Su Yan saltou pela janela e aterrisou em algo macio.
Um gemido abafado surgiu de baixo. Guo Xiaodie rolou, ainda mergulhada em um sono profundo, com as roupas amarrotadas mas intactas.
Su Yan piscou. "Por que ela está dormindo aqui?"
Ele balançou a cabeça e seguiu a garota petit pela clareira iluminada pela lua. Ela se movia como uma folha ao vento, silenciosa e luminosa.
"A garota estava drogada", disse por cima do ombro. "Alguém a colocou na sua cama e levou suas roupas. Eu observei da linha das árvores. Quando você a jogou pela janela em vez de... bem, eu soube que você não dormiria. Então vim."
Su Yan coçou a cabeça. "As casas aqui são poucas. Pensei que ela estivesse apenas com frio."
A garota riu, clara como um sino. "Você é estranho. Se fosse eu, não a teria vestido antes de expulsar."
"O que mais eu faria? E está frio. Ela poderia pegar um resfriado."
Das sombras, Li Yingzhu se aproximou da janela esperando pegar Su Yan em uma situação comprometedora. Em vez disso, encontrou Guo Xiaodie dormindo no chão, completamente vestida. Ela a carregou e desapareceu na noite.
Su Yan seguiu a estranha até a copa da grande árvore fênix. Ela bateu na casca—três longos, dois curtos—e o tronco se abriu em um corredor de luz tecida. No final erguia-se um palácio de penas coloridas e ouro entrelaçado.
Ela empurrou uma janela de treliça. O amanhecer manchava o céu oriental.
"Você salvou minha vida", disse ela. "Devo-te tudo."
Ela estudou seu rosto, notando sua pele queimada pelo sol. "Talvez na minha próxima vida, como boi ou cavalo, eu possa pagar-te devidamente."
Su Yan a afastou com um gesto. "Não foi nada."
Ele ainda não entendia como a havia salvado. O deus celestial e o demônio haviam atacado juntos, mas fugiram com a mesma repentina violência.
"Pensei em recuperar por mais tempo", disse ela, "mas quando te vi ontem à noite, mudei de opinião. Mestre Su, você sabe que um demônio te possuiu?"
Su Yan riu. "Aquele demônio foi destruído pelo Senhor Zhou e pelo Imperador. Como poderia—"
Uma dor lancinante atravessou sua testa. Sua sombra explodiu em tentáculos negros que subiram pelas paredes do palácio.
Uma voz ecoou de sua testa. "Garota fênix! Eu queria te matar, mas este pirralho é quem me arruinou. Ele me aprisionou com dois especialistas de elite e despedaçou meu cultivo milenar!"
A garota desdobrou asas de arco-íris nas costas. "Somos inimigos naturais. E você possuiu meu benfeitor. Por que eu te pouparia?"
Ela se moveu em círculos. O demônio forçou o corpo de Su Yan a espelhar seus movimentos, mantendo-a sempre de frente.
"Me prejudique e ele morre contigo!" gritou o demônio.
Ela hesitou. O demônio viu sua chance e mergulhou mais fundo na testa de Su Yan.
"Não!" Ela lançou-se para frente, asas dobrando-se em uma lança de luz.
Mas chegou tarde. O demônio precipitou-se em direção à alma de Su Yan.
Então ele gritou.
Luz explodiu da testa de Su Yan—uma radiação abrasadora que consumiu o demônio e avançou sobre Avia.
Ela se transformou. Asas coloridas se desdobraram enquanto ela vertia cada pena, cada faísca de fogo divino, em um escudo desesperado.
A onda de choque destruiu o Monte Jiuyi. A árvore fênix ardeu com luz cor de amanhecer que pintou metade do céu.
Ao longe, Zhou Qiyun levantou o olhar, a mandíbula tensa. "Outro especialista? Esta tribulação não para de encher de gente."
Su Yan acordou junto à janela. O sol pendia enorme e vermelho no horizonte. Uma fênix de sete cores flutuava diante dele, tremendo.
Ele tocou a testa. Uma mancha de sangue negro manchava seu dedo.
"O demônio se foi?" Ele sorriu. "Você realmente é algo extraordinário, Imortal Fênix. Eu não senti nada."
Ela dobrou as asas e pousou do lado de fora, estudando-o com olhos assustados.
"Você não lembra de nada?"
"Desmaiei. Quando acordei, o demônio era cinza."
Ela sorriu fracamente, sangue em seu lábio. A explosão a havia ferido mais do que admitia.
"Seu selo é diferente do meu", disse ela de volta dentro do palácio. "Tente lembrar sua infância. Verei que tipo de selo é este."
Su Yan fechou os olhos. "Eu vivia em Sujiaping. Meu pai se chamava Xu Yanping. Minha mãe era Cai Zhenzhen. Nossa casa era a terceira a oeste da entrada da vila..."
Atrás de Avia, luz de sete cores se tecia em um espelho. Mostrava uma vila, uma terceira casa, um lavrador com uma enxada, um jovem Su Yan, uma mulher lavando roupas junto a um poço.
O lavrador e a mulher levantaram o olhar para o espelho. Seus rostos eram lisos—lisos como ovos.
"Detalhes!" instou Avia. "Lembre-se de detalhes! Quem vivia a leste da sua casa?"
Su Yan se concentrou. Os rostos no espelho se deslocaram. Nariz aqui. Olhos ali. Boca deslizando de lado. Cada vez que ele se lembrava, os rostos reiniciavam.
Os do espelho o encaravam fixamente, ficando maiores, pressionando contra o vidro.
O sangue de Avia gelou. Ela havia usado cada detalhe que ele podia oferecer para forçar a forma verdadeira do selo, mas este apenas ficava mais forte.
"Corte!" Ela desdobrou as asas e despedaçou o espelho com uma explosão de fogo sagrado. Caiu em picada, sangrando, sua mente cambaleante.
Que tipo de selo era este? O que ele era?