O espelho de bronze golpeou o caixão de pedra com um som como gelo rachando.
O grande sino mergulhou, expandindo-se em uma cúpula de luz que engoliu a cabana de palha por completo. Su Yan atravessou a parede cintilante e agarrou o espelho no ar. Ele exalou, mas então viu a fratura.
Uma fenda fina atravessava a superfície do espelho. Através dela, a garota fantasma sorriu, acenou com malícia alegre e saltou para a liberdade.
As correntes se romperam como fios. O caixão despedaçou-se.
A onda de choque destruiu a cabana. Palha caiu como chuva. E onde o caixão estivera, o espaço mesmo pareceu expandir-se, vomitando armas de escala terrível.
Um machado de pedra, com um cabo mais grosso que o torso de Su Yan, sua lâmina manchada com o sangue de bestas que já não caminhavam pela terra. Uma lança de osso cravada no chão, sua haste um tronco de árvore inteiro esculpido com sigilos carmesim. Alabardas de bronze. Espadas de pedra. Flautas de osso. Armas de uma era quando gigantes caçavam deuses.
Em seu centro erguia-se um segundo caixão, maior que o primeiro. E cravado através de sua tampa havia uma arma de bronze e ouro líquido, um artefato do Dao Celestial, zumbindo com ira sagrada.
Su Yan entendeu os murais agora. A mulher havia enfrentado sua tribulação. A luz de ascensão chegara. E quando baixou a guarda, os antigos golpearam. A arma divina atravessara seu coração. Selaram sua carne, aprisionaram sua alma no espelho, e construíram sarcófagos dentro de sarcófagos para conter sua fúria.
"Ela não pode escapar enquanto essa arma a prende", disse Su Yan.
"Correto", disse o sino, embora tivesse encolhido atrás dele.
O caixão interior explodiu.
Uma mulher sentou-se entre os estilhaços. Cabelo negro flutuava ao redor de um rosto de beleza desgarradora. Ela se voltou para Su Yan, e seu sorriso era quente como vinho de primavera.
"Marido", respirou. "Meu peito dói. Não o massagearia?"
O mundo se dissolveu em suavidade. Su Yan caminhou em direção a ela, suas mãos alcançando o cabo da arma. Apenas um puxão, e ele poderia aliviar seu sofrimento.
O sino gritou.
Su Yan despertou abruptamente. Ele estava ajoelhado ao lado do cadáver, ambas as mãos envoltas na arma divina, prestes a libertá-la. Ele recuou, ofegante, sua túnica encharcada de suor.
"Visualize", disse o sino, sua voz quebrando. "Ancore seu espírito. Agora."
Su Yan convocou a montanha—dez mil picos, inabaláveis. A ilusão despedaçou-se. A bela mulher piscou e desapareceu. Em seu lugar jazia um cadáver com um buraco no peito, sangue negro secando em seus lábios.
Ela tentou de novo. Sedução. Ameaças. Visões de aniquilação que transformaram o ar em cinzas. Su Yan atravessou tudo, sua mente fixa na única coisa que importava.
A mesa de chá.
A cabana era lenha. O teto se fora. Mas a mesa permanecia intacta, como se a tempestade tivesse esquecido que existia. A chaleira descansava primorosamente ao lado de uma única xícara, vapor ondulando-se de sua borda em uma espiral perfeita.
Su Yan agachou-se. Debaixo da mesa, encontrou entalhes. Um gigante curvando-se ante o caixão. E palavras, gravadas profundamente:
O gigante fora um gênio. Guardara este lugar, cultivara aqui, e em um momento de fraqueza, aceitara a mulher como sua mestra. Ela lhe deu uma arte imortal quebrada, destinada a acorrentá-lo. Ele fingira ser o tolo, roubara cada fragmento, e passara mil anos reconstruindo-a em algo verdadeiro.
Mas a ascensão era uma mentira. Algo bloqueava o caminho. Algo faminto.
Desiludido, o gigante retornara aqui. Cansara da voz de sua mestra. E assim servira uma última xícara de chá. Derrame-a, e a infusão despertaria cada arma na câmara, voltando-as contra ela em uma dança de aniquilação.
A inscrição terminava com um nome: Deixado pelo Mestre do Palácio da Pílula de Barro.
O sangue de Su Yan gelou.
O cadáver se moveu. Alcançou um arco antigo, e a arma gritou em protesto, rasgando a carne de seu braço até deixar expostos músculos brilhantes. A ela não importava. Disparou.
Uma flecha de lance lançou-se em direção ao crânio de Su Yan.
O sino se arremessou entre eles. O impacto empurrou-o para trás, arranhando a parede de jade com um som como metal sendo rasgado. Uma depressão afundou-se em seu flanco de bronze.
Ela disparou novamente. E outra vez. Cada flecha golpeou o sino, martelando novas crateras em seu antigo corpo.
"Já terminou?" gritou.
Su Yan levantou a xícara.
Ele jogou o chá.
O líquido tornou-se uma inundação. Não água—algo mais antigo, mais denso, carregando o peso de três mil anos. Armas antigas se ergueram no torrente, girando, golpeando, guiadas por uma inteligência que já não vivia. Moviam-se como os membros de um gigante com mil braços e mil rostos, cada golpe perfeito, implacável, divino.
A mulher gritou. Abandonou o arco, desatou cada resto de luz imortal em seu corpo despedaçado, e por um momento a inundação pausou.
Então rompeu através.
Água e bronze e osso derramaram-se em seus olhos, sua boca, a ferida em seu peito. Sua carne descascou como papel molhado. Ossos ergueram-se no dilúvio, altos, orgulhosos e terríveis.
Então eles também se desfizeram em pó.
As armas caíram, uma por uma, seu propósito cumprido. Até a arma divina corroeu-se, picada, e voou para a luz de ascensão, quebrada além de qualquer reparo.
Su Yan e o sino desabaram sobre a pedra molhada.
"Metade do meu qi", gemeu o sino. "Cinco dias de descanso, no mínimo."
Su Yan levantou-se lentamente, encarando o pó onde um deus morrera. Sua voz era muito pequena.
"O Mestre do Palácio da Pílula de Barro era um gigante. O esqueleto que Zhou Qiyun matou era mal do tamanho de um homem."
Ele se voltou para o sino.
"Então quem Zhou Qiyun realmente matou?"