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Chapter 63: A Verdadeira Face

A Record of a Mortal's Journey to Immortality·Capítulo 63 de 75·~6 min de leitura

Atualizado: 2026-08-13 00:54

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Han Li, tendo dado voltas e mais voltas sem número, deteve-se ao fim.

"—Se hei de fechar este trato ou não, não o decidirei até que o veneno não possa já adiar-se —não pôde senão pensar, com muita relutância."

Então lançou um olhar ao gigante fora da porta e, lembrando aquelas estranhas palavras ao fecho da carta de últimas vontades, sentiu que uma curiosidade lhe fervia; resolveu provar o método que a carta ensinava para controlar o gigante.

Han Li se abaixou, e do monte de artigos tirou uma campainha de bronze amarelo. Não era grande coisa — uma só palma podia sustê-la em plano —, mas estava lavrada com requintada fineza, as suas proporções equilibradas em harmonia, obra à primeira vista de mão mestra. A única coisa que a distinguia de qualquer sino comum era um leve rasto de sangue que manava dentro da parede do sino, chocante e estranho à vista.

Han Li estudou este engenho, chamado o "Sino da Convocação da Alma," longo e com cuidado, e não podia ver em que residia o seu poder; que esta coisa, como dizia a carta, pudesse submeter tão pavoroso monstro como o gigante — era para além do crível!

Com a campainha assente na palma esquerda e um punhal tomado com descuido na direita, Han Li saiu com cautela pela porta de pedra, e se arrastou lentamente para o gigante.

Quando chegara a umas duas braças do gigante, Han Li se deteve, pouco disposto a aproximar-se mais, para se guardar contra algum percalço.

Naquele momento, o gigante estava de costas para Han Li, dereitamente hirtamente.

"Tan!" Uma nota clara e nítida soou da campainha, quando Han Li a bateu ligeiramente com o punhal.

Han Li franziu o sobrolho. O som parecia não diferir do de qualquer sino comum; podia ser isto o que submeteria o gigante?

Alguma hesitação lhe entrou no peito; inclinou um pouco o corpo, pronto a lançar-se de volta à câmara de pedra se algo corresse mal.

Ao som do sino, os ombros do gigante deram um leve sacudão, como se tivesse sentido algo. Transbordando de alegria, Han Li se pôs a bater o sino de bronze de novo, sem pausa.

"Tan! Tan!..." As notas soaram uma após outra, e todo o corpo do gigante começou a tremer em compasso com elas; ao fim até os seus passos se tornaram inseguros, o seu corpo não pôde já ter-se firme, e com uma pesada queda se despenhou no chão de bruços, inconsciente.

A vasta mole do gigante ao chocar com a terra seca levantou não pouco pó, que fez ao inadvertido Han Li espirrar várias vezes seguidas, em muito lastimoso transe.

Mas Han Li não pensou em tais bagatelas; atirou-se sobre o gigante num santiamém, e lhe arrancou o capuz da cabeça, descobrindo um rosto tão inchado que à primeira vista dele, até a Han Li se lhe arrepiou a carne de horror.

Apertando os dentes contra o desgosto que lhe subia, sem atrever-se a olhar o rosto demasiado de perto, Han Li se passou presto o punhal pela própria munheca, deixando correr o sangue com liberdade, e o rociou sobre o rosto do gigante — até que toda aquela grande face ficou emplastada espessa dele. Só então apertou a ferida, e da sua própria roupa se apressou a achar uma tira limpa de pano, e a atou à volta do talho para estancar o sangue que corria. Logo, calmo e sereno, se afastou e observou a resposta do gigante.

Uma coisa maravilhosa veio a passar. Todo aquele sangue se filtrou, devagar, até à mesmíssima pele do rosto do gigante, sem deixar cair nem uma gota para trás; e Han Li ficou de boca aberta, pasmado, sem reparar sequer em que o seu dedo, que apertava com demasiada força a ferida, deixara que o sangue rezumasse de novo de sob o pano.

Quando o sangue fora bebido por inteiro, o gigante abriu os olhos, e se ergueu lentamente em pé. A sua maneira era apagada e vazia, os seus dois olhos sem luz, sem que se agitasse neles o menor sentimento.

Mas quando o gigante volveu a cabeça, e o seu olhar se encontrou com o de Han Li, Han Li sentiu que a cabeça lhe dava um "zum" — uma estranha emoção, ao mesmo tempo estranha e conhecida, se ergueu no seu coração, como se algo alheio se tivesse de súbito enraizado no mais recôndito aposento da sua alma; e esta coisa, como um cão de há muito usado à casa, se apertava a Han Li, chamando-o com um carinhoso, pegajoso gemido.

Por um momento Han Li se sobressaltou; mas foi pronto em recobrar-se, pois viu que o gigante se desfizera da sua anterior face morta e tesa, e o seu rosto estava agora cheio de uma pronta submissão, dando a Han Li a mais estranha sensação de que tinha a vida e a morte do tipo inteiramente nas suas próprias mãos.

Dominando a alegria dentro de si, Han Li deu ao gigante uma ordem de prova, em voz baixa.

"—Vai e destroça essa porta de pedra."

Sem uma palavra, o gigante deu umas quantas grandes passadas até à porta de pedra, ergueu ambos os punhos fechados ao alto e, brandindo-os como um grande martelo de ferro, a fez em pedaços em três ou cinco golpes; logo, veloz como um turbilhão, se volveu e veio ficar junto a Han Li, aguardando a sua seguinte ordem.

Han Li, que jamais fora homem de grandes arrebatamentos de alegria ou de pena, não podia agora impedir que a sua boca se abrisse num sorriso de puro deleite. Com tão fornido lutador sempre à sua mercê, que perigo comum poderia pesar já no mais mínimo sobre ele?

Assim, Han Li seguiu tramando com deleite os vindouros dias de ventura, enquanto escrutinava todo o corpo do gigante uma e outra vez com ávido olhar.

Quanto mais olhava o gigante, mais satisfeito ficava; e aquele rosto, que um momento antes julgara demasiado feio, agora lhe parecia estranhamente aposto, e até se ia carregando mais e mais de um talante que não podia senão chamar familiar.

"—Familiar? —Sobressaltado por este sentimento dentro de si, Han Li não pôde senão maravilhar-se disto."

Num rosto tão feio, que jamais vira antes na sua vida, como poderia pôr o dedo em familiaridade alguma?

Abrigando esta dúvida, Han Li se pôs a estudar o nariz e os olhos do gigante com cuidado, procurando a causa disto.

Por graus achou que, se se devolvessem as feições inchadas do gigante à sua forma verdadeira, reduzidas um só tamanho e recompostas de novo, o rosto não era em absoluto desagradável — era, em verdade, uma face muito honrada e aberta: uma fisionomia que Han Li conhecia até aos ossos.

A cor fugiu das faces de Han Li. Por longo tempo ficou mudo; logo, ao fim, estendeu ambas as mãos, e acariciou o rosto do gigante com a maior ternura.

"—Irmão Zhang... és em verdade tu? —As palavras saíram fundas e baixas, num tom muito quieto."

A face, recomposta de novo, guardava uma pasmosa parecença com o seu bom amigo "Zhang Tie," que se perdera estes vários últimos anos; e, pondo isto junto às estranhas palavras que o Doutor Mo deixara ao fecho, Han Li estava inteiramente dez partes seguro de que o gigante devia ter algum fundo parentesco com Zhang Tie. Podia ser de verdade, como dizia a carta, que este gigante diante dos seus olhos não fosse mais do que a casca do corpo de Zhang Tie, a sua alma partida desde há tempo? E como, contudo, o seu corpo se tornara tão alto e terrível?

O que achou deste capítulo?

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