Os gritos do velho imortal ressoaram do carro de prisão. Ele havia atacado a alma de Su Yan com uma técnica espiritual, apenas para despedaçar dois de seus próprios dedos contra uma luz de alma indestrutível.
"Este garoto possui um tesouro protetor da alma," pensou o ancião, apertando sua mão arruinada. "Se eu puder apoderar-me dele depois de tomar o corpo de Zhu Zhongquan, minha resistência à tribulação se multiplicará."
Lá fora, Su Yan ajoelhou-se diante da Crimson Immortal Plant. Seu Heavenly Eye perfurou suas camadas, revelando uma imagem do dao —nove folhas tecidas de fios de luz primordial. Em seu coração flutuava uma esfera de radiância aquosa do tamanho de um punho.
Ele se aproximou dela. No momento em que tocou sua pele, dissolveu-se em seu corpo.
Uma corrente fresca o atravessou. O segredo Mud Pill de sua medicina de longevidade se acendeu, catalisado pela energia da esfera. Sua pele brilhou. Fragrância emanou de seus poros —uma erva imortal em forma humana.
"A-Yan," babou Yuan Qi. "Você cheira delicioso. Uma mordida?"
"Eu primeiro," exigiu o sino, circulando a cabeça de Su Yan. "Nós sangramos juntos. Um gole de seu sangue não é nada."
Su Yan selou seu Xiyi Domain. "Vocês dois são sem-vergonhas."
Ele ensinou aos anciãos da aldeia um simples mantra de cultivo derivado da imagem do dao da planta —suficiente para comandar seu poder e proteger suas casas. Então voltou para assuntos mais urgentes.
"A cidade de pedra é um portal," disse a Guo Xiaodie e Zhu Hongyi. "Em luas cheias, transporta pessoas para o Ancient Battlefield. É lá que crescem mais plantas imortais."
Li Yingzhu se inclinou muito perto, inalando profundamente. "Você cheira ao paraíso."
"Pare," Su Yan a empurrou.
Eles marcharam em direção à cidade. No caminho, passaram por montes de túmulos onde dormiam os ancestrais desses migrantes. Nuvens vermelhas como sangue se reuniam sobre as tumbas. Mesmo Su Yan, que empunhara o machado de pedra, se sentiu inquieto.
"Eles lutaram enquanto viviam," murmurou Yuan Qi. "Sonham com guerra mesmo na morte. Verdadeiros guerreiros."
As muralhas da cidade foram construídas em torno do esqueleto de uma serpente imensamente massiva. Marcas de garras sulcavam o osso, ainda manchadas com sangue antigo.
Flechas trovejaram de cima —eixos de osso mais longos que um homem, disparados por mestres nuo do clã Li.
Li Tingshu apareceu no muro, curvando-se com falsa calma. "Tia! Um mal-entendido. Meus guardas os confundiram com inimigos."
Li Yingzhu sorriu docemente. "Um dia seus olhos confundirão seu pai com outra pessoa."
Dentro, Su Yan notou os poderes reunidos. Cui Dongli da família Cui, olhos ardendo de desafio. Gao Xingqian tocando sua guqin em uma ponte de pedra, cada nota carregando intenção de matar. Chai Wuyong do ascendente clã Chai. E mais.
Então um jovem entrou pelos portões sozinho, um golden core pairando diante dele.
O sino antigo estremeceu. "A-Yan... Sinto a aura do meu mestre nele."
Su Yan estudou o garoto. Cultivo de qi puro. Nenhuma arte nuo. No entanto, seu poder rivalizava com qualquer um na cidade.
"Quem é ele?" perguntou Su Yan.
"Xue Ying'an," alguém sussurrou. "Um discípulo de Li Xiaoke."
O sino tremeu. Li Xiaoke —o nome de seu mestre, perdido há três mil anos.