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Capítulo 15: Quatro Anos Depois

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 15 de 33·~6 min de leitura

Atualizado: 2026-08-08 11:06

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O Doutor Mo estava muito satisfeito por Han Li poder dedicar todo o seu tempo ao cultivo.

Mesmo assim, achava o progresso de Han Li na Fórmula Sem Nome demasiado lento.

Nos últimos anos, a doença que afligia o Doutor Mo parecia ter piorado. Cada dia ele tossia com mais frequência, e cada acesso de tosse se prolongava por mais tempo.

À medida que seu corpo se deteriorava, o Doutor Mo parecia se tornar ainda mais atento ao progresso de Han Li. Na urgência repetida de suas contínuas exortações podia-se ouvir a inquietação de seu interior.

O Doutor Mo evidentemente estimava muito Han Li. Não só lhe pagava bem mais prata do que aos discípulos comuns, como se havia combinado, mas também o olhar que lhe dirigia nos momentos ordinários era dos mais peculiares, como se contemplasse um tesouro raríssimo, guardando-o com todas as forças.

E no entanto Han Li, agora que sua Fórmula alcançara o terceiro nível, se tornara bastante fino de sentidos, e não podia deixar de notar que, por trás de todos aqueles olhares amáveis e carinhosos, se misturava de vez em quando algum vestígio de ganância e desejo que o inquietava.

Aquelas expressões lhe arrepiavam a pele. Ele sempre sentia que o Doutor Mo que dava vazão a tais olhares não o contemplava como a um homem vivo, mas como a uma coisa.

Isso o deixava um tanto perplexo. O que poderia ele ter que o Doutor Mo cobiçasse?

Claro que nada — respondia a si mesmo com certeza.

Às vezes Han Li chegava mesmo a pensar que se tornara demasiado sensível por causa do excesso de prática, e se recriminava em privado por difamar o Doutor Mo, por se mostrar ingrato para com seu benfeitor.

E mesmo assim, sem saber dizer por quê, no canto mais recôndito de seu coração ele conservara uma medida de recelo para com o Doutor Mo, e com o passar do tempo aquele recelo não fazia senão crescer.

Agora um problema grave se erguia diante de Han Li: ele tropeçara num gargalo em seu cultivo. E, pior ainda, com tantos anos de prática extenuante e de doses generosas de medicinas, as valiosas drogas que guardava o Doutor Mo se haviam consumido até a última.

Era evidente que Han Li não era nenhum gênio abençoado pelo céu, e sem o auxílio das medicinas seu cultivo se estancou por completo.

Isso fez com que Han Li se sentisse profundamente envergonhado diante do Doutor Mo.

O Doutor Mo havia derramado quase todo o sangue de seu coração e todos os seus bens em Han Li, criando para ele as melhores condições de cultivo, e no entanto Han Li não podia satisfazer suas exigências.

Han Li sentia que mal podia olhar de frente para o Doutor Mo, para as suas sempre ansiosas perguntas.

Por mais estranho que parecesse, e sem que se soubesse por quê, o Doutor Mo, apesar de sua formidável arte marcial, não conseguia discernir os pormenores do cultivo de Han Li. Tomar-lhe o pulso só lhe revelava uma mínima parte de seu progresso, e por isso, durante todos aqueles dias, não tivera a menor ideia da dificuldade que espreitava seu pupilo.

Não fazia muito, Han Li, intranquilo de coração, confessara por fim com franqueza ao Doutor Mo a sua situação.

Quando o Doutor Mo ouviu que Han Li não progredira nada na Fórmula num ano inteiro, sua tez amarelada empalideceu um tanto, e seu rosto, já de si inexpressivo, se tornou ainda mais sombrio.

O Doutor Mo não o repreendeu. Só lhe disse que ia descer da montanha por um tempo, procurar algumas ervas medicinais, e lhe pediu que se esforçasse no cultivo enquanto isso, que não afrouxasse na prática da Fórmula.

Dois dias depois, carregando sua bagagem e seus instrumentos de coletor de ervas, o Doutor Mo saiu sozinho da Seita dos Sete Mistérios.

Depois que ele partiu, em todo o Vale das Mãos Espirituais não restou senão Han Li.

O outro irmão mais velho e amigo íntimo, Zhang Tie, desaparecera de repente dois anos antes, ao dominar o terceiro nível da Arte da Armadura de Elefante. Só havia deixado uma carta de despedida, na qual dizia que iria forjar um nome para si no jianghu, e isso alvoroçara toda a Seita dos Sete Mistérios. Depois se soube que o Doutor Mo saíra a interceder por ele, o que livrara de encrencas o seu recomendador e os seus parentes. Uma partida tão repentina entristeceu Han Li por vários dias, e quando a foi pensando devagar, ela lhe pareceu suspeita — mas ele era jovem, sua palavra não tinha peso, ninguém o interrogou, e o assunto ficou sem se resolver. Mais tarde Han Li conjecturou que Zhang Tie, assustado de empreender o quarto nível da Arte da Armadura de Elefante, se escapulira talvez sem que ninguém notasse sua ausência.

Depois de praticar alguns dias dentro do vale, sem ver melhora alguma, e sendo ademais de temperamento juvenil, Han Li saiu do Vale das Mãos Espirituais e se pôs a vaguear pelas Montanhas Caixia.

Ao andar por aqueles atalhos de montanha, tão conhecidos e ao mesmo tempo um tanto estranhos, Han Li sentiu uma leve pontada de emoção.

Em todos aqueles anos, por devoção ao cultivo, Han Li estivera tão confinado quanto um prisioneiro, sem dar um passo para além do pequeno vale.

Os companheiros de fora, calculava ele, já haviam esquecido havia tempo que existia um irmão mais velho chamado Han Li.

Pelo caminho, toparia com alguns discípulos que patrulhavam a montanha, e ao verem suas vestes de seita mas um rosto desconhecido, aproximavam-se prevenidos para interrogá-lo; custou-lhe um bom número de explicações livrar-se deles.

Para evitar aborrecimentos desnecessários, Han Li se cingiu às estreitas veredas de cabras, buscando os passos afastados e rehuindo os cantos concorridos onde abundavam as línguas.

E assim foi: pelo caminho já não houve mais daqueles enfadonhos interrogatórios, e ele foi se afastando a seu bel-prazer, cada vez mais longe.

Contemplando paisagens bem distintas das do vale, escutando os gorjeios de toda a sorte de avezinhas, Han Li pôs todos os seus cuidados nas costas.

Então, de súbito, do sopé de um penhasco bastante oculto, chegaram abafados os choques de armas, junto com as vozes de uma multidão de homens que praguejavam e animavam.

Um lugar tão afastado! Tanta gente reunida ali! E um estrépito tão acalorado!

Despertada sua curiosidade, a Han Li já não importou ser interrogado. Seguindo o som da luta, chegou às imediações daquele penhasco.

Que cena imponente! Não pôde evitar ficar por um instante pasmado, completamente desconcertado.

Sob aquele penhasco, oculto por inteiro entre as árvores, se haviam reunido não menos de cem pessoas, tantas que atulhavam aquele espaço antes pequeno até estourar. Mesmo em algumas árvores grandes próximas, havia gente de pé sobre os galhos, espreitando.

Dentro do círculo formado por toda aquela gente, dois bandos se enfrentavam com hostilidade patente.

O grupo da esquerda era o mais numeroso, com até onze ou doze; o da direita, menor, tinha apenas seis ou sete.

Han Li notou que todos eles, fossem dos espectadores ou dos que estavam no centro, rondavam a sua própria idade, meros rapazes de poucos anos.

Um lampejo de sorriso aflorou no rosto de Han Li. Que coincidência!

Entre toda aquela gente, reconheceu com facilidade algumas caras velhas e conhecidas.

— Wan Jinbao, Zhang Dalu, Ma Yun, Sun Lisong... hã! Wang Dapang está mais rechonchudo do que nunca, e não é de admirar, com o que a família dele vende em cozinha — come bem, e isso se nota! E este aqui é, é Liu Tietou, tsk, tsk — o magrelo de cara de carvão de antanho se tornou um jovem alvo e bonito! — Han Li, que também se encarapitara numa árvore, ia passando em revista, de modo zombeteiro, as caras conhecidas lá embaixo.

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