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Capítulo 92: Sequestrando o céu

Ascension Day·Capítulo 92 de 86·~3 min de leitura

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Su Yan parou. Virou-se.

"Ancião", disse ao homem de rosto aflito. "Mais chá? Estou com sede."

"Não!" A voz do ancião se quebrou.

"Onde posso comprar algum, então?"

Os três administradores, aflito, branco e vermelho, se contrairam ao uníssono.

Su Yan continuou andando. Atrás dele, a mulher de vermelho sibilou: "Antes desmaiava depois de uma xícara. Podíamos escrever toda sua vida e ele não lembraria. Agora pede recargas."

"O que há nessa sopa?" resmungou o homem de túnica branca.

Su Yan encontrou Yun Qian à beira do penhasco, examinando as pegadas do gigante. Duas impressões, cada uma do tamanho de um carro, haviam esmagado árvores antigas em estilhaços.

"Você o conhecia", disse Su Yan. Não era uma pergunta.

Ela assentiu. "Um homem brilhante. Cauteloso. Generoso. Na minha era, era a luz mais brilhante que tínhamos, o mais provável de romper o limite."

"Isso não combina com o homem que conheci", disse Su Yan. "O Mestre do Palácio da Pílula de Barro que conheço armou ciladas em cada técnica. Colheia discípulos como trigo."

Yun Qian contemplou o pico distante do Monte Jiuyi. "Três mil anos é muito tempo. As pessoas mudam. Ou fingem."

Ela fez uma pausa. "O mestre nuo que enfrenta a tribulação esta noite está abrindo um caminho que ninguém caminhou desde minha era. Mesmo se falhar, será lembrado."

"Ele não vai falhar", disse Su Yan. "E também não vai ascender."

Ela o olhou.

Antes que pudesse perguntar, o Monte Jiuyi se acendeu.

Trezentos e sessenta altares ardiam através de seus nove picos. Cada um era uma plataforma de descida divina em escala de deuses, não de mortais. Zhou Qiyun não estava fazendo uma oferenda humilde. Estava desenrolando o tapete vermelho para toda a burocracia celestial.

Trezentos e sessenta deuses. Um para cada grau da roda celestial.

A cordilheira iluminou-se como uma segunda aurora. Até os picos ocultos do Novo Território brilhavam com fogo refletido.

"Quantas tumbas aquele homem roubou?" sussurrou Guo Tianxiong.

Xiang e Shisan Niang, que uma vez haviam convocado o Deus da Praga e se consideravam mestres da escala, olharam em silêncio. Isto era cem vezes maior. Mil.

O céu se rasgou.

Não com trovões, com pressão. Formas massivas pressionaram contra a ferida na realidade, membros do tamanho de rios, escamas raspando o firmamento. Deuses celestiais desceram aos altares, atraídos pelo aroma do sacrifício antigo. Quando o centésimo aterrara, o ar mesmo parecia prestes a colapsar.

"Ele está subornando-os?" perguntou Su Yan a Yun Qian.

"Ele está fazendo algo pior", disse ela. Sua voz tinha ficado fina. "Está sequestrando-os."

Su Yan entendeu instantaneamente.

Trezentos e sessenta deuses, presos no reino mortal, atados por ritual e sacrifício. O Dao Celestial não podia golpear Zhou Qiyun sem despedaçar seus próprios servos. Ele tomara todo o ciclo do céu como refém.

A mão de Yun Qian encontrou seu braço. Seus dedos estavam frios.

"Ele pode realmente sobreviver", sussurrou ela.

Acima do Monte Jiuyi, a nuvem de tribulação irrompeu. Não pela vontade de Zhou Qiyun, mas pela fúria do Dao Celestial. Expandiu-se com velocidade aterradora, engolindo pico após pico. Cem li. Trezentos. Quinhentos. Oitocentos.

A nuvem continuou crescendo.

Su Yan a observou se expandir, e pela primeira vez, sentiu algo que não esperava.

Esperança.

Se Zhou Qiyun podia enganar o próprio céu, então talvez o caminho selado pudesse ser forçado a abrir. Talvez houvesse uma maneira de ascender afinal.

E talvez o homem esperando no topo daquele caminho fosse o verdadeiro Mestre do Palácio da Pílula de Barro, pronto para reivindicar seu prêmio.

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