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Chapter 53: The Poem Was for the Deal, Not for Showing Off

Da Feng Da Geng Ren·Capítulo 54 de 54·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-20 06:10

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"O que vamos fazer? Trinta taelos gastos na reuniao de cha, e isso que se escolhermos uma donzela para a noite, ainda serao varios taelos por cabeca!" O Segundo Tio estava de cerrado, com a cara de um homem que voltou a pobreza da noite para o dia. Olhando para o filho com olhos suplicantes, acrescentou: "Cijiu, pensa em algo."

Era isso uma questao de dinheiro? O verdadeiro problema era que nao tinham arrancado um fio de informacao. Ambos os irmaos gritavam por dentro.

Xu Xinnian olhou para ele. "O que posso fazer? Sempre foi questao de sorte. Eu e o irmao mais velho viemos por curiosidade—o pai nao tinha nenhuma consciencia de si?"

O tom dele era mais duro que o habitual, o que significava que tambem estava nervioso.

Dessa vez tinham perdido tudo. A prata era secundario; o verdadeiro ferimento era ir embora de maos vazias. Xu Qian deu uma olhada no jovem Zhao que uma donzela levava para o lado, e de repente lembrou do titulo da cortesa reina: "Suprema na Musica e na Poesia".

Imediatamente pediu a uma criada papel, tinta e pincel.

Limpou um espaco na mesa, agarrou Xu Xinnian pelo braco e disse: "Cijiu, escreve por mim."

Xu Xinnian nao hesitou. Com a sincronia instintiva de um irmao ja arrastado nos enredos do irmao mais velho mais de uma vez, sentou-se direito e segurou o pincel.

Xu Qian recitou a toda velocidade: "Todas as flores caem e murchem, so ela floresce em solidao, / Reivindicando todos os encantos que o pequeno jardim possui."

Xu Xinnian desenhava o pincel como se voasse, tracando uma caligrafia cursiva de ossatura limpa.

Xu Qian continuou: "Sombras dispersas se estendem sobre aguas cristalinas, / Fragancia oculta flutua na luz dourada do crepusculo."

Xu Xinnian parou de escrever. Ficou petrificado, labios movendo-se em silencio, repetindo as duas ultimas linhas como quem ouve trovoes num ceu limpo.

"Escreve!" Xu Qian o empurrou.

Xu Xinnian saiu do transe, rosto tenso, e terminou de escrever rapidamente.

Xu Qian arrancou o papel, chamou uma donzela e apertou um punhado de prata solta na palma dela. "Entrega este poema a Dama Fuxiang. Diz que o Mestre Yang aguarda a resposta dela."

A donzela pareceu reticente, mas a prata mudou sua opiniao instantaneamente. Saiu correndo.

...

No aposento principal, uma parede divisoria de quatro paineis separava a banheira do resto do comodo. Vapores etereos serpenteavam em direcao as vigas do teto.

A Dama Fuxiang repousava em agua quente coberta de petalas de rosa, o cabelo escuro preso alto, o comprido pescoço branco e reluzente, os ombros e o peito cobertos de gotas que refratavam a luz das velas com um brilho fascinante. A pele dela, lisa como cera de cera, a assemelhava a uma estatua de jade viva.

Uma donzela pessoal a servia na beira da banheira, elogiando a pele da ama enquanto conversava: "O jovem Zhao esta esperando na sala de cha ao lado. Os cavalheiros de fora dizem que ele e estudante da Academia Imperial."

"O que tem de especial um estudante?" A Dama Fuxiang sorriu, agitando a agua com delicadeza. "Embora com o talento do jovem Zhao, passar no exame provincial nao seria dificuldade nenhuma."

A donzela se riu. "Sabia que a ama gostava dos tipos cultos. Aquele Zhou Li insuportavel so se infla pelo cargo do pai. O jovem Zhao e genuinamente brilhante; espero que a ama o trate bem. Quem sabe, talvez surja algo belo e o nome de uma mulher fique na historia."

"Agora voce tambem esta zoando de mim..." A Dama Fuxiang cutucou a testa da donzela e suspirou. "Que dificil e para uma mulher gravar seu nome na historia. E algo que os eruditos sonham mas nunca alcancam."

A porta do aposento se abriu. Uma donzela jovem entrou e anunciou no salao: "Ama, o convidado de sobrenome Yang pediu que entregasse um poema."

A Dama Fuxiang franziu a testa. A donzela major repreendeu: "Que falta de respeito! A ama ja escolheu o jovem Zhao. Como alguem ousa tentar mudar sua decisao? A ama foi subornada?"

A donzela jovem baixou a cabeca, timida demais para replicar.

A Dama Fuxiang disse com frialdad: "Deixa na mesa. Vai dizer ao convidado que agradeco o gesto."

A donzela jovem respirou aliviada, deixou o papel na mesa e saiu.

Depois do banho, a Dama Fuxiang se envolveu num xale de gaze tao fino que sua figura se adivinhava com tentadora sugestao. Descalca, deslizou ate a mesa e sentou-se.

"Vai convidar o jovem Zhao," disse, o olhar caindo sobre o papel de arroz. Pegou-o ao acaso.

Entao seu olhar se congelou. Ficou olhando o papel como se o mundo tivesse parado.

*Dedicado a Dama Fuxiang, no Pavilhao da Sombra do Pessego*

Todas as flores caem e murchem, so ela floresce em solidao, Reivindicando todos os encantos que o pequeno jardim possui. Sombras dispersas se estendem sobre aguas cristalinas, Fragancia oculta flutua na luz dourada do crepusculo.

A donzela major chegou a porta, mao no puxador, pronta para chamar o jovem Zhao, quando ouviu a voz da ama por tras dela, aguda e desesperada: "Espera!"

Virou-se. A Dama Fuxiang estrujava o papel com as duas maos, tremendo, com uma expressao que a donzela nunca tinha visto antes. Nao era raiva, nao era alegria, nao era tristeza. Era algo cru e sem nome.

A voz da cortesa reina cortou o ar: "Quem—quem enviou este poema? Que cavalheiro e? Diga agora!"

A donzela gaguejou: "Creio que o sobrenome era Yang..."

A Dama Fuxiang se atirou em direcao a porta, quase sem se deter a ajustar o xale.

"Ama, ama, assim nao pode sair, por favor—" A donzela a abracou com forca.

"Solta! Solta!" O rosto da Dama Fuxiang estava encendido. "Nao deixe aquele cavalheiro ir embora! Va atrazel, rapido!"

A donzela nao entendia. Nao era mais que um poema. E no entanto destruiu a compostura da ama por completo: a elegancia, a calma, a graca cultivada, tudo abandonado num instante.

"Ama, por favor, acalme-se. Eu vou... vou encontrar o cavalheiro que o escreveu."

Depois que a donzela saiu, a cortesa reina sentou-se desalinhada na mesa, olhando o papel com os olhos vidriosos.

"Sombras dispersas se estendem sobre aguas cristalinas... Fragancia oculta flutua na luz dourada do crepusculo... Dedicado a Fuxiang, dedicado a Fuxiang..."

Lagrimas roleram por suas bochechas de porcelana e desabou sobre a mesa, solucando.

...

No salao principal, alguns convidados ja tinham saido. Outros permaneceram.

Ao terminar uma reuniao de cha, os pretendentes rejeitados tinham duas opcoes: passar a outra casa de placer para outro turno, ou, se o álcool pesasse e estivessem cansados, escolher uma das donzelas para accompanhar a noite.

"Teu poema parece nao ter comovido a Dama Fuxiang." Xu Pingzhi olhava para o sobrino com preocupacao evidente.

O poema fora entregue. Mas a resposta foi uma frase depreciativa e trivial.

Claramente, o poema de Xu Qian nao impressionou a cortesa reina.

Xu Xinnian fez um gesto de desprezo. "Como uma mulher qualquer vai compreender a essencia da poesia?"

Xu Pingzhi fixou o olhar no filho. "O poema de Ningyan era realmente tao bom?"

O orgulhoso Xu Xinnian—pelo menos no que diz respeito a poesia—ha muito aceitara a superioridade do irmao mais velho. Suspirou. "Extremamente bom. Mais que bom."

Xu Qian tambem estava perplexo. Tinha absoluta confianca neste poema. Este septeto regulado era uma das composicoes mais celebres de toda a historia literaria chinesa. Os dois ultimos versos eram universalmente considerados o apogeu da poesia do pessego em flor.

*"Sob a geada solitaria do inverno, dois versos alcancaram a fama eterna"*—assim se dizia destes versos. Dois versos, fama eterna. Que honor colossal!

Os poemas *Fragancia Oscura* e *Sombras Dispersas* ate se tornaram nomes de padroes poeticos; sua estimacao entre os literatos antigos era indiscutivel. Ouyang Xiu, Sima Guang e outras luminarias deram a estes versos a maxima calificacao possivel.

O poeta que os escreveu alcancou a imortalidade literaria por meio desta obra. Embora... ahh... quem foi esse poeta na realidade, Xu Qian esqueceu.

*Isso nao faz sentido. Ela nao tem motivo para me rejeitar. Se eu tivesse dado este poema aos dois Grandes Mestres Confucianos da Academia do Cervo Blanco, teriam me adotado como filho proprio.* Entao uma possibilidade lhe cruzou a mente: talvez a cortesa reina que se dizia Suprema na Musica e na Poesia fosse na verdade toda pose e nada de substancia.

Uma reputacao fabricada. Uma persona cultivada. Em essencia, alguem sem educacao real.

Mas havia uma paradoja nessa teoria. Se a Dama Fuxiang nao fosse mais que um vaso decorativo com reputacao falsa, os literatos jamais a teriam reconhecido em primeiro lugar.

Na vida anterior, artistas constroem imagens por hype e marketing. As cortesas desta epoca faziam algo parecido, mas estas ultimas tinham habilidades reais.

A razao era simples: os eruditos antigos nao eram tao faceis de enganar quanto os jovens modernos.

Enquanto franzia a testa em consternacao, a donzela major que servia a Dama Fuxiang veio fazendo clique com suas zapatilhas em passos rapidos e medidos. O olhar ansioso varreu a multidao e, quando encontrou Xu Qian, sua expressao se suavizou. Chegou com elegancia, fez uma reverencia e disse com voz melosa:

"Mestre Yang, foi o senhor quem escreveu o poema?"

Os tres homens da familia Xu se olharam mutuamente. Uma onda de alivio os percorreu.

"Eu fui." Xu Xinnian assentiu.

A donzela iluminada, sua atitude se tornou ainda mais deferente, cabeca inclinada, voz suave como seda. "Minha ama solicita sua companhia."

Xu Qian manteve sua compostura, assentiu e a seguiu em direcao aos aposentos privados do outro lado do pavilhao.

A cena provocou olhares entre os convidados que planejavam passar a noite no Pavilhao da Sombra do Pessego. Sussurraram entre si.

"Hein? Ele tambem vai entrar?"

"Isso... isso vai contra as regras, nao? Dois homens entrando?"

"Algo sobre um poema, acho. O vi a ele e aquele jovem bonito escrevendo algo."

Um homem de meia-idade, vestido como rico chefe de familia, se aproximou de Xu Xinnian e Xu Pingzhi e cruzou as maos. "Cavalheiros, pergunto-me, o que tudo isso significa com a Dama Fuxiang? Por que aquele sujeto acabou de entrar? Que poema escreveram?"

O que achou deste capítulo?

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