embora sua Energia Dou estivesse apenas no terceiro grau, a percepção da alma de Xiao Yan era muito mais aguda do que até a de um guerreiro Dou de cinco estrelas. Enquanto falava de sua mãe, ele já sentira um leve movimento dentro da mata.
"Heh, Yan'er, o que você ainda faz aqui tão tarde?" Após um momento de quietude, uma risada preocupada se deslizou de fora da linha de árvores.
Os galhos se agitaram, e um homem de meia-idade saltou para fora, com um sorriso no rosto enquanto contemplava o filho de pé sob a luz da lua. Vestia um manto cinza refinado, e entre o seu andar e o seu porte havia certa dignidade; suas sobrancelhas grossas lhe davam um toque de bravura. Era o atual chefe do clã Xiao—e o pai de Xiao Yan. Um grande mestre Dou de cinco estrelas, Xiao Zhan!
"Pai, você também não dormiu ainda?" Olhando para o homem de meia-idade, o sorriso no rosto de Xiao Yan ficou um pouco mais profundo. Embora carregasse as memórias de sua vida passada, desde o nascimento este pai o cobrira de amor. E depois da queda de Xiao Yan, esse amor só crescera, sem jamais diminuir. Era uma atitude suficiente para fazer Xiao Yan chamá-lo de "Pai" de coração.
"Yan'er, ainda pensando na prova da tarde?" Xiao Zhan deu um passo à frente e riu.
"Heh, não há nada em que pensar. Eu já esperava." Xiao Yan balançou a cabeça com uma maturidade além de seus anos, embora o sorriso saísse rígido.
"Ah." Contemplando o rosto fino e ainda tenro de Xiao Yan, Xiao Zhan suspirou. Ficou em silêncio um momento antes de falar de repente. "Yan'er, você já tem quinze anos, não tem?"
"Sim, pai."
"Em mais um ano, parece… a cerimônia da maioridade vai se abater sobre você." Xiao Zhan sorriu com amargura.
"Sim, pai. Daqui a um ano." A mão de Xiao Yan se apertou ligeiramente enquanto respondia com calma. Ele sabia bem o que significava o rito da maioridade. Depois de passá-lo, se provasse não ter potencial para o cultivo, seria destituído do direito de entrar no Pavilhão Dou Qi e reivindicar uma técnica de cultivo. Em vez disso, seria designado para administrar os vários negócios do clã—meras tarefas cotidianas. Era a lei do clã, e nem mesmo seu pai, como chefe do clã, podia mudá-la.
Afinal, a menos que se tornasse um guerreiro Dou antes dos vinte e cinco anos, jamais seria reconhecido pelo clã.
"Sinto muito, Yan'er. Se, daqui a um ano, seu Dou Qi não tiver alcançado o sétimo grau, então com o coração pesaroso terei de te designar para os negócios do clã. Este clã não é governado só por mim, entende? Aqueles velhos não fazem outra coisa senão esperar que eu cometa um erro." Contemplando o sereno Xiao Yan, Xiao Zhan suspirou com remorso.
"Pai, vou me esforçar. Daqui a um ano, vou alcançar o sétimo grau de Dou Qi!" Xiao Yan sorriu, tentando confortá-lo.
"Um ano, quatro graus? Heh, se fosse antes, talvez. Mas agora… basicamente não há chance nenhuma." Mesmo consolando o pai, Xiao Yan zombava secretamente de si mesmo.
Xiao Zhan, que sabia exatamente como a terra estava, só pôde suspirar em concordância. Ele sabia o quão difícil era cultivar quatro graus de Dou Qi num único ano. Deu uma palmadinha leve na cabeça de Xiao Yan e sorriu de repente. "Está tarde. Vá descansar. Amanhã o clã tem um convidado de honra—não vá ser rude com ele."
"Um convidado de honra? Quem?" Perguntou Xiao Yan, curioso.
"Você vai descobrir amanhã." Piscando um olho para Xiao Yan, Xiao Zhan riu às gargalhadas e se afastou, deixando um Xiao Yan desnorteado.
"Não se preocupe, pai. Vou dar o melhor de mim!" Acariciando o anel antigo em seu dedo, Xiao Yan ergueu o olhar e murmurou.
No instante mesmo em que ergueu a cabeça, o negro e antigo anel de seu dedo acendeu de repente um tênue brilho sinistro. A luz se esvaneceu num piscar de olhos, sem que ninguém a notasse.