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Capítulo 71: A Alegação Impossível

Ascension Day·Capítulo 71 de 76·~4 min de leitura

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Su Yan encarou a jovem fênix, e um arrepio percorreu sua espinha.

Três mil anos? Ele tinha quatorze. A conta não fechava. Não podia fechar.

Ele riu—uma gargalhada forçada destinada a encobrir a inquietação que retorcia suas entranhas. "Boa tentativa," disse, virando-se. "Não vou cair nisso."

O grande sino tocou atrás dele. "Não ouça aquele pássaro, A-Yan! Ela está tentando enganá-lo para que morra por ela. Você tem quatorze anos. Como ela poderia tê-lo conhecido há três mil?"

Yuan Qi enfiou a cabeça pela gola de Su Yan, lançando um olhar furioso para a fênix. "Eu li por cento e vinte anos, e nem as histórias mais selvagens contêm mentiras tão grandes."

Su Yan balançou a cabeça, caminhando em direção à borda do galho da árvore-fênix. Sua mente lhe dizia que era um golpe. Uma manipulação. Um espírito procurando um tolo para servir de escudo contra a ira do céu.

Mas algo mais o atormentava. Algo que ele não conseguia nomear.

"Se você não me salvar, morrerei aqui," a voz da fênix ecoou em sua mente, suave e desesperada.

Su Yan hesitou. Seus olhos se encontraram por um batimento. Então ele pulou para o galho seguinte.

Atrás dele, o sino e a cobra trocaram olhares que Su Yan não viu.

"Sino Ancião," o sino sussurrou para Yuan Qi. "Toda vez que A-Yan lembra de sua casa de infância, os nomes mudam. Os nomes de seus pais nunca são os mesmos duas vezes. E ele nunca percebe. Será que alguém poderia ter selado suas memórias?"

Yuan Qi encolheu-se. "Sou apenas uma cobra. Há um mês eu estava lendo na Caverna Qinyan. Não me faça essas perguntas."

"E se ele tiver vivido incontáveis vidas?" o sino insistiu, sua voz tremendo de excitação. "E se ele for mais antigo do que eu?"

Yuan Qi recolheu-se na gola de Su Yan e não disse nada.

* * *

Su Yan passou por Veyon e os outros, erguendo a voz. "Vão embora agora! O perigo está chegando!"

Veyon franziu a testa, voltando-se para a bela mulher ao seu lado. "Tia, deveríamos ir."

A mulher—Li Yingzhu—afastou-a com um gesto. "As palavras de um camponês não valem nada. A própria imperatriz Wu obteve poder estudando ossos de fênix. Esta é nossa chance."

A inquietação de Veyon aumentou. Ela sabia que Su Yan não mentiria sobre algo assim. Inclinou a cabeça e caiu da árvore.

Guo Xiaodie correu atrás dele. "Irmão Weiyang, espere! Vamos pegar aquele pervertido juntos!"

Veyon suspirou e deixou que ela o seguisse.

Li Yingzhu sorriu para o jovem e o velho servo ao seu lado. "Veyon fica mais bonito a cada ano. Está na hora de se casar. A pequena Xiaodie o adora desde criança. Deveríamos arranjar isso."

O velho servo—Elder Xiao—gaguejou, pálido como a morte.

O sorriso de Li Yingzhu esfriou. "Você acha que nossa família Guo não é boa o suficiente para o clã Yuan?"

Elder Xiao amaldiçoou em silêncio sua má sorte. A verdade era muito mais complicada. Veyon não era um homem de forma alguma. A família Yuan a criou como menino para manter a linhagem, mas esse segredo não sobreviveria a um casamento.

Antes que pudesse responder, uma nuvem escura atravessou o céu. Movia-se rápido demais. Elder Xiao aterrou no chão bem quando a nuvem alcançava o Monte Jiuyi.

Ele sentiu o cheiro de podridão. Então gritos surgiram de baixo.

"Algo está subindo do Abismo de Cangwu! Está devorando pessoas!"

Elder Xiao olhou para baixo. Carne carmesim rastejava pelos penhascos—pulsante, crescendo, brotando serpentes massivas que mordiam tudo em seu caminho.

* * *

Guo Xiaodie tinha encurralado Su Yan perto de um lago de montanha, arrastando Veyon com ela. "Irmão Weiyang, bloqueie a margem! Vamos fazê-lo se despir e—"

Veyon tossiu. "Rei Demônio Xu, estamos longe da árvore-fênix agora. Você pode parar de correr."

Su Yan virou-se, sorrindo. "Pensei que você realmente fosse ajudá-la a me pegar."

Guo Xiaodie empalideceu, agarrando o peito. "Vocês estão trabalhando juntos? Não se aproximem! Os guardas da minha família estão em toda parte!"

O sorriso de Su Yan desapareceu. Ele avançou em direção a eles. "Sino!"

Guo Xiaodie gritou—então congelou quando uma massa imensa de carne carmesim irrompeu dos penhascos acima. Serpentes de carne podre lançaram-se, bocas escancaradas.

Um profundo toque de sino sacudiu o ar. O grande sino voou por trás de Su Yan, sua superfície ardendo com padrões antigos. Uma cúpula de luz dourada se expandiu, empurrando as serpentes de carne para trás. Onde tocavam a luz, crepitavam e enegreciam.

Mais serpentes subiam a montanha, aglomerando-se em direção à árvore-fênix. Os mestres nuo empoleirados entre seus galhos entraram em pânico. Gritos rasgaram o ar enquanto carne devorava carne.

Os três pássaros azuis com pérolas flutuando acima de suas cabeças dispararam para cima. A luz da pérola brilhou quando se lançaram contra a sombra na nuvem de tempestade—uma monstruosidade com bico maior que uma casa.

A criatura estremeceu ao som do sino. Naquele instante de hesitação, a pérola atingiu, abrindo três buracos sangrentos em sua pele.

A jovem fênix transformou-se em uma lâmina de fogo. Atravessou o crânio do monstruo, entrando pela testa e saindo pela nuca.

"Você me emboscou!" rugiu a criatura, desaparecendo na tempestade.

As serpentes de carne desabaram, sem vida e podres.

Su Yan ficou em pé no silêncio, respirando com dificuldade. Uma voz suave chegou ao seu ouvido:

"Obrigada, irmão. Sua boca diz não, mas seu coração diz sim."

Su Yan piscou. "Espera—quando eu a salvei?"

"Descanse alguns dias," sussurrou a voz. "Quando minhas feridas sararem, nos encontraremos novamente."

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