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Capítulo 28: Túnica de penas, voo de imortal

The Endless Night·Capítulo 28 de 33·~7 min de leitura

Atualizado: 2026-08-05 20:58

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Qin Ming permanecia em silêncio, imóvel, mas em seu íntimo começavam a aflorar fragmentos de um passado carcomido pelo tempo. Cobertos ao princípio de poeira e brumas negras, rasgaram a escuridão num instante, como um trovão que parte o mar de nuvens, desvelando diante dele uma imagem após outra banhada de sangue.

Uma noite negra e sem fundo, chamas que subiam até o céu. Um jovem de túnica de penas, gracioso como um imortal — mas a seus pés só havia cadáveres e sangue...

Qin Ming levou a mão à cabeça, tremendo. Aquela «túnica de penas» se gravara fundo em seu subconsciente; agora o trespassava, despertando memórias enterradas, varrendo a areia que velava seu coração. Fechou os olhos, conteve a maré das emoções e só então os abriu devagar. Aquele não era o lugar para se mostrar distinto; pelo «Fundir-se com a Poeira» atenuou a aura e se dissolveu na multidão. Seu olhar voltou a ser nítido, o cabelo ao vento; permaneceu de pé, tão rígido como se nada houvera ocorrido. Mas por dentro se erguiam cenas despedaçadas, uma após outra.

Livrou-se daquela jaula de emoções e examinou o passado de cabeça fria, como um espectador alheio que contempla as cenas de sangue que a ele mesmo foram infligidas.

Caiu a noite; grandes chamas varreram o céu enquanto todo o bosque da montanha ardia, parecendo devorar o céu. Ao pé da montanha, a aldeia ardia também: casas desabadas, mortos nas ruas, sangue nos becos.

No calor ardente, entre as ruínas, um jovem de cabelo ao vento, túnica de penas ondulando como um imortal, cada traço de seus olhos e sobrancelhas parecendo irradiar luz. Uma luz tênue corria sobre seu corpo; sapatos e meias brancos sem uma mancha de poeira.

O Qin Ming de catorze anos jazia no chão, nariz e boca cheios de fumaça sufocante. Gritos rasgavam seus ouvidos; por toda parte não havia mais que um fogo impiedoso. Viu morrer muitos rostos conhecidos. Toda a aldeia se afundara num mar de chamas.

O jovem de penas segurava uma vara de bambu que cintilava em tom púrpura. Atravessando os escombros, plantou-se diante de Qin Ming. Seu porte era extraordinário, mas seus movimentos eram por completo frios. Brandiu a vara e um golpe caiu sobre a cabeça de Qin Ming. No ato jorrou o sangue; o mundo girou, e até o céu noturno parecia arder. As roupas de Qin Ming já estavam rotas, e ele fora ferido antes; mais um golpe o deixou engasgado na fumaça, sem forças para se levantar. Então a mão esbelta do jovem desferiu a vara uma vez e outra, com o estalo de ossos se quebrando.

«Acreditava que só tinha levado um ferimento grave na cabeça», murmurou Qin Ming consigo mesmo, «nunca imaginei que em minhas memórias esquecidas se escondessem cenas assim». Mas seguia contemplando, conservando a compostura, como se presenciasse o passado de outro homem. Figuras se moviam pela aldeia rematando os feridos; só o jovem de penas permanecia quieto, manejando a vara de bambu púrpura contra Qin Ming, sozinho.

«Podendo esmigalhar meu crânio com um golpe, não o fez. Que ódio guarda de mim, que me obriga a saborear uma e outra vez essa agonia?» Gravou o rosto do jovem na memória: belo, jade puro, etéreo, mas cruel à luz do fogo.

«Seus golpes me partiram o braço; ele me rachou as costelas com aquela vara. Quanto tempo fiquei inconsciente?» O jovem golpeou Qin Ming duas vezes mais na cabeça. Qin Ming ouviu com clareza estalar os ossos; o sangue jorrou, salpicando seu pescoço e escorrendo pelas faces.

Dois rapazes, a mesma idade: um puro, belo e etéreo, o outro queimado, esfarrapado, o rosto banhado em sangue, prostrado na poeira. Não podia haver contraste mais cru.

Por fim, a mente de Qin Ming começava a se dispersar. Através de uma visão borrada viu duas figuras abrirem caminho pelas ruínas, recuarem o jovem de penas, erguê-lo e sumirem na escuridão. No caminho vislumbrou uma cidade colossal que se estendia sobre a terra, radiante sem igual.

«Cidade de Lua Caída: melhor evitá-la.» Deram um amplo desvio e se afastaram com presteza. No meio do turbilhão ouviu um suspiro: «Três fraturas no crânio, o couro cabeludo feito pasta. É grave; talvez não sobreviva. O braço e o peito...». Então se afundou na escuridão.

Agora saboreava essa escuridão sem limites, sem se mover em absoluto. «Alguém me trouxe a estas paragens remotas. A cabeça sofreu três golpes graves. Não é de estranhar que eu tenha esquecido tanto.» Compreendeu que devia ter ficado inconsciente por mais de três meses, porque ao despertar, as fraturas do braço e do peito já estavam curadas.

Sentia o peito um pouco oprimido, mas sem ira desbordada. Feito, feito; de que lhe serviriam a dor ou a fúria? O que precisava era achar aquele jovem de penas um dia, e acertar as contas com ele.

«Túnica de penas, voo de imortal: não é uma origem qualquer. Aquele mar de fogo transbordava de experientes. Isso certamente envolve alguma organização muito poderosa.» Qin Ming suspirou, e voltou a estar sereno. Chegou mesmo a refletir, colocando-se no lugar do jovem: um golpe limpo do martelo, e um oponente condenado está acabado — não é preciso torturá-lo.

«Cidade de Lua Caída!» Fez girar o nome em silêncio; a aldeia onde tudo acontecera não podia ficar muito longe dela.

O Velho Liu estava comovido: «Que forte. Quem é essa mulher de túnica de penas, que se planta sem temor diante do Inseto Lunar?» Estava de pé sobre o lombo da grande ave azul, suspensa em um resplendor difuso, por completo um mistério.

Um ancião disse: «Com certeza não chegam a lutar. Aos experientes se os guarda como dissuasão.» Mal terminou, o Inseto Lunar se acendeu com luz ofuscante — uma descarga de flechas radiantes que se lançaram sobre a mulher de penas. Muitos empalideceram. Será que iam mesmo entrar em guerra? Só os quatro seres sentados na neve permaneceram quietos.

A mulher da grande ave azul ergueu a mão nua, atraiu o vento e a neve e o converteu em uma chuva densa; um telão de chuva pendurou-se do céu, bloqueando as flechas de luz. Entre choques ressonantes, as flechas foram rechaçadas, revelando sua forma verdadeira: insetos de um branco prateado, como fundidos em metal puro, duros como ferro, forcejando por rasgar o telão.

Mas o telão virou cristalino. Cada gota se esticou em um filamento refulgente que cortava a escuridão e, com um suave estalido, a multidão prateada foi fatiada ou atravessada. Por fim, a grande massa de criaturas prateadas estourou por conta própria, como sonhos e bolhas, dissolvendo-se no nada. Só dois insetos de luz pura sobreviveram. Caíram em direção à montanha e, então —boom—, como um violento terremoto, uma avalanche de neve rugiu, e tudo virou um branco desolado. Os espectadores estavam chocados, e nenhum se atrevia a opinar.

O Inseto Lunar pendia lá em cima, como uma lua brilhante sobre o bosque. Não fez nenhuma outra jogada. Tampouco a mulher da grande ave azul; ela recuou uma curta distância.

Aquilo fora uma sonda entre os altos poderes. Se um dos lados se revelasse fraco demais, a negociação final teria perdido todo o sentido.

Qin Ming olhou para a mulher de penas, duvidando da coincidência. Mas não pôde evitar perguntar a Mu Qing: «Os que vestem túnica de penas procedem de linhagens nobres?» Mu Qing, envolto em uma capa negra, lançou-lhe um olhar: «Os que estão além do mundo mortal costumam ficar desprendidos do comum. Quanto a suas origens concretas, também não sei.» Qin Ming assentiu.

O ambiente entre os quatro sentados na neve relaxou — até trocavam sorrisos. A sonda havia aplainado a negociação.

Ling Xu disse: «Nós afugentamos os aberrantes migrados. Se nesses nodos especiais brotar alguma mercadoria, dai-nos uma parte, nada mais. E os aberrantes que se expandiram para fora devem recuar todos.» A doninha velha, branca como a neve, sentada com as pernas cruzadas, fazia girar um cordão de contas: «Por que haveríamos de repartir? Não nos convém aliarmo-nos aos seres superiores recém-migrados contra vós?»

«Não há necessidade de nos sondarmos. Não queremos mais do que os produtos especiais que esses nodos possam dar. Mas esses seres migrados querem isso também — e estão de olho no vosso quartel. Dizem que só passam, que se hospedam alguns meses como hóspedes. Acreditais?»

«Muito bem. Aceitamos.» «Mm. Que franqueza!» Ambos se levantaram. O acordo ficou fechado.

«É isso? Já está?» As pessoas viram os altos cargos se levantarem, assombradas. «Voltai e esperai. Ficai prontos para entrar na montanha a qualquer momento», disse-lhes o gato malhado, com a grande espada carmesim às costas. Os vindos da Cidade Redcloud se encheram de regozijo.

Qin Ming observou que um corvo voara para perto — chamativo não se sabia por quê. Pousou sobre uma laje de pedra azul da neve. Ali também havia uma mulher envolta em uma capa de pele de lobo, a cabeleira escura ao vento, que lhe lançou duas miradas.

O corvo falou: «A aura desse rapaz está ainda mais fraca que da última vez. Ele deve estar praticando uma arte para ocultar a vitalidade. Já dizia eu que ele não era simples. Você não quer dar mais uma olhada?» «O meu escolhido é como um sol ardente prestes a abrir passagem entre as nuvens negras. Mas não convém revelá-lo cedo demais, não seja que o céu sinta inveja. Já o enviei para longe.» Voltou a lançar uma mirada na direção de Qin Ming. «Mais tarde farei alguém testá-lo, para ver se pode se tornar um dos alternativos.»

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