Tique. Taque. Tique. Taque.
Zhang Yu se curvava sobre a mesa, preenchendo uma prova interminável. Não importava o quão rápido escrevesse, ela nunca terminava. Seu assento se afastava cada vez mais dos outros alunos, as silhuetas deles engolidas pela escuridão que se aproximava por trás.
Suor frio escorria pela testa. O pânico subia no peito. A mão enfraquecia, a caneta perdia a força —
Ele afundou na escuridão sem fundo, livros e papéis caindo ao redor, e acordou com um arfar.
*Um sonho.*
*Memórias. Memórias de outra pessoa.*
Ele esfregou a cabeça. Fragmentos do antigo dono daquele corpo giravam em sua mente, instáveis, incompletos. Ele tinha assumido aquele corpo, mas as memórias antigas não tinham se fundido completamente — muitos detalhes só afloravam quando ele se concentrava.
As memórias do ritual estranho de ontem, em particular, lhe davam vertigem. Ele não conseguia lembrar o que tinha acontecido.
Olhou o celular. Cinco da manhã. Tentou voltar a dormir — e descobriu que não conseguia. Como se acordar às cinco para a escola tivesse se tornado o próprio instinto do corpo.
*Por que me sinto culpado deitado aqui?*
Sentou-se. A influência das memórias originais, provavelmente.
O estômago estava vazio. Levantou-se. *Tudo bem. Vou para a escola. Ao menos como de graça.*
A Songyang High fornecia três refeições por dia, e a taxa deste mês já estava carregada no cartão. Com setecentos mil yuans de dívida e pouco mais de cinquenta yuans no bolso, ele não podia comer em nenhum outro lugar.
Saiu do apartamento abafado, atravessou becos cheios de esgoto e se espremeu no ônibus com uma multidão. O ar era um coquetel de suor e comida; o ar-condicionado bem que podia estar desligado. Ele se sentia como uma marmita, esmagada e sacudida, sendo entregue ao centro da cidade.
Noventa minutos e duas baldeações depois, encharcado de suor, finalmente desceu do ônibus.
*Por que eu estudo fora, afinal?*
*Ah, certo. Não posso pagar o dormitório.*
As ruas aqui não se pareciam em nada com o bairro dele: torres reluzentes, avenidas largas e limpas, até o ar tinha gosto de fresco. Homens e mulheres bem vestidos andavam como elites urbanas.
Finalmente, chegou ao portão da escola. De longe já via as palavras: ACADEMIA AVANÇADA DE CULTIVAÇÃO SONGYANG.
Uma tela digital ao lado do portão mostrava uma tabela de notas — os dez primeiros de cada série, os resultados do mês passado. Era imediatamente óbvio que a Songyang High valorizava resultados acima de tudo.
Resumindo em uma frase: na Songyang High, notas eram tudo. Neste mundo, todos eram julgados pelas notas. Estudar e fazer provas era tão natural quanto respirar, e a discriminação por notas era generalizada.
*Nota tão baixa, não admira que você fique tanto tempo na fila do almoço. Nota tão baixa, você não tem direito de sentar na nossa mesa. Os melhores alunos devem humilhar os medíocres por completo* — tudo isso era positividade de campus.
*Este é um mundo governado pelas notas*, pensou Zhang Yu. *Um inferno para os medíocres.*
Ele olhou a tela: «Nota total do primeiro ano, 10º lugar: Zhang Yu.»
*Graças a Deus estou do lado alto. Mesmo que meu ranking seja um pouco imerecido, ninguém descobriu ainda. Ainda posso viver com alguma dignidade na escola.*
O refeitório servia café da manhã, e Zhang Yu seguiu as memórias até lá. A fila era longa mas silenciosa — os alunos faziam fila, pegavam comida e comiam com precisão mecânica, como engrenagens se encaixando perfeitamente. Alguns comiam lendo, espremendo estudo de cada minuto.
Ele encontrou um lugar e mordeu um pão de carne. Uma garota sentou-se à sua frente.
Cabelo preto comprido, rosto pálido. O nome aflorou em sua mente: