O vento gritava através dos picos. Galhos se partiam. A neve se agitava do chão e se misturava com a queda pesada até o mundo ser um muro branco.
Qin Ming caminhou sozinho através da tempestade até o pé da montanha da patrulha.
Ele enterrou seu arco, flechas e fardo num buraco de neve. Cobriu-os. Pesou a tampa com pedras pesadas.
Tomou quatro lanças de ferro dos patrulheiros mortos e começou a subir a encosta.
Escalou em silêncio. A cinquenta metros do terreno plano no topo, parou.
O Mastim Dourado já deveria tê-lo farejado. Apenas a nevasca o salvava — vento e neve embaralhando cada rastro.
Mesmo assim, as orelhas da besta se aguçaram. Padrões dourados ondularam através delas. Ela sentiu algo errado.
A maior cabana brilhava com luz de fogo. Sombras se moviam atrás da janela. Neste frio amargo, eles bebiam e comiam — panela de cobre borbulhando com carne de iaque sobre carvão, o cheiro rico e denso.
"A fonte de fogo no Bosque de Bambu Sangrento está morrendo. Momento perfeito para se mover contra aquela criatura espiritual. Precisamos nos preparar com antecedência..."
As palavras flutuaram no vento. Qin Ming queria ouvir mais — eles miravam um ser espiritual nas montanhas, perseguindo a Segunda Nova Vida.
Mas ele não podia esperar. O Mastim Dourado deixara seu abrigo e olhava fixamente direto para ele. Abriu suas mandíbulas para uivar.
Qin Ming tensionou o arco roubado.
Mirou através da janela na maior silhueta e disparou. Flechas de ferro atravessaram a noite, uma após a outra, perfurando a cabana.
Um grunhido. Então cada sombra se jogou no chão. A janela e a porta explodiram abertas. Mesas e tábuas de porta seguradas como escudos, os homens se arrastaram atrás de árvores e rochas, olhos vasculhando a escuridão pelo atirador.
O Mastim Dourado investiu. Cada passada sacudia neve do chão. Seu corpo massivo se elevou com poder bruto, mandíbulas abertas, névoa branca jorrando de sua garganta.
Qin Ming o ignorou.
Disparou cada flecha num alvo — Fu Entao. O capitão era o único Segundo Novo Vivente. O único verdadeiramente perigoso. Feri-lo valia mais que matar o resto.
Uma flecha acertou. Ferimento superficial. A armadura personalizada de Fu Entao deteve a haste — afundou mal meia polegada.
Fu Entao varreu com sua lâmina longa. A maioria das flechas se estilhaçou no ar. Ele usou as árvores como cobertura e fechou a distância rápido.
Lera a força da flecha. O atirador não alcançara a Segunda Nova Vida. Manejável.
O arco se partiu nas mãos de Qin Ming. Sua força de mil jin era demais — a arma não aguentou.
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O Mastim Dourado saltou. Quatrocentas libras de músculo mutante, presas à mostra, rugido sacudindo as árvores.
Ele pairou no ar por um batimento. Então uma lança de ferro cruzou a distância em velocidade aterrorizante e atravessou seu crânio. Sangue espirrou. A luz feroz em seus olhos morreu.
O cadáver se chocou cinco metros à frente de Qin Ming.
Uma única lança arremessada. Morte instantânea.
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Feng Yi'an viu o mastim cair e gritou. "Jinzi!"
A raiva de Qin Ming disparou. Aos olhos deste homem, a vida de um aldeão valia menos que a de um cão. Ele choraria pela besta — nunca pelas pessoas que matara.
Seu braço se lançou à frente. Outra lança de ferro foi lançada na nevasca, o ar gritando em sua esteira, mirada direto em Feng Yi'an.
O homem de barba grande era rápido. Ele jogou seu corpo de lado e brandiu sua lâmina longa contra a lança — metal guinchou, faíscas voaram. Todo o seu braço ficou dormente. A pegada quase falhou.
A lança passou disparada por ele e explodiu através da porta de uma cabana, estilhaçando as tábuas grossas.
*Tanta força?* O sangue de Feng Yi'an gelou.
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Fu Entao detonou sobre a neve. Lençóis de branco irromperam atrás dele. Três metros de altura, fechando os últimos dez metros num único salto.
Ele encontrou uma lança de ferro voando em seu peito.
Não desperdiçou movimento. Um leve deslocamento de seu corpo — a lança sibilou ao passar, perto o bastante para sentir o frio. Seus pés nunca pararam. Ele avançou como um deslizamento de terra, lâmina longa erguida, manto de pele de besta ondulando.
Mas a lança não parou atrás dele. Continuou em direção ao homem que investia dez metros atrás — o próximo alvo.
Qin Ming mirara exatamente nisso. Se Fu Entao desviasse, o arremesso atingiria quem o seguisse.
O patrulheiro atrasado não pôde desviar. Perto demais. Fu Entao bloqueara sua linha de visão.
A lança atingiu seu peito. A armadura se estilhaçou. A haste atravessou e o carregou para trás — thunk — contra um tronco de árvore, grosso como um barril. A haste se incrustou na madeira. O sangue escorreu pela haste, acumulando-se na neve.
Ele se debateu, gritando. Não viveria.
Feng Yi'an e Shao Chengfeng recuaram. Gelo em suas espinhas. Eles se viram pregados naquela árvore. Cambalearam para trás.
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Fu Entao sabia o que acontecera atrás dele. Seu rosto ficou frio e duro.
Dez metros — uma passada para um homem do seu tamanho. Ele fechou a brecha. Cabelo negro cacheado ondulando para trás. Lâmina longa — personalizada, mais larga e afiada que a padrão — desceu como um rachador de montanhas.
Qin Ming balançou. A lâmina errou. Sua mão esquerda cutucou a última lança de ferro lateralmente contra o plano da lâmina, desviando sua linha. Então ele entrou — a faca de cortar em sua mão direita esculpiu rumo ao peito aberto de Fu Entao.
As pupilas de Fu Entao se contraíram. Sua lâmina pesada não empurrara a lança para trás. Pela primeira vez, ele sentiu resistência real.
Ele ergueu seu antebraço esquerdo — um bracelete dourado escuro gravado com glifos de trol. Metal guinchou. Faíscas choveram.
Ele usou o impacto para se lançar para trás, vento e neve explodindo sob seus pés, abrindo distância.
Sacudiu seu braço esquerdo dormente e olhou para baixo. Uma rachadura corria através do bracelete. Não era o fio da lâmina — a força por trás dela quase partira o metal.
Ele interpretara mal as flechas. Pensara: um garoto exaltado com um arco. Dominá-lo, arrastá-lo, extrair informação.
Agora ele parou. Olhou para seu oponente adequadamente.
"Quem é você? Por que nos mirar?"
Ele viu o rosto. Jovem. Mas a presença — firme, opressiva, imensa — não era de um garoto.
Qin Ming não respondeu. Mão esquerda à frente, ponta da lança mirada na garganta de Fu Entao. Mão direita erguida, faca em ângulo. Ele avançou um passo de cada vez.
A testa de Fu Entao se franziu mais.
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Qin Ming saiu das árvores escuras e entrou no brilho da fonte de fogo.
Feng Yi'an e Shao Chengfeng viram seu rosto. Eles ficaram rígidos.
"Você é — Qin Ming?!" Feng Yi'an não podia acreditar. Ele encontrara este garoto várias vezes. Ele acabara de completar a Nova Vida. Como?
Qin Ming não respondeu. Ele acelerou.
A lança se arremessou — um dragão prateado cortando a nevasca. O ar se partiu. A neve explodiu para fora. O chão irrompeu.
"Cercá-lo! Não o deixem escapar — eu o quero vivo!" Fu Entao rugiu, lâmina relampejando. Ele precisava que os outros lutassem. Se temessem, fugiriam.
Um patrulheiro atarracado se aproximou sorrateiramente, lâmina para fora, aplicando pressão sem se comprometer — tentando abalar os nervos de Qin Ming.
Feng Yi'an e Shao Chengfeng flanquearam. Eles seguravam ângulos chave, prontos para explorar qualquer abertura.
Os dois lutadores se chocaram. Lança e lâmina — imagens residuais arrastando-se no ar. O campo de batalha se ampliou a cada troca. As árvores racharam. Galhos caíram. Troncos desabaram.
Os três do lado de fora viram seu capitão sendo empurrado para trás e sentiram sua coragem falhar.
Qin Ming e Fu Entao esculpiram da fonte de fogo para a floresta profunda. Os três se apressaram a seguir, circulando, procurando uma chance.
Eles passaram através de um trecho de árvores intactas. Então — atrás deles — a madeira se desfez. Galhos choveram. Troncos massivos tombaram com estrondos atroadores.
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Uma forma branco-prateada caiu do topo de uma árvore — um borrão mirado nas costas expostas de Qin Ming.
O macaco da neve. O animal de estimação da patrulha. Garras que podiam dilacerar uma besta. Ele se escondera acima, esperando o momento perfeito. Rápido, brutal, mirando o pescoço.
Qin Ming sabia que ele estava lá. Ele o localizara antes da luta começar. Rastreara cada ameaça nesta montanha.
Seus pés se moveram — rápidos como o vento. As garras do macaco rasgaram ar vazio.
Seu corte de revés varreu para cima.
A faca de cortar seccionou o macaco da neve pela cintura.
Sangue espirrou. Duas metades da besta atingiram a neve, uma após a outra. Ele guinchou uma vez. Depois parou de se mover.