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Capítulo 86: Ainda um garoto de coração

Ascension Day·Capítulo 86 de 86·~4 min de leitura

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Em Mount Jiuyi, os dois seres mais poderosos do mundo se enfrentaram.

O Imperador parou diante do grande salão, autoridade imperial irradiando de cada poro. Zhou Qiyun esperava na beira do penhasco, simples como um camponês, perigoso como uma espada desembainhada.

"Zhou Qiyun", escarrou o Imperador. "O grande maquinador, superado por um garoto de vilarejo. Su Yan tocou você como um violino, e você dançou para ele. Algum ancestral de sobrancelhas brancas você é."

A expressão de Zhou Qiyun permaneceu plácida. "Sua Majestade nasceu inteligente. Você mirou superar cada rei-sábio da história. Mas para tomar o trono, acorrentou-se aos clãs Li e Guo. Depois tentou quebrar essas correntes. Como um cavaleiro quebra seu próprio cavalo enquanto está sentado na sela?"

A mandíbula do Imperador se apertou.

"Eles o chamam de restaurador da glória", continuou Zhou Qiyun. "Mas você não fez nada. Tem ambição sem avenida, desejo sem ação. Nos culpa, os clãs, por bloquear seu caminho, mas você se bloqueia a si mesmo. Você voltou ao cultivo de qi e alquimia, mas seu talento ficou aquém. Agora você não é nem homem nem fantasma."

O Imperador riu, oco e afiado.

"Você diz que Su Yan me superou. Mas desde o momento em que soube que você estava nesta montanha, ele armou sua armadilha. Ensinou à garota Guo o controle de espada. Mostrou seus métodos de cultivo. Cada movimento iscou seu anzol. E você mordeu, pensando que o havia capturado."

"Um caipira? Maquinando contra mim?"

"Os caçadores de serpentes têm corações cuidadosos. É como sobrevivem." Zhou Qiyun se virou para o Phoenix Palace. "Vou buscar seu Nine Heavens Scripture. Você pode persegui-lo ao submundo. Mas uma vez que eu harmonize yin e yang, completarei o passo final da Ascension. Então você caberá na minha palma."

Os punhos do Imperador tremeram.

Zhou Qiyun caminhou, imperturbável. "Seu qi é instável. Ataque agora, e perderá mais rápido. Qual é sua escolha?"

O rosto do Imperador piscou entre raiva, dúvida e desesperação. Então ele se lançou.

O silêncio engoliu o cume da montanha. Um batimento depois, uma força invisível explodiu. Picos distantes se despedaçaram. Rochas pairaram no céu, movendo-se lentamente, impossivelmente, como se tivessem todo o tempo do mundo.

Uma segunda onda rolou pelo solo, arrancando árvores, transformando a encosta em um torrente turbulento de madeira e pedra.

Uma terceira onda varreu as nuvens do céu. As profundezas azuis se abriram, intermináveis e puras.

Só então o som chegou—trovão surdo que batia corações e almas igualmente. Os Golden Guards e especialistas Guo vomitaram onde estavam.

Uma nuvem maltrapilha de fortuna imperial mancou em direção ao grande salão. As vestes do Imperador pendiam frouxas. Seu rosto estava acinzentado.

"Chen!"

"Aqui, Sua Majestade."

"Retornamos à capital. Agora."

Dentro do palanquim com cortinas, o Imperador tossia sangue em grandes quantidades.

No cume de Mount Jiuyi, Zhou Qiyun empurrou as portas do Phoenix Palace. Encontrou o presente de Su Yan esperando sobre a mesa—completo, anotado em tinta vermelha em cada ponto crucial.

"Desejando saúde e tribulação bem-sucedida para Lord Zhou", Su Yan havia escrito na página final.

Zhou Qiyun sorriu. "Esse pirralho."

Ele leu durante toda a noite.

* * *

"Sétimo Lorde, Senhor Bell, Veyon quer me apresentar sua irmã. Ela deve ser linda."

Yuan Qi se deslizou pelas montanhas, carregando Su Yan sobre sua cabeça. "Guo Xiaodie também é bonita, mas tem uma irmã de duzentas jin. Prepare-se para a decepção."

O grande sino flutuava ao lado. "Veyon tem quinze anos. A irmã dela terá sua idade ou menos. Uma criança. E as exigências de dote do clã Yuan o arruinariam."

Su Yan riu, em pé entre os chifres brancos e pretos da serpente. "Então fugirei com ela!"

"Veyon o mataria."

"Adiante! A encontrar meu lar!"

Os dias se tornaram semanas. Procuraram montanhas e rios que Su Yan quase reconhecia. O New Territory havia mudado tudo. Bestas antigas rondavam as florestas. De noite, o submundo infiltrava-se.

Encontraram o condado de Qiyang, intacto pela invasão. Su Yan comeu três tigelas de macarrão de arroz, suando, saboreando cada mordida.

"A leste daqui", disse ele. "Vi montanhas familiares do alto."

Viajaram para o leste. A paisagem tornou-se mais estranha. Su Yan apontava picos e rios, nomeando-os de memória.

"Aqui!" Ele correu para a frente. "Uma aldeia. Um riacho. Do outro lado, Sujiaping!"

Ele pulou da cabeça de Yuan Qi e apressou-se em direção ao riacho. Do outro lado jazia apenas desolação. Sem marcas de queimaduras. Sem ruínas.

Uns velhos estavam sentados sob uma árvore. Su Yan se aproximou deles. "Com licença, anciãos. Houve alguma vez uma aldeia chamada Sujiaping do outro lado deste riacho?"

Eles balançaram a cabeça. "Nunca ouvimos falar dela."

Su Yan cambaleou. "Então, quem sou eu?"

Um velho entrecerrou os olhos. "Eu o vi. Quando era menino. Você parecia exatamente o mesmo."

Ele quase desmaiou. "Fantasmas! Ele é um fantasma! Eu o vi sessenta anos atrás, e ele não envelheceu!"

A mente de Su Yan se despedaçou. Memórias se chocaram sobre ele—rostos, vozes, lugares que nunca foram. Ele desabou.

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