Han Li ergueu a cabeça e olhou para fora do campo de batalha. Tanto os membros da Seita dos Sete Mistérios quanto os da Gangue do Lobo Selvagem e de outras quadrilhas — todos tinham o rosto sem cor e o olhar tomado pelo medo.
Era preciso considerar que sua demonstração de poder — tanto a captura da espada voadora quanto o assassinato do Imortal da Luz Dourada e, em seguida, a redução a cinzas de mais de uma dezena de mestres incluindo Jia Tianlong em poucos instantes — tudo aquilo provava que Han Li não era apenas um cultivador extraordinário da mesma estirpe do anão, mas também um homem de métodos cruéis, longe de qualquer bondade ou clemência.
Por onde seu olhar passava, todos baixavam a cabeça, evitando seu olhar. Ninguém se atrevia a cruzar os olhos com ele. Naquele momento, Han Li podia ser descrito sem exagero como alguém diante de quem todos temiam.
"Ainda não foram embora? Pretendem ficar na montanha para que eu também os accompaneje ao outro mundo?" Han Li dirigiu-se subitamente ao lado da Gangue do Lobo Selvagem com voz fria.
Sua voz não era particularmente alta, mas aos ouvidos dos milhares de pessoas no topo da montanha soou como um trovão, provocando imediato pânico.
"Corram! Se não forem embora, ele vai voltar a queimar gente!" Não se sabe quem foi o primeiro a gritar aquilo.
No mesmo instante, os membros da Gangue do Lobo Selvagem e das outras quadrilhas menores entraram em desordem completa. Todos se precipitaram para baixo da montanha, a multidão negra apertando-se na estreita vereda, sufocando-a por completo. No meio da confusão, não se sabia quantos pisotearam e machucaram.
Em breve, todo o Pico do Pôr do Sol ficou vazio. Exceto os discípulos da Seita dos Sete Mistérios, nenhuma outra quadrilha restava.
Wang Juechu estava ao mesmo tempo admirado e alegre. Não esperava que a crise de sua seita se resolvesse daquela forma, e que Jia Tianlong fosse eliminado de maneira tão contundente. Além da euforia, porém, sentia também uma ponta de apreensão.
Sabia que, se o outro podia ajudar a Seita dos Sete Mistérios a superar aquela ameaça sem qualquer esforço, então também poderia facilmente esmagar a seita — ou até reduzi-la a um estado pior que o da Gangue do Lobo Selvagem naquele momento.
Pensando nisso, o Líder da Seita Wang, que já havia relaxado, tensou novamente. Seu olhar vagou até o centro do campo.
"Ei? Onde está o Doutor Han?" A surpresa foi grande ao perceber que o homem que considerava um mestre extraordinário e, ao mesmo tempo, uma variável imprevisível já não estava no mesmo lugar.
"Alguém viu o Doutor Han?" Wang Juechu perguntou apressadamente aos lados.
"Não sei!"
"Não reparei..."
Todos sacudiam a cabeça, ignorando seu paradeiro. Não havia como ser diferente: todos estavam atordoados pelos métodos terríveis de Han Li. Quem se atreveria a encarar de perto aquela estrela de má sorte? E, com aquela habilidade fantasmagórica de aparecer e desaparecer, se o adversário quisesse sumir, não seria nada difícil.
"Não precisa procurá-lo. Eu o vi há pouco, misturado-se com a multidão que desceu a montanha. Já saiu do Pico do Pôr do Sol." Naquele momento, o homem de cinza, cujo semblante havia melhorado consideravelmente, falou de repente.
"Saiu da montanha? Para onde terá ido?" O Líder da Seita Wang soltou um sorriso amargo e confuso, murmurando para si mesmo.
Quando seu olhar percorreu ao redor, deteve-se inesperadamente sobre uma pessoa.
Os olhos de Wang Juechu brilharam subitamente, e o canto de seus lábios se curvou levemente, revelando uma expressão de velha raposa astuta.
Naquele momento, Li Feiyu, excessivamente excitado por ter seu bom amigo transformado num cultivador poderoso, conversava animadamente com Zhang Xiuer, sem saber que alguém já cogitava nele como peça-chave.
Assim, os membros da Gangue do Lobo Selvagem e das outras quadrilhas retiraram-se apressadamente das Montanhas Caixia, sem dar trégua, fugindo durante a noite para fora do território da Seita dos Sete Mistérios. Já a liderança da seita, tendo também sofrido pesadas perdas, não enviou perseguidores.
Nos longos dias que se seguiram, tanto a Gangue do Lobo Selvagem quanto a Seita dos Sete Mistérios se aquietaram, dedicando-se a se recuperar.
Aquela batalha repleta de reviravoltas entre a Seita dos Sete Mistérios e a Gangue do Lobo Selvagem rapidamente se espalhou por milhas e milhas, tornando-se uma lenda local tingida de elementos sobrenaturais. Não só os círculos do mundo marcial, oficiais e clandestinos, falavam dela, como até os simples aldeãos a reproduziam como história, sem que sua popularidade diminuísse.
Na versão popular, a batalha começara com um duelo entre um espadachim supremo capaz de projetar brilho de espada e um imortal espadachim capaz de comandar uma espada voadora. A espada voadora do imortal, misteriosa e imprevisível, superou o brilho de espada do espadachim e o derrotou por completo. Então, de repente, surgiu o grande vilão: o Demônio do Fogo. Não somente matou o imortal espadachim quando este e seu adversário estavam debilitados, como também, tomado por um furor demoníaco, incendiou e queimou mais de mil pessoas presentes. O chefe da Gangue do Lobo Selvagem infelizmente pereceu naquela chama. Por fim, o Demônio do Fogo, culpado por massacre excessivo e por ter desafiado a vontade do céu, foi fulminado por um raio divino, desaparecendo sem deixar vestígios.
Quando Han Li, em sua moradia no Vale das Mãos Espirituais, ouviu de Li Feiyu essa versão que o retratava como um demônio terrível, ficou imóvel e sem palavras por um longo momento. Li Feiyu, por sua vez, já ria sem conseguir se endireitar de tamanha alegria.
Era o meio-dia do quinto dia após o término da batalha mortal.
Naquela noite, Han Li aproveitara a confusão e, discretamente, misturou-se com a multidão que descia do Pico do Pôr do Sol. Encontrou Qu Hun e, juntos, retornaram ao vale.
Logo ao chegar, Han Li pendurou na entrada do vale um cartel de "fechado para visitas", recusando-se a receber qualquer pessoa. Diversos altos escalões da Seita dos Sete Mistérios que pretendiam comparecer naquela mesma noite foram barrados na entrada.
É claro que, dada a reputação de Han Li naquele momento, ninguém se atreveu a demonstrar insatisfação, nem muito menos a entrar no vale por conta própria. Esperaram por um tempo e voltaram pelo mesmo caminho, derrotados.
Nos dias seguintes, Han Li utilizou aquele talismã com a pequena espada desenhada para praticar a Técnica de Movimentação de Objetos.
Sabia que o tempo que lhe restava não era grande. Por isso, dia após dia, antes mesmo do amanhecer, empregava a Técnica de Movimentação de Objetos para transformar o talismã num raio cinzento que circulava voando sem parar pelo vale, até que todo seu poder mágico se esgotasse. Depois, sentava-se e meditava em silêncio, deixando o poder mágico restaurar-se lentamente. Assim que o poder atingia o nível normal, Han Li voltava a conduzir o talismã, repetindo o treino.
Dessa forma, Han Li praticou sem descanso, durante três dias, um treinamento monótono e enfadonho, até considerar que havia dominado rudimentarmente os fundamentos práticos da Técnica de Movimentação de Objetos. Só então encerrou o treino.