Enquanto viam o povo de Sanshan se afastar ao longe, Lin Zhengren ainda não havia dito nada quando seu irmão mais novo, Lin Zhengli, explodiu em indignação: "Selvagens da montanha, sem-vergonha!"
Lin Zhengren liderava esta delegação que Wangjiang enviava ao debate, enquanto Lin Zhengli combatia aqui como representante da turma do primeiro ano da Academia Dao de Wangjiang.
Ante essas palavras, Lin Zhengren apenas sorriu com suavidade, sem aprovar nem negar.
Todos os cultivadores de Wangjiang sentados à sua volta iam enfeitados com contas e jade. Seu berço os elevava a todos à riqueza e às honras em Wangjiang, e por isso dificilmente conseguiam evitar os ares de jovens esbanjadores. Mesmo no próprio solo de Fenglin, falavam sem freio e amaldiçoavam quem lhes viesse na telha.
"Assim que o debate começar, eu não duvido que a gente lhes dê uma lição!"
"O povo de Fenglin também não é grande coisa. Eu disse que queria visitar o Pavilhão das Três Partes do Aroma, e eles nem sequer me deram atenção. Mesquinhos até o fim!"
"Rá-rá-rá, é que são pobres. Olha só aquele pátio onde nos hospedaram: isso é lugar para gente? Nem aquecimento de dragão de terra puseram. E aqueles colchões, pouco melhor que um mero chumaço de seda comum!"
"Ah, uma matilha de falidos decadentes, o que se há de fazer? Já mandei meus criados resolverem. Vamos aguentar dois dias como der, só isso."
Enquanto a comitiva seguia resmungando, uma voz cortou de repente: "E o Fu Baosong, onde foi parar? Também não veio?"
"Deixa ele!" — Lin Zhengli bufou. "Só o céu sabe como o decano da academia o deixou entrar, com o quanto é azedo e fedido."
Lin Zhengren pousou a taça com leveza sobre a mesa, e Lin Zhengli calou na mesma hora.
Lin Zhengren ergueu os palitos. "Comam."
O ânimo da sala não tardou a voltar a ser vivaz.
...
Sob a insistência de Jiang Wang, Jiang An'an devolvera aos colegas a caixa inteira de tesouros que ganhara deles, e declarou que não ajudaria mais ninguém a trapacear nas provas, que de agora em diante sentaria nas avaliações com decoro, com estilo e com resultados, e daria honra à velha família Jiang.
A condição: que depois de cada jantar recebesse uma porção extra de doces do Estúdio Guixiang.
Como se ela não tivesse medo de ter os dentes podres!
Enquanto Ling He e os outros agasajavam os amigos vindos da distante Sanshan, Jiang Wang, tendo terminado o cultivo daquele dia, também foi ao Salão Mingde buscar a irmãzinha na escola.
Era preciso admitir que, com a ajuda da Arte de Controle do Essência Dao, seu domínio sobre a essência Dao avançava a um ritmo sumamente agradável, e o sinal mais direto era que agora ele dispunha seus pontos de formação com folga e já fazia muito tempo que não errava.
Soma-se a isso o reforço que a Arte de Tempero do Corpo dos Quatro Espíritos dava à sua carne, multiplicando em muito as sessões de escavação de meridianos que ele conseguia sustentar. Se não tivesse se contido, bem poderia ter conseguido já Firmar seu Alicerce. Mas mesmo sem espremer ao limite o potencial do corpo, ele já não estava nem de longe distante desse Alicerce.
Tendo apanhado Jiang An'an, ele estava prestes a sair para um bom banquete quando uma garota de cabelo preso numa miríade de trancinhas saltou e parou na frente dele.
Apontando um dedo diretamente para Jiang Wang, ela disse com toda a grosseria do mundo: "Foi você que não deixou a An'an brincar comigo?"
Jiang Wang a reconheceu — era a pequena endiabrada que ele vira outro dia no Salão Mingde diante do velho sábio, uma menina que carregava o privilégio estampado na cara.
Só as pérolas, contas de jade e esmeraldas enfiadas uma atrás da outra em suas trancinhas já bastavam para falar de sua riqueza.
Não havia proveito algum em armar escândalo com uma criança dessas. "Pequena amiga, eu só disse à An'an para não trapacear nas provas junto com você. Não disse para ela não brincar com você."
A garota das trancinhas bufou. "Então por que você me devolveu todo aquele tesouro? Era um testemunho da nossa amizade!"
"Amizade não se testemunha com dinheiro." Jiang Wang tinha pouca paciência com os filhos dos outros, então, depois de uma lição de circunstância, disse: "Bem, vou levar a An'an para casa."
"Não! Você não sai até esclarecer isso!" A garota das trancinhas abriu os braços de par em par, fechando-lhe o caminho.
Jiang Wang não teve alternativa senão jogar sua cartada decisiva. "Eu vou contar ao seu professor, sabia?"
"Você se atreve?" A garota das trancinhas arregaçou as mangas com raiva. "Quer apostar que te dou uma surra?"
Antes que Jiang Wang pudesse responder, Jiang An'an já havia falado: "Qingzhi, se você bater no meu irmão, eu de verdade não vou mais brincar com você!"
"Ah, espera. Então eu não bato nele." A menina, que se chamava Qingzhi, imediatamente arregaçou as mangas de volta.
Jiang Wang, ouvindo de lado, ficou sem palavras. Mesmo se quisesse me bater, você acha que conseguiria? Coisinha à toa!
"Vou dizer uma vez mais, pequena amiga. Enquanto vocês não fizerem nenhuma travessura juntas — como trapacear, cabular aula e essas coisas — eu não vou me opor a que a An'an brinque com você. Entendeu? Então espere aqui até sua família vir te buscar. Eu e a An'an vamos agora tomar uma sopa de almôndegas!"
Jiang An'an estava prestes a trocar mais algumas palavras com a boa amiga, mas diante da menção da sopa ela perdeu na hora todo o interesse em conversar, e acenou a mão sem parar: "Tchau, Qingzhi! Até amanhã!"
A garota das trancinhas acenou de volta enquanto saía do caminho, e Jiang Wang partiu a largos passos com Jiang An'an nos braços.
Vendo-lhe as costas de passada comprida, ela bufou de novo e resmungou baixinho: "E daí."
...
Os cultivadores de Sanshan chegaram enfim ao pequeno pátio que a Academia Dao de Fenglin lhes preparara.
Mal a porta se fechou atrás deles, o homem da túnica negra, a quem o povo de Fenglin tomava por um senhor demônio oculto, sentou-se de uma vez no chão com a voz num misto de pena e indignação: "Já podemos nos dispersar, ou não? Estamos dentro de Fenglin! Para onde eu poderia fugir?"
Por todo o caminho, ele havia tentado mais de cem maneiras de voltar às escondidas para Sanshan, e toda vez fora capturado de novo. E então, próximo já do acesso a Fenglin, tinham-no cercado por completo e o feito entrar assim.
Ante suas palavras, todos os cultivadores de Sanshan exibiram expressões de certo constrangimento — uns olhavam para o céu, outros para o chão, e dois examinavam mutuamente os dedos. Mas nem um único deu um passo.
A verdadeira senhora demônio entrou aos pulinhos rumo aos quartos do interior, e só depois de percorrer os seis voltou a saltar para o pátio. Apontando um dedo para o quarto mais a oeste, disse — e em cada pulso pendia uma corrente de prata, da ponta da qual oscilava um martelinho de prata que balançava a cada movimento —: "Bom, vocês vão escolher seus quartos! Aquele é meu."
E toda a comitiva se dispersou na hora.
"Sun Gordinho!" Sun Xiaoman chamou Sun Xiaoyan, que se pusera de pé num único rolamento. "Você vai ficar no quarto ao lado do meu!"
"Não quero!" — Sun Xiaoyan berrou —, mas, ao cruzar com o olhar de Sun Xiaoman, sua voz caiu na mesma hora, e ele murchou: "Não posso não querer?"
"Não pode." Sun Xiaoman piscou uma vez.
Ela tinha um par de olhos grandes e brilhantes, e, ao piscar, a luz neles corria como um raio de lua refletido num riacho de montanha.
Mas Sun Xiaoyan só queria tremer.
Sun Xiaoman saiu aos saltinhos com as mãos cruzadas às costas, e o par de ornamentos de martelinho de prata balançava para a esquerda e para a direita, chocando-se de quando em quando com um som claro como o de um sino. "Gordinho, vem com a irmã mais velha~"
Sun Xiaoyan a seguiu de má vontade, arrastando os pés para dentro do quarto enquanto se queixava com pena: "Dá pra parar de me chamar de Sun Gordinho? Eu tenho nome completo!"
"Claro, Sun Gordinho." Sun Xiaoman se virou e acenou de forma despreocupada. "Vem, senta aqui."
Sun Xiaoyan sentou-se obediente, e sua ondulação de gordura dobrada encheu a cadeira até transbordar.
Sun Xiaoman estendeu a mão e baixou o capuz dele, revelando aquele rosto rechonchudo.
"Nossa, que inchaço." Quando Sun Xiaoman não estava sendo ameaçadora, sua voz ficava estranhamente macia e fofa.
Ai, céus, estão cuidando de mim. Em algum lugar do coração de Sun Xiaoyan brotou um calor estranho.
Mas ele se recompôs num instante. Bah! — cuspiu, com força, dentro do próprio coração.
Sun Xiaoman sacou um frasquinho de jade e, ao destampar, desprendeu-se um fio de fragrância clara.
Ela pegou uma pitada do ungüento semitranslúcido com a unha do mindinho, pressionou-a com delicadeza no rosto de Sun Xiaoyan e foi espalhando devagar com a polpa do dedo.
Sun Xiaoyan não ousava resistir, e ficou imóvel para receber. Primeiro sentiu o rosto fresco, e depois, agradável. Todos os lugares doloridos pareceram se aliviar naquele mesmo instante.
"Pronto!" Já aplicado o remédio, Sun Xiaoman batia no rostão de Sun Xiaoyan. "Deixa a noite inteira, e até amanhã o inchaço desce."
Um obrigado quase brotou dos lábios de Sun Xiaoyan por reflexo, mas ele mesmo o mordeu de volta antes que escapasse.
Sun Xiaoman guardou o frasquinho de jade e disse com um sorriso: "Lembra que no futuro não pode ser tão impulsivo. Como seria feio desfigurado, né? Pensa na vergonha que daria para Sanshan."
Quem foi que me deixou assim, hein?!
A amargura se acumulou no coração de Sun Xiaoyan, mas ele ainda assim deu um jeito de compor um sorriso no rosto e respondeu mansamente: "Sim, Jiejie."